filha da lua leu ‚ÄĒ junho

Oi queridos, como foi a leitura de voc√™s neste m√™s? Espero que tenham encontrado algo que aque√ßa seus cora√ß√Ķes e fa√ßam suas mentes se aventurar no desconhecido!

Conectadas por Clara Alves

Raíssa desde muito pequena era encantada por jogos, assim como seu pai e quando, após muito ter pedido, deixou ela começar a jogar no computador dele, conheceu um mundo novo que a fascinou, mas o universo dos jogos ensinou que como uma menina, ela seria tratada de maneira diferente, machismo e assédio a assombrou logo de início, mas Raíssa não querendo que isso a afetasse e pudesse jogar em paz, criou um perfil no nome de um amigo e foi assim por muito tempo, sua identidade verdadeira não era um problema, a não ser é claro, a partir do momento em que Ayla, outra jogadora e usando seu próprio nome, surgiu na vida dela.

Elas formaram uma amizade, que apesar de ser através da internet cresceu para algo mais profundo. Os sentimentos de Raíssa ficaram confusos, pois ela gostava de garotas, mas não estava pronta para assumir isso para si mesma ou para a família, e sem saber como lidar com o fato de que não usava seu nome e Ayla se apaixonou por ela pensando que fosse outra pessoa, tenta organizar a enrascada em que se meteu sem ferir a si mesma ou a garota que amava.

Um evento relacionado ao jogo que as duas jogam junto foi revelado e apesar dos empecilhos, finalmente, iriam se conhecer, mas qual das identidades de Raíssa seria mostrado a Ayla?

Este é um romance que retrata duas garotas adolescente, verdadeiramente, reais. Inseguras e aprendendo sobre si mesmas e sobre o que pouco sabem. Acompanhamos a jornada delas de autoconhecimento, aceitação e descobertas de formas diferentes de amar. Foi um prazer ler um livro tão atual e o carinho da autora em sua obra, queria poder ter visto mais sobre elas, pois foi lindo ver o crescimento de Raíssa e Ayla, o quanto mudaram e vê-las se desvencilhar aos poucos de seus medos e viver o amor que sentem uma pela outra sendo elas mesmas.

Feminismo é para todos (políticas arrebatadoras) por Bell Hooks

Bell Hooks e suas obras são um grande marco na literatura feminista, sua linguagem tem o poder de alcançar a diferentes povos, e é este um exemplo de livros que devemos consumir, sem palavras que nos deixem ainda mais confusos, mas que esclareça duvidas e nos introduza a temas tão importantes.

O feminismo √© para todo mundo √© uma excelente obra que a cada cap√≠tulo, ainda que pequeno, ascenda aquela fagulha de curiosidade, um despertar para o tema e como podemos agir junto em busca da igualdade e quebra de padr√Ķes opressores que tanto queremos. 

Hooks levanta questionamentos e acentua ponto que precisam ser melhorados mesmo dentro do movimento feminista, tais como: se algumas dessas mulheres (no primeiro momento, em sua maioria brancas) alcançarem um cargo mais alto e não ajudar os outros ainda oprimidos; estarão negando um futuro de oportunidades e compartilhamento como sociedade, dessa forma, mulheres que não tiveram o acesso terão a igualdade que buscamos negadas e estariam compactuando com o sistema patriarcal e de nada adiantaria o avanço se a porta batesse na cara dos que seguiam na luta feminista. Nossa existência e gostos pessoais, independente da sexualidade, se não temos os homens como prioridade e seus ideias como o correto somos uma ameaça e é por isso que tentam com tanto afinco criar rumores e menosprezam o movimento, somos uma ameaça ao patriarcado que seguem cegamente.

O movimento feminista √© composto por v√°rios recortes, e neste livro, Hooks, toca neles de maneira realista e clara, mesmo que breve e em cap√≠tulos curtos, o acordar para essa luta fica aberto e instiga ao leitor a querer saber mais sobre os temas tratados. Quando a autora cita o feminismo global, acho importante ressaltar sua opini√£o sobre ‚Äú(…) O objetivo do feminismo global √© se estender e alcan√ßar lutas globais para acabar com o sexismo, a explora√ß√£o sexista e a opress√£o.‚ÄĚ √Č uma luta para todos. Assim como, ela cita sobre o acesso de conte√ļdo feminista, precisamos que esse conhecimento alcance a todos, tal conhecimento √© o que sustenta o movimento. 

Eduquemos n√≥s mesmos e fornecemos a oportunidade para aqueles que ainda n√£o se integram nos temas, pois como Hooks diz, ‚Äúfeministas s√£o formadas, n√£o nascem feministas.‚ÄĚ Todos sofremos de certa forma com o sistema opress√£o, uns mais do que os outros, mas esta √© uma luta para que todos lutemos.

O urso e o rouxinol por Katherine Arden

O urso e o rouxinol se passa na R√ļssia medieval, em torno da fam√≠lia Petrovna, em especial a Vasilisa Petrovna, que a m√£e morreu quando a filha nasceu. Vasya √© diferente de seus irm√£os, a m√£e dela sabe disso e se certifica de que a menina sobreviva, como √ļltimo pedido ao marido para que seja mantida em seguran√ßa.

√Č repleto de magia, s√≥ que de um jeito t√£o diferente, pois se mistura com realidades hist√≥ricas, como por exemplo, quando a igreja come√ßou a inserir o cristianismo em culturas que n√£o fazia parte, e como seu apagamento feriu aldeias que entravam e espalharam seus dizeres  de maneira que se viam superiores aqueles com outras religi√Ķes, √© descrito entre fantasia esse apagamento que ocorreu anos atr√°s em diversas partes do continente. 

Quando iniciei a leitura n√£o esperava por temas pesados assim serem tratados, mas foi feito incrivelmente. A escrita da autora foi um grande deleite e me encantei por Vasya em cada virar das p√°ginas. 

Vemos a personagem e suas vis√Ķes diferentes de toda sua aldeia, que conforme o tempo passava desacreditaram de seus mitos e lendas, os deuses e dem√īnios, estes que faziam parte da cultura deles, e assim, a personagem precisa lutar contra  as cr√≠ticas, que eram pesad√≠ssimas, a desprezavam, mas ela se tornou uma das raz√Ķes para sobreviverem aos invernos rigorosos que tinha todos os anos.

Vasya √© uma pessoa forte, apesar de tudo o que sofre, se manteve gentil com os outros, eu n√£o me conformava, havia momentos que n√£o podia mais suportar e queria proteg√™-la de todo o horror que a faziam aturar, outras meus olhos revirava e o est√īmago embrulhava, os altos e baixos, tamanhas as surpresas que a autora proporcionou com essa obra.

Gostaria que tivesse tido um final mais adequado e ao n√≠vel que este livro merecia, mas isso n√£o impediu do prazer que tive ao l√™-lo e por ser uma trilogia, acredito que ser√° aprofundado nos outros livros. Mal posso esperar para ver a evolu√ß√£o de Vasya, pois a achei magn√≠fica e anseio por mais de suas aventuras, sua opini√£o e convic√ß√Ķes, assim como a magia que vive nela e o desenvolver dos demais personagens, pois acredito que tenha um grande potencial de ser extraordin√°rio.

√Č necess√°rio termos registrado esse trecho pois √© incr√≠vel a firmeza que seus p√©s fincam no ch√£o em dire√ß√£o a sua liberdade e do que acredita.

‚Äú‚ÄĒ Durante toda a minha vida  ‚ÄĒ ela disse  ‚ÄĒ, me mandaram ‚Äúir‚ÄĚ e ‚Äúvir‚ÄĚ. Me dizem como vou viver e como devo morrer. Tenho que ser a criada de um homem e uma √©gua para seu prazer, ou tenho que me esconder entre muros e render minha carne para um deus silencioso e frio. Eu entraria nas malhas do pr√≥prio inferno, se fosse um caminho da minha pr√≥pria escolha. Prefiro morrer amanh√£ na floresta a viver cem anos a vida que me √© indicada.‚ÄĚ

Circe por Madeline Miller

Neste livro temos a releitura da vida da semi-deusa Circe, passamos ao lado da personagem, desde o início de sua vida imortal e os anos subsequentes. Tenho pouco contato com a literatura grega, minha trajetória é rasa, apesar de gostar muito e posso dizer que foi um prazer acompanhar Circe.

Incompreendida e julgada desde seu nascimento, pelos deuses, ninfas, e os demais desse universo mitol√≥gico. Come√ßamos a leitura nos primeiros anos da personagem nos sal√Ķes de seu pai, H√©lio, que tem mais tr√™s filhos com sua m√£e, a ninfa Perseis, e muitos outros espalhados pelo mundo. Circe sempre agiu de maneira submissa e aguentou calada todo o abuso que sua fam√≠lia jogava em seus ombros, ap√≥s certo tempo, decide ser ousada e fazer algo por si mesma, ela se apaixona por um humano e com isso se resulta problemas e sua expuls√£o para uma ilha.

Ap√≥s Zeus bani-la, √© quando o melhor come√ßa acontecer, o que mais me cativou foi Circe tendo seu despertar selvagem, seu lado bruxa que foi ocultado pela nega√ß√£o de seu potencial existente, assim como seus irm√£os, ao estar longe dos sal√Ķes de H√©lio, teve o contato com sua magia, no caso dela, foi um pouco mais tarde, mas isso n√£o importava, pois, finalmente, seus olhos se abriram e estava pronta para receb√™-la de bra√ßos abertos.

‚ÄúEu n√£o serei como um p√°ssaro criado em uma gaiola, pensei, entorpecido demais para voar mesmo quando a porta est√° aberta.‚ÄĚ (…) ‚ÄúEntrei naquela floresta e minha vida come√ßou.‚ÄĚ

Se tornou a pessoa que queria ser, aprendeu sozinha, ao lado dos animais selvagens e a natureza, suas facetas foram descobertas, pois Circe era mais do que apenas a filha de um deus, ela era uma semi-deusa, ninfa, feiticeira e bruxa. E assim, passamos a conhecer a vida turbulenta, com altos e baixos, √†s vezes, tediosa e solit√°ria, s√£o tantos os anos colocados neste livro que fica dif√≠cil falar sem estragar uma poss√≠vel leitura de voc√™s. 

A autora colocou personagens marcantes da mitologia grega, muitos sem import√Ęncia, e tive um problema com a const√Ęncia da narrativa, era encantador ler sobre a vida de Circe, mas quando foi optado por tratar de pontos n√£o t√£o interessantes, como relacionamentos com homens e humanos, era um pouco cansativo. Gostaria, por exemplo, de ter tido a experi√™ncia de v√™-la ensinando as ninfas que foram viver em sua ilha (uma das muitas puni√ß√Ķes que os deuses a infernizou no decorrer dos anos exilada), tanto √© que fiquei maravilhada e devorava cap√≠tulos que o seu lado m√≠stico e selvagem era mostrado.

Circe é uma personagem que não cabe nas jaulas que queriam mantê-la, com seus dedos cria feitiços e luta por aquilo que acredita. Foi fascinante ler o desenvolver de alguém complexo como Circe, afinal, personagens que buscam por sua liberdade intelectual e selvagem são meu ponto fraco, lembrei de Jane Eyre, que já publiquei aqui se quiserem dar uma olhada, mulheres que não se deixaram ser mantidas em cativeiro e inspiraram a cada página e me tiraram suspiros.

Alice no país das maravilhas por Lewis Carroll

Acredito que quase todos n√≥s conhecemos a hist√≥ria das aventuras de Alice, em algum momento em nossa inf√Ęncia, mesmo que apenas de outras bocas, ou por filmes e desenhos animados, se originou de livros, e ap√≥s muito tempo, foi apenas nos meus vinte e um anos de idade que tive o primeiro contato com a obra escrita, n√£o poderia me encantar menos com a imagina√ß√£o da personagem e para onde elas a levam, √© um lembrete da crian√ßa que fui e ainda vive em mim, e daquelas que gosto de manter em personagens que crio. 

O livro em si é uma loucura total e adoro isso! Cada coisa sem sentido, mas que ao mesmo tempo, faz todo o sentido, o que é ainda mais confuso. Enigmas coloca entre as palavras e um universo que mostra a cada página o medo de uma menina que está crescendo e não sabe como lidar com isso, o que ficou ainda mais explícito no diálogo que a personagem tem com a lagarta, foi reconfortante viver no mundo de Alice, pois me lembrou a mim mesma; mostro-lhes o diálogo:

‚ÄúQuem √© voc√™?‚ÄĚ Perguntou a Lagarta.

Esta n√£o foi uma abertura encorajadora para um conversa. Alice respondeu timidamente:

‚ÄúEu‚Ķ no momento, senhor, eu mal sei‚Ķ pelo menos sei quem era quando levantei-me hoje de manh√£, mas acho que devo ter mudado v√°rias vezes desde ent√£o.‚ÄĚ

√Č uma bela forma, pelo menos para mim, como nossa mente lida com as mudan√ßas inesperadas, algumas boas e outras nem tanto, mas que acontecem e cabe a n√≥s mesmos descobrir como seremos.

O que me encanta em Alice é sua imaginação e olhar para a vida, gostaria de encerrar com a frase do primeiro capítulo que poderá representá-la muito bem:

‚ÄúAlice tinha se acostumado tanto a esperar s√≥ coisas esquisitas acontecerem que lhe parecia muito sem gra√ßa e ma√ßante que a vida seguisse da maneira habitual.‚ÄĚ

Caso tenha chegado até aqui, quero agradecer por tirar um momento para ler minhas palavras, logo estarei de volta.

escrito por: AMANDA MARIA

O mito da beleza por Naomi Wolf

Um cl√°ssico sobre feminismo, tive a oportunidade de iniciar a leitura nesse ano, por se tratar de temas com a tem√°tica de grande encargo de informa√ß√£o e ter jarg√Ķes que tornam a leitura mais pesada, levei alguns meses para finaliz√°-lo. Para mim, por mais demorada que tenha sido, foi completamente v√°lida, assuntos que precisamos falar sobre. Nesta obra, Naomi Wolf retrata a beleza, e o mito criado pela sociedade como forma de controle das diversas mulheres.

De início, temos a visão geral da geração de mulheres que sucederam a ondas de feministas que lutaram por conquistas que o sistema opressor nos negava, Wolf, tinha contato com estudos da área, dessa forma, passou a perceber algo comum que era: após avanços proporcionados pelo feminismo, sempre surgia ideias para oprimir mulheres de alguma maneira, impedindo passos em direção da evolução, amarrando-as em suas regras mais uma vez. 

A política tem como base ideais em que o domínio masculino é supremo, e através dessa supremacia opressora machista, afetam não apenas as mulheres, mas também os homens, é claro que, somos nós, mulheres, as que mais sofrem essa opressão, e a beleza é uma das formas de controles encontrada por esse sistema, que em diferentes culturas, encontraram um jeito de agir.

Naomi Wolf, oferece um relato que expande nossa vis√£o sobre a manipula√ß√£o da beleza, em t√≥picos como: trabalho, cultura, religi√£o, sexo, fome (alimenta√ß√£o e dist√ļrbios que resultou entre as mulheres), a viol√™ncia; detalhando como o sistema usou isso para tentar calar nossas vozes.

Essa manipulação vinha (ela ainda existe) de diversas formas, que sequer parecia estar acontecendo de tão comum e instalada nas mentes de cada um. O envelhecimento era condenado e usado contra as mulheres, marcas vendiam produtos que sequer tinham o efeito prometido, revistas forneciam matérias com ideais irreais e inalcançáveis, afinal, o mito da beleza, cobra das mulheres coisas impossíveis de se alcançar, apesar de saber disso, usufruíram do mito como controle do pensamento das mulheres. Expunham imagens que fizessem as mulheres cobrarem a si mesmas, a se sentirem péssimas em seus próprios corpos, sobre seus gostos e sonhos, além de um jogo psicológico, infiltraram o mito em áreas diversas. 

O capitalismo ganhou √† custa do sofrimento feminino, a pornografia que o diga, visto que √© uma das falsas imagens criadas como opress√£o. Falsas promessas, falsos dizeres, colocando expectativas baseadas em uma mentira controladora, cegando as mulheres da misoginia em dom√≠nio de toda a sociedade. Na parte referindo-se ao sexo, Naomi Wolf diz ‚Äú(…) uma cultura mis√≥gina conseguiu fazer com que as mulheres odeiem o que os mis√≥ginos odeiam‚ÄĚ, o que isso quer dizer? Nos manipularam ao ponto de odiarmos a n√≥s mesmas, cada vez mais, e isso deixou uma ferida muito grande, que at√© nos dias de hoje lidamos com as cicatrizes.

Um dos t√≥picos discutidos, que acho muito importante ressaltar √© sobre como a pornografia n√£o foi feita para as mulheres, segue¬† outra cita√ß√£o de Wolf, ‚Äú(…) o corpo do homem n√£o √© erotizado para as mulheres. O corpo de outras mulheres n√£o √© erotizado para as mulheres. A masturba√ß√£ao feminina n√£o √© erotizada para as mulheres. (…) O charme e a atra√ß√£o dos corpos masculinos n√£o s√£o descritos para as meninas por uma voz de mulher; e a atra√ß√£o que sentem por suas amigas n√£o √© descrita absolutamente em parte alguma.‚ÄĚ Aqui, claramente, vemos como todo esse meio al√©m de violento e opressor, foi usado para nos compararmos e apenas isso, corpos irreais, cobran√ßas jogadas nas mulheres, que iniciaram a busca pela perfei√ß√£o cobrada por essa sociedade, tal perfei√ß√£o que n√£o existe, sendo ent√£o, uma luta cont√≠nua e que n√£o levaria a lugar algum, al√©m de nossos sofrimentos. Como Naomi disse, ‚Äúisolada do corpo, instada a n√£o v√™-lo ou a n√£o senti-lo como humano‚ÄĚ. Tudo isso para no final, se questionarmos, nos chamarem de loucas e quererem cessar nossos protestos.

O feminismo é nosso alicerce, e unidas continuaremos a lutar, entendendo cada ponto de vista e vivência, muitos passos foram dados; e mesmo quando o sistema opressor tentar impedir o avanço, não será por muito tempo, afinal, a voz será ouvida, a luta feminista continuará existindo! Estudos sobre o tema é necessário para todos, o acesso a livros feminista é necessário para evoluirmos como sociedade. 

O mito da beleza, apesar de ser excelente em rela√ß√£o aos temas abordados, n√£o √© muito acess√≠vel, a linguagem e repeti√ß√£o de algumas partes o torna cansativo, mas de qualquer maneira, acredito que seja um livro que devemos ler. √Č uma leitura did√°tica que abre os olhos sobre coisas que muitas vezes n√£o questionamos, pois sequer percebemos que elas existem, mas est√£o l√°. E sabermos dessas manipula√ß√Ķes √© importante, pois marcharemos contra elas.

escrito por: AMANDA MARIA

filha da lua leu ‚Äď maio

Olá, estou de volta! Agora com as minhas leituras do mês de maio, sintam-se a vontade para comentarem, se quiserem.

Um corpo na biblioteca por Agatha Christie

Agatha Christie √© reconhecida por seus livros de romance policial, apesar de muito ter escutado sobre a autora e sua escrita, este, foi o primeiro contato que tive com suas obras. Um corpo na biblioteca teve as primeiras publica√ß√Ķes na d√©cada de 1942.

Nada al√©m do pr√≥prio t√≠tulo, um corpo foi encontrado na biblioteca da casa dos Brantry, acordada no meio da noite, a sra. Brantry, recebeu a not√≠cia de um corpo assassinado estar em um dos c√īmodos de sua casa. A vizinhan√ßa faladeira como era, desatou a espalhar boatos do corpo na biblioteca da cada do coronel Brantry, ele que muito se importava com opini√Ķes alheias se refugiou na fazenda distante, j√° a sra. Brantry tem a ajuda da detetive amadora, Miss Marple, que tem a presen√ßa em outras hist√≥rias de Agatha Christie, as duas se jogam numa aventura investigativa sobre quem seria o assassino.

Os pontos de vistas de intercalam, entre suspeitos do ato, e detetives das delegacias das cidades pr√≥ximas, do outro lado temos a perspicaz Miss Marple descobrindo o que outros n√£o enxergavam atrav√©s de pistas que chamavam sua aten√ß√£o, ela relacionava a acontecimentos curiosos que presenciava na vila em que morava e obtinha respostas cada vez mais esclarecedoras para o desenrolar da trama. Como mulher, ainda que n√£o detetive profissional, mas que conhecia muito sobre o assunto e desvendava crimes que outros n√£o conseguiam, era pouco valorizada, ou n√£o reconhecida, at√© mesmo quando comentado sobre a capacidade da mesma, a resposta sobre foi ‚Äúinstinto feminino‚ÄĚ, e podemos ver, claramente, a mentalidade da √©poca e o desfavor com o profissionalismo que ela era capaz de exercer.

Cada capítulo passamos a acreditar que um personagem seria o responsável da fatalidade, mas Agatha Christie soube como surpreender ao escrever. Confesso que, em determinada estava segura de minha escolha de suspeita, ao descobrir não poderia estar mais satisfeita, acertei. Apesar disso, continuei devorando cada palavra deste livro, poucas páginas e que me prenderam de tal forma que só queria saber o desfecho.

Agatha Christie, com a absoluta certeza, está incluída nas minhas próximas leituras, e mal posso esperar por isso!

Verity por Colleen Hoover

Colleen Hoover, soube como prender meus olhos nas p√°ginas do livro e n√£o querer desviar por nada, arrancar meu f√īlego a cada cena, Verity, me deixou perturbada, mas n√£o me arrependo nenhum pouco. A autora soube trabalhar sua escrita de uma maneira t√£o sutil, que em cada par√°grafo eu aguardava pelo pr√≥ximo com cautela, assustada, com o que viria a seguir, pois, de fato, era surpreendente.¬†

Quando decidi ler, eu sabia pouco além das respostas positivas dos leitores, e após finalizá-lo, não poderia concordar mais. Colleen Hoover, trouxe algo inesperado que adorei, mesmo quando surtei a cada capítulo que avançava, o meu coração acelerava, dá para acreditar?

Lowen recebeu a proposta de continuar a escrever a série de livros da famosa Verity, que após um acidente ficou impossibilitada. Por mais relutante que Lowen foi de início, acabou cedendo e se comprometeu a terminá-los, e como consequência a levou ter que vasculhar o escritório de Verity buscando por algo relacionado as obras já publicadas ou possíveis idéias futuras, o que não estava em seus planos era o manuscrito que encontrou, e ainda mais, não parar de lê-lo.

Conforme Lowen passava os dias naquela casa, ela se sentia cada vez mais assombrada pelo fantasma de Verity, uma mulher que estava de cama e nada poderia lhe fazer, mas ao avançar na leitura do manuscrito da autobiografia dela, descobriu uma pessoa com a personalidade completamente oposta a que todos tinham em mente, verdades que causavam arrepio, um misto de compaixão e horror à medida que descobrimos junto com Lowen, uma Verity desconhecida, até mesmo para o seu marido Jeremy, e a personagem se vê dividida sobre o que fazer com o manuscrito.

Uma leitura de tirar o f√īlego mesmo relacionado a uma cena e cen√°rio simples, meus olhos eram impossibilitados de desviar, at√© mesmo quando, sentia o est√īmago embrulhar e o aperto na garganta por toda a intensidade dos personagens.

Sobre a escrita por Stephen King

Stephen King conhecido mundialmente, por obras marcantes no mundo literário e as aventuras nas telas de cinema. Sua escrita varia entre terror, suspense ficção científica e fantasia, nunca li nenhuma delas, talvez em alguma momento, mas por agora não. O que não invalida o meu interesse sobre seu conhecimento na escrita, tantos anos trabalhando em livros que algo ele deve ter aprendido, certo? Então, peguei Sobre a escrita e me joguei de cabeça nessa leitura, que diferentes outros livros de escrita que havia lido, não tive vontade de largá-lo e nunca mais abrir.

O senso de humor do autor foi o que mais me prendeu, além, é claro, sua narrativa. Stephen, introduz os contatos iniciais que teve com a escrita e histórias de seu passado que o moldou para a pessoa que se tornou hoje, e acredito que, essa parte seja muito importante, pois, são detalhes como esses que nos guiam na vida. Toda a narrativa dele é envolvente, me deixando curiosa, mesmo que em alguns trechos sentia um pouquinho de vergonha alheia, afinal, é cada coisa que ele conta nesse livro, hilário.

A maneira didática que ele aplica os conhecimentos, mesmo aquelas regras chatinhas que reviramos os olhos às vezes, ele não deixou desagradável, e mesmo que muito do que ele disse eu sabia, obtive enorme aprendizado neste livro, e deletei-me na narrativa do autor, o que acendeu uma pequena chama de interesse para dar uma chance as demais obras, o que diz o bastante sobre a sutileza de sua narrativa, que realmente, me agradou.

Mensageira da sorte por Fernanda Nia

O livro de passa em um Rio de Janeiro dist√≥pico, as ruas da cidade a qualquer momento poderia surgir uma manifesta√ß√£o que, em quest√£o de segundos tudo se tornaria perigoso, grandes corpora√ß√Ķes no poder e a voz do povo cada vez mais n√£o sendo escutada.

A personagem, Sam, que havia sofrido uma perda recente aprendia a lidar com seu luto e culpa interna que deixou marcas dolorosos demais mesmo meses depois, dessa forma, ela e a mãe mudaram para uma nova casa, buscando pelo recomeço que precisavam.

Inesperadamente, Sam, se vê no meio de um dos muitos protestos que ocorrem na cidade, traumatizada queria apenas chegar o mais rápido possível em casa, quando derrepente, o universo brinca com ela e manda outra surpresinha para a garota. Sam descobre que há coisas desconhecidas e que pensou apenas existir no mundo fictício. 

Existindo uma organiza√ß√£o do pr√≥prio universo, que lidava com as sortes da humanidade, criada pela justi√ßa, sorteavam quem teria suas balan√ßas equilibradas ap√≥s tantos azares na vida, afinal, azar √© algo que n√£o conseguimos escapar e uma sorte seria bem-vinda. Pelo destino ou n√£o, Sam, se torna a mensageira da sorte tempor√°ria para o DCS, o que surgiu de um acidente tr√°s v√°rias quest√Ķes e surpresas que a personagem tem que lidar, mensagens precisam serem entregues, ser√° que a Sam conseguir√° realizar seu trabalho sem nenhum obst√°culo?

Uma das mensagens entregues por Sam causa uma reviravolta na história quando o receptor dela, Leandro, não esquece da presença de Sam após a sorte ter sido entregue. Acompanhamos Sam e Leandro em suas pequenas aventuras e tramas, nesse mundo caótico que é o Brasil distópico, e ouso dizer, não tão distópico assim visando a realidade em que vivemos agora.

A escrita da autora é de fácil acesso, ela consegue passar a emoção de uma maneira tão sutil que sequer percebo, mas em questão de segundos estava roendo minhas unhas com as trapalhadas que Sam tinha que enfrentar. O senso de humor deu aquele gostinho maravilhoso a história, e acompanhar a personagem era encantador, afinal, vemos uma crescente evolução dela, desde como lidava com o luto e a culpa que a corroia, a gente via ela entendendo suas mágoas e remorsos, aprendendo com isso e se tornando a pessoa que queria de fato ser. Querendo poder ajudar, recompensar, encontrou nas mensagens da sorte um propósito.

Os problemas é muito mais embaixo, quando as surpresas do destino bate na porta dela, quando os podres da corrupção é exposto e Sam se vê tendo que fazer escolhas que afetará a todos.

Um teto para dois por Beth O’leary

Um teto para dois √© uma com√©dia rom√Ęntica contempor√Ęnea escrita de maneira leve e sincera, um livro que se l√™ em poucos dias e ao finaliz√°-lo d√° a sensa√ß√£o de carinho e felicidade sobre as hist√≥rias dos personagens e as situa√ß√Ķes que enfrentaram cada um de um jeito.

Tiffy, uma editora de livros sobre croch√™ lidando com o t√©rmino do namoro recente, decide se mudar da casa do ex e dividir um apartamento com algu√©m, afinal, era s√≥ o que ela poderia arcar. Leon, precisando de dinheiro havia colocado o an√ļncio sobre alugar o apartamento e n√£o apenas isso, teriam que dividir a mesma cama, em hor√°rios diferentes, visto que ele trabalha em um casa de repouso no per√≠odo da noite, dificilmente teriam os caminhos cruzados, como Tiffy se v√™ sendo muita op√ß√£o sobre onde morar, ela aceita e em seguida logo se muda, querendo deixar os traumas para tr√°s.

Apesar de início, ambos, acharem a situação estranha, foram se acostumando com a presença um do outro na casa, mesmo que em momentos diferentes, passaram a sentir o conforto no decorrer que os meses se passavam, principalmente, através dos post it que trocavam e se conheciam, pequenos avisos, desabafos e histórias do passado, desenvolveram uma amizade e sintonia que os surpreendia e assustava.

√Č uma com√©dia rom√Ęntica que retrata o amor-pr√≥prio, confian√ßa e amizade, sobre a cura de relacionamentos abusivos, escrito com sutileza e cuidado. Tiffy e Leon a cada cap√≠tulo iam se desfazendo das amarras que seus medos os mantinham.¬†

Foi uma leitura t√£o prazerosa, senti borboletas no est√īmago e sorri como boba ao me jogar nessas p√°ginas e vivenciar a hist√≥ria desses personagens. Torci por eles e senti orgulho ao acompanh√°-los.

Heartstopper: Volume One por Alice Oseman

Heartstopper relata a história em quadrinho de dois meninos, era um amor tão puro e jovem que sentia aconchego ao ler sobre eles, e cada vez ficava melhor, isso sem comentar da arte, uma graça e bem trabalhada, pude ver o empenho de Alice por essa linda obra.

Charlie Spring e Nick Nelson se conhecem apenas através de rumores do colégio, mas em determinado momento se tornam amigos. A companhia um do outro é onde se sentem confortáveis, a amizade cresce e junto dela um sentimento que não sabem como reagir, fiquei encantada ao ler a trajetória deles.

Um estudo em Charlotte Holmes por Brittany Cavallaro

Brittany Cavallaro, criou uma releitura dos ilustres casos de Sherlock Holmes, Um estudo em Charlotte Holmes, é um jovem adulto repleto de suspense e imprevistos. 

James Watson se muda para um colégio contra vontade própria, e acaba tendo o caminho cruzado com Charlotte Holmes, quem ele sonhava em ser amigo e se jogar nas aventuras investigativas, assim como seus antepassados. O que os uniu não foi a amizade imaginária que Watson tinha sobre eles, e sim, um assassinato de um dos alunos, que colocava ambos como culpados de algo que não havia feito, ou pelo menos, era o que alegavam.

Um estudo em Charlotte Holmes, relata o crescimento de uma amizade, a confian√ßa que ambos t√™m um no outro, aconteceu de maneira r√°pida quando todos se tornam contra eles e se v√™em com incrimina√ß√Ķes a cada nova pista ou novo assassinato. Eles buscam por provas de quem seria o respons√°vel, pois, os dias da liberdade de Holmes e Watson estava cada vez mais pr√≥ximo do fim. Se viam envolvidos demais no emaranhado de confus√£o que os cercavam, al√©m de lidar com isso, tinham que enfrentar as diferentes personalidade e humor nada f√°cil um do outro.

Reviravoltas e possibilidades que no decorrer da história começamos a supor junto aos personagens e nos aprofundamos naquele mundo como se estivéssemos ao lado deles. Foi uma boa surpresa, e mal posso esperar para ler os próximos livros dessa releitura que deixou um quentinho no meu coração por toda a história de Charlotte Holmes e James Watson.

 

Espero que tenham tido boas leituras em tempos de caos como o que estamos vivendo, lembrem-se de se cuidarem, ok? Logo nos vemos por aqui. Faça aquele chá ou café, abra um livro e se joga nesse universo maravilhoso das palavras!

escrito por: AMANDA MARIA

filha da lua leu – mar√ßo e abril

O emaranhado de confusão atual que ocorre no mundo fez com que minha mente se afogasse na ansiedade e as palavras me faltavam para descrever o que queria, minhas leituras continuaram, no mundo dos livros eu queria me aventurar, uma forma de escape, como sempre, as palavras me salvaram. 

Apesar de tudo, finalmente, consegui escrever algo.

Vos escrevo ent√£o, sobre √ļltimas leituras feita por mim. Futuramente planejo publicar sobre leituras separadas, ser√° esse o motivo de alguns livros j√° lidos estarem faltando aqui. Vamos l√°?

 

Mulheres que correm com os lobos por Clarissa Pinkola Estés

Palavras escapam de minha mente para fazer uma introdução digna a este livro, colocarei então a frase que contém no prefácio, que deixou-me arrepiada logo de início.

‚ÄúTodas n√≥s temos anseio pelo que √© selvagem. Existem poucos ant√≠dotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspira√ß√£o. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. N√£o importa onde estejamos, a sombra que corre atr√°s de n√≥s tem decididamente quatro patas.‚ÄĚ ‚ÄĒ Clarissa Pinkola Est√©s.

A relação que temos com a mulher selvagem engloba as mulheres em tantos aspectos, de diferentes perspectivas, e é tão maravilhoso saber que existem tantas variáveis para a Mulher Selvagem, penso eu.

Suas formas de chegar at√© n√≥s √© ainda mais fant√°stica, atrav√©s da arte, de todo o dia de arte, aquela que nos ajuda a respirar em momentos que pensamos n√£o ser mais poss√≠vel. Ela vem na escrita, vem na pintura, vem na m√ļsica, vem na dan√ßa, vem do nosso movimento, vem do nosso ser, pois somos a Mulher Selvagem.¬†

A autora diz como a Mulher Selvagem foi silenciada dentro de nós por tanto tempo e que para muitas mulheres continua sendo, o quanto isso deixa-nos presa em uma imensidão de descontentamento e infelicidade, por mais que uma mulher seja reprimida, tenha suas patas amarradas, a Mulher Selvagem ainda está com ela, precisa apenas ser despertada. Seu instinto poderá auxiliar por sua liberdade, independente de qual seja a liberdade que lhe é essencial, e teremos o suporte maior conforme nos ajudamos a dar o próximo passo.

Cada capítulo contém narrativas e analogias feita pela autora de contos antigos, manipulados através do tempo, mas que ali temos a faísca da Mulher Selvagem de alguma maneira, mesmo que escondida. 

Um dos comentários das histórias feito pela autora, é sobre o Barba-azul. O que ou quem seria ele?

Barba-azul seria aquele típico padrão do homem como predador, fazendo das mulheres suas presas e torturadas. História essa que se relaciona a estruturas de relacionamentos abusivos e morte de mulheres que teve contato com esse tipo de predador.

Colocado de maneira interessante, a analogia feita pela autora, de que todos temos predadores e a qualquer momento podemos nos tornar vítimas, e como o nosso instinto avisa a aproximação ao sinistro que seria este homem. Ela diz ser necessário a compreensão em relação ao predador, para então, sabermos como não nos deixarmos vulneráveis a possíveis ataques. Para o predador, é um jogo de controle até o próximo passo ser dado, dando fim a vida ou qualquer que seja o objetivo.

O reconhecimento da zona de perigo se tem devido a qualquer convívio passado com algo parecido, algumas mulheres já são ensinadas desde muito nova a proteger-se de predadores, deixando os instintos e garras, atenta a todo instante, o que vem a ser exaustivo e corriqueiro na vida de uma mulher, independente de qual mulher seja, todas em algum momento enfrentaria seu predador.

A irm√£ mais nova ignorando os conselhos das mais velhas, e a m√£e n√£o impedindo-a, √© um triste retrato de situa√ß√Ķes at√© mesmo atuais, a mulher se permitindo entrar no relacionamento sufocante e controlador, com esperan√ßas tolas de que amanh√£ ser√° melhor, ele vai melhorar ou que n√£o √© t√£o ruim quanto parece, no final, nada melhora e de fato, era t√£o ruim quanto parecia, √†s vezes, se torna ainda pior.

√Č um livro de estudos de muitos anos, o conte√ļdo √© denso mas essencial. Temas dos mais profundos aspectos √© proposto, sentimentos, vidas, perspectivas da vida da mulher. Clarissa Pinkola Est√©s, t√™m como base a psicologia junguiana e apresenta ao leitor uma evolu√ß√£o e transforma√ß√£o na vida de muitas mulheres e manipula√ß√Ķes sofridas no decorrer da hist√≥ria da humanidade. Temos contato, ent√£o, com a ess√™ncia da alma feminina e seus instintos. O caminho que seguimos e a viv√™ncia da Mulher Selvagem dentro de n√≥s.

 

The Arc of an Scythe ‚ÄĒ Trilogia por Neal Shusterman

O primeiro livro tem o t√≠tulo traduzido ‚ÄúO ceifador‚ÄĚ, teve sua primeira publica√ß√£o em 2016 e o segundo ‚ÄúA Nuvem‚ÄĚ, em 2018, j√° o terceiro da trilogia ainda n√£o chegou traduzido no Brasil mas j√° √© existente desde 2019¬† ‚ÄĒ minha leitura foi¬† apenas dos dois primeiros livros, para evitarmos spoilers, nos post de hoje, falarei apenas o b√°sico desse curioso universo.

Um mundo dist√≥pico, a tecnologia avan√ßou nas m√£os da humanidade e agora quem mant√©m esse universo em ordem √© essa tecnologia, chamada Nimbo C√ļmulo ‚ÄĒ ela v√™ tudo mas n√£o controla cada detalhe apesar de ser uma possibilidade, a Nimbo C√ļmulo deixou na m√£o da humanidade o nascimento e a morte da popula√ß√£o, apesar de ter dado a imortalidade a todos. Passado s√©culos desde a Era da Mortalidade, a popula√ß√£o continua a crescer e a maneira encontrada para manter um n√ļmero que a Terra possa sustentar conforme os Imortais vivem, √© a Ceifa.

A Ceifa fica espalhada por cada continente, ela √© respons√°vel por coletar a vida dos humanos. Muitos os temem, outros os adoram, outros os ignoram, a Nimbo C√ļmulo √© capaz de controlar tudo mas ela se abst√©m quando o assunto √© a Ceifa e seus Ceifadores.

Neste livro √© repleto de quest√Ķes filos√≥ficas e √©ticas, perspectivas e singularidades. Na p√°gina 14, uma das personagens principais, Citra, diz ‚Äú…a esperan√ßa diante do medo √© a motiva√ß√£o mais forte do mundo…‚ÄĚ , conforme avan√ßo na leitura percebo o qu√£o necess√°rio isso se tornou nessa sociedade, chegaram a um ponto de perfei√ß√£o, de conquistas apenas imagin√°veis aos antepassados, e ap√≥s as mesmices em suas vidas, alguns na humanidade perderam o prazer de evoluir, de criar, pois qual seria o pr√≥ximo passo quando j√° se alcan√ßou tanto?¬†

H√° diversas facetas nessa humanidade e √© curioso a forma como √© tratado, quando at√© mesmo pular de um pr√©dio e morrer, se transforma em divertimento, afinal, o fim de suas vidas √© uma porcentagem min√ļscula em compara√ß√£o a Imortalidade, ao menos que, um Ceifador te colete.¬†

Citra Terranova e Rowan tem seus caminhos entrelaçados, quando são oferecidos o cargo de aprendiz de Ceifador. O treinamento se inicia e adentramos nesse universo dos ceifadores. Ideias e estilos de vidas singulares, é interessante conforme avançamos na história e conhecemos esses pontos de vistas.

Uma das caracter√≠sticas que mais gostei, foi o fato de ter trechos dos di√°rios de ceifadores, assim, conhecemos a mente de cada um, mesmo que apenas um pouco, temos um gostinho de suas convic√ß√Ķes e insere questionamentos e explica√ß√Ķes relacionado a narrativa do livro, situando o leitor da realidade retratada.

 

Um dueto sombrio por Victoria Schwab

Desde o final de A Melodia Feroz, as personagens seguiram seus destinos, devido às escolhas feitas por eles, as consequências estavam aguardando, não havia mais como fugir. 

No segundo e √ļltimo livro da duologia, nos aventuramos ao lado de Kate e August, em Um Dueto Sombrio eles t√™m suas batalhas pessoais a serem enfrentadas. Monstros que os cercam, monstros escondidos dentro de si mesmos.¬†

August se tornou capit√£o dos soldados da resist√™ncia, parando de resistir daquilo que o assombrou por toda a vida. Se viu aceitando calado, mesmo que doesse, teria de viver sendo o que era, apenas dessa forma, poderia ter alguma esperan√ßa. As notas saindo de seu violino, e o ar escapando dos pulm√Ķes dos pecadores, assim, August salvava quem podia, aceitando os que fugiam do massacre do outro lado da cidade, se juntando a resist√™ncia.

Ao contrário de August, que preferia afastar os maus que ele via em ser um sunai, a monstruosidade que sua natureza remete, afastando a humanidade que tanto sonhava. Temos Kate, caçando monstros desconhecidos em cidades vizinhas, a evolução da personagem e o enfrentamento contra seus monstros pessoais e aos que a cercava era óbvio, e crescente. 

Chega a um ponto da história que não há como negar, a atração que ela sente em relação a própria cidade, e quando o inimigo desconhecido aparece, Kate se vê sem nenhuma opção além de lutar ao lado da população sobrevivente e controlados por monstros de seus passado.

O inimigo desconhecido aqui √© invis√≠vel e se alimenta de algo que nenhum sobrevivente em Veracidade sabe. Ideias e maneiras de lidar uns com os outros na¬† guerra precisam ser revistos, uni√Ķes precisam ser feitas. Fugir n√£o √© uma op√ß√£o.¬†

O caminho a frente √© sangrento, sombrio, violento e desconhecido. Para Kate e August, n√£o enfrentar os monstros que vivem dentro de si mesmos n√£o √© uma alternativa e neste √ļltimo livro vemos como isso ser√° feito. E que nem tudo √© como esper√°vamos.

 

Todo mundo tem uma primeira vez

Uni√£o de contos que chegam de surpresa, nos marcando e dando aquela sensa√ß√£o de nostalgia, mesmo n√£o tendo vivido algumas dessas situa√ß√Ķes, conforme eu lia, esse sentimento n√£o era afastado, apenas uma crescente, tornando a leitura leve e deliciosa numa tarde de domingo.

Ao iniciá-lo esperava por primeiras vezes típicas mas fui surpreendida entre diferentes vivências, sonhos, tristezas e medos. Cada conto feito de carinho e dedicação de autores brasileiros, compartilhando com o leitor suas palavras e histórias, transformando e abrindo a mente do leitor ao mostrar pontos de vistas que há muitos foram negado.

Tenho salvo comigo um trecho lindíssimo introduzido na apresentação do livro, narrando ao leitor o propósito do livro, quero deixar aqui para alimentá-los com essa perspectiva e que deem uma chance a esse compilado de primeiras vezes singulares.

‚ÄúA literatura √© uma heran√ßa. Quem escreve hoje, no Brasil, carrega as m√£os uma hist√≥ria de muitos autores que vieram antes, mas tamb√©m dos que n√£o tiveram voz. Carrega tamb√©m, a responsabilidade de escrever um novo mapa, uma rota, a constru√ß√£o de um farol para quem est√° vindo passos atr√°s, tentando aprender sobre a vida.‚ÄĚ ‚ÄĒ Socorro Acioli.

Para mim, uma amante de livro, uma jovem escritora que encontra sua inspiração ao meio das palavras, que busca nelas o apoio e esperança, essa simples frase, me fortificou e causou admiração. Que nossa literatura continue a dar voz e vida aos diferentes leitores.

 

Eu Quero Mais por Tayana Alvez

Elizabeth se muda para São Paulo ao iniciar na universidade que tanto queria. Entre relacionamentos, amizades, questionamentos e crescimentos pessoais; a personagem tenta se acostumar com a nova rotina, ao redor de pessoas desconhecidas. 

Vemos neste livro, o desenvolver da personagem, o autoconhecimento, o progresso mesmo que demorado, sobre aquilo que é necessário na vida dela e aquilo que apenas a tem causado mal. 

A personagem em cada capítulo vai abrindo os olhos para o que a cerca e descobrindo quais as prioridades e o que será preciso para realizar os próprios sonhos e seguir os princípios que carrega consigo.

 

Trilogia Grisha por Leigh Bardugo

O universo Grisha é mais explorado por Leigh Bardugo nessa trilogia, e confesso que, esta é a razão para continuar minha leitura, ao contrário da duologia da autora, que se tornou um dos meus mais queridos livros, esse foi sem graça e pouco cativante, apesar disso, a escrita de Bardugo é leve e carrega a história de maneira que me estimula a continuar.

Ocorreu poucos picos que me arrebatou e tirava-me o f√īlego atrav√©s da leitura, o desenvolvimento de personagens √© tedioso, poucos deles foram interessantes, a possibilidade deles serem trabalhados melhor √© existente, tanto que, acredito que se a autora se aprofundar nessa trilogia com seu conhecimento atual seria muito superior ao ma√ßante resultado desses livros.

Alina Starkov, uma √≥rf√£ e com pouco a se importa na vida. Levava a vida mon√≥tona no regimento militar do Primeiro Ex√©rcito, trabalhando como cart√≥grafa, at√© que se v√™ correndo perigo numa das expedi√ß√Ķes e seu melhor amigo, por quem √© apaixonada, se fere e t√™m, surpreendente, o poder que se escondia nas entranhas dela revelado.

Com o poder revelado, ela é reconhecida como uma dos Grishas e é levada a corte real para receber treinamento como tal, no mundo de guerra e com os Grishas quase extintos é necessário que se mantenham unidos e treinados por seus poderes.

O Segundo Exército, dos Grishas, é liderado pelo Darkling, um poderoso Grisha, histórias sobre ele é sussurradas entre o povo de Ravka, e ali com ele, Alina é introduzida em um mundo que há pessoas que possa se assemelhar e entendê-la. 

Em meio √†s novas adapta√ß√Ķes, a personagem se v√™ tendo que lidar com a atual vida e o peso de seu poder, o que isso importa e como poder√° ajudar seu pr√≥prio pa√≠s. Entre segredos, descobertas e escolhas, Alina Starkov se aventura no mundo das sombras que cai sobre Ravka e busca por desenvolver a conex√£o com seu poder Grisha.

 

Memórias Póstumas de Brás Cuba por Machado de Assis

Machado de Assis, o t√£o reconhecido autor e figura de extrema import√Ęncia para a literatura brasileira. Seus ideais, suas cr√≠ticas provocativas, suas hist√≥rias cativantes e personagens que causam desconforto, que para mim muitas vezes seria dif√≠cil de suportar numa leitura, n√£o ocorre quando se trata dos livros do Machado, o autor tem a capacidade de quando inicio um livro seu, o mais insuport√°vel que seja a personagem, quero consumir cada palavra que ele prop√īs atrav√©s de sua escrita.

Neste livro, o autor traz ao leitor um defunto como narrador, ap√≥s sua morte, ele relembra fases da vida que teve, escolhas que fez e mem√≥rias que o assombra. Sarc√°stico, egoc√™ntrico e provocador, atraindo a aten√ß√£o a leitura aos detalhes de sua pr√≥pria morte, inicialmente, para ent√£o, nos narrar a inf√Ęncia e os anos seguintes.

Brás Cubas, teve amores, amizades, aventuras e mudanças de ideias, muito crítico e reclamão, então, Memórias Póstumas de Brás Cuba nada mais é que, o personagem defunto que escreveu o livro sobre sua vida, ele retrata seu ponto de vista daqueles que traçou algum caminho na sua existência e narra, de maneira interativa, desastrosa e um tanto autocrítica.

 

 

Se você leu até aqui, obrigada, quem sabe podemos conversar mais sobre algum livro? Caso se sinta confortável, comente, ficarei muito feliz de saber o que se passa por aí. Se cuidem!

E não se esqueçam: desejo a todos o conforto e conhecimento dos livros!

 

escrito por: AMANDA MARIA

filha da lua leu ‚ÄĒ fevereiro

Os sete maridos de Evelyn Hugo por Taylor Jenkins Reid

√Č exatamente aquele tipo de livro que os coment√°rios dos leitores s√£o bons e sempre tem algu√©m recomendando-o, normalmente, tenho receio de livros assim pois, √†s vezes, me decepciono, o que claramente, n√£o ocorreu com Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, e tenho a absoluta certeza que, foi uma das minhas leituras mais f√°ceis, cativantes e surpreendente deste ano, e estamos apenas no in√≠cio dele.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, escrito por Taylor Jenkins Reid, foi publicado pela primeira vez em 2017. Trata-se de um romance, a estrela de Hollywood Evelyn Hugo j√° aos oitenta anos decide, finalmente, falar sobre sua vida e segredos, encerrando com as especula√ß√Ķes que girou em torno de toda a vida dela.¬†

A hist√≥ria inicia-se com mat√©rias sobre a personagem, que neste livro √© uma grande, renomada e marcante atriz. Evelyn Hugo est√° decidida a falar apenas com a jornalista Monique Grant ‚ÄĒ em algumas partes o ponto de vista varia, mostrando a jornalista e como a partir do momento que se envolve com a atriz sua vida √© afetada ‚ÄĒ¬† √© interessante observarmos a evolu√ß√£o entre ambas personagens e o individual delas, pois ali mostra uma mulher que sempre teve a vis√£o de suas atitudes distorcida pela sociedade e outra mulher lidando com os problemas pessoais e profissionais da vida contempor√Ęnea que vive. Atualmente, sozinha e ap√≥s sete maridos Evelyn anuncia que ter√° sua vida publicada em um livro, escrito por Monique, e √© exatamente quando tudo torna-se surpreendentemente arrebatador, cada p√°gina que eu lia queria saber mais e mais. Evelyn Hugo √© marcante por si s√≥, e ver a narrativa da personagem no desenrolar da hist√≥ria era envolvente.

Evelyn Hugo √© uma mulher que ap√≥s muitas dificuldades na vida pessoal e da viv√™ncia no mundo art√≠stico aprendeu a lidar com tudo em seu mecanismo de defesa, tornando-se uma pessoa que coloca-se em primeiro lugar e n√£o sente vergonha por conta disso, faz o que √© necess√°rio para conseguir o que quer. A personalidade da personagem √© o que torna tudo ainda mais fascinante. Evelyn exp√Ķe-se detalhadamente, ningu√©m mais falar√° por ela, e desde o in√≠cio deixa claro que n√£o tem a m√≠nima obriga√ß√£o de fazer sentido para Monique ou qualquer outra pessoa, para jamais coloc√°-la em um caixa com o motivo de seguir padr√Ķes que n√£o √© de sua natureza. Evelyn √© inspiradora, com toda sua autenticidade, v√™-la narrando a amarguras, prazeres e desprazeres, aumenta a vontade do leitor de compreend√™-la, torna-se busca pela realidade da personagem e suas raz√Ķes.

Enquanto Evelyn narra sua hist√≥ria, monique escreve e √© uma mistura de vis√Ķes e nuances conforme o livro se desenrola. A personagem teve sim sete maridos, mas nenhum deles chegou a ser o mais importante. Quando Monique pergunta para Evelyn quem foi o grande amor da vida dela, pensei, o segredo est√° a√≠, exatamente, nessa parte n√£o contatada para ningu√©m; o questionamento que todos fizeram no decorrer da vida da personagem, pois suposi√ß√Ķes era o que mais cercava quando era relacionada a Evelyn hugo.

Amei cada momento entre Evelyn e um de seus maridos, o seu amigo mais íntimo  confiável, o pai de sua filha e aquele que tanto apoiou ela. Deixou meu coração aquecido ao ver a amizade verdadeira, os dilemas da vida de cada um e a forma que se ajudaram em toda a vida.

S√£o poucas palavras para descrever o amor da vida de Evelyn Hugo, sem entrar a fundo no assunto e falar mais do que deveria, pois quero deixar a experi√™ncia √ļnica de cada um de voc√™s, ser apenas sua. Posso dizer apenas sobre a maneira como ela e sua esposa viveram cada momento de suas vidas juntas, o amor, a confian√ßa, o sentimento. Era uma varia√ß√£o de afei√ß√£o, carinho e nervoso quando se tratava das duas. Duas mulheres que a linha da vida uniu e poder ler sobre o desenvolvimento do relacionamento delas, do crescimento pessoal, sobre escolhas que fizeram e o resultado delas, era magnetizante. Quando tratava-se delas era poss√≠vel ver que n√£o estavam prontas a ter um comprometimento, pelo menos n√£o na fase inicial, e tive imenso deleite ao ver qu√£o real o amor entre as duas foi, atrav√©s da leitura, voc√™ de fato consegue compreender os personagens e suas variantes, e como precisamos entender a n√≥s mesmos para ent√£o entender o pr√≥ximo.

O que mais me agrada nesse livro é a personagem em si, a personalidade marcante, inspiradora e singular. Evelyn Hugo nos ensina sobre não deixar nossas vozes serem caladas e como somos nós quem deve narrar nossas história, sem se importar com a visão que os outros terão sobre e sim como você quer ser. 

Como a pr√≥pria Evelyn diz: ‚ÄúNingu√©m merece coisa nenhuma. A grande quest√£o √© quem tem disposi√ß√£o para ir atr√°s do que quer (…)‚ÄĚ. E √© justamente dessa forma que sinto-me ap√≥s esse livro, a disposi√ß√£o de ir atr√°s do que almejo e sonho, pois apenas eu tenho a capacidade de fazer isso por mim.

A todos que leram até aqui, digo: leiam Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, busquem por suas vozes serem escutadas e suas histórias serem narradas por ninguém menos do que a si mesmo.

Chronos por Rysa Walker

Chronos: viajantes do tempo, escrito por Rysa Walker, se trata de um universo em que é possível a viagem no tempo, Kate Pierce é uma das poucas que tem a capacidade para tal coisa, o genes de historiadores foi passado entre família, Kate o herdou de sua avó Katherine.

A linha do tempo est√° completamente bagun√ßada, sendo alterada gerando consequ√™ncias, um poder superior tentando controlar tudo e a todos. Kate se encontra no meio de algo que jamais considerou existir al√©m dos livros que lia. Katherine conta para a neta a realidade an√īnima at√© ent√£o e os segredos que escondeu por seguran√ßa. De in√≠cio a personagem descobre o motivo da atual confus√£o que lhe cerca e qual √© seu papel naquele meio.

Esse mundo relatado no livro é desconhecido não apenas para o leitor e sim para a própria personagem, então de primeiro temos toda uma explicação sobre esse universo, suas leis e regras. Kate deverá voltar no tempo em um período que sequer existia, e antes disso acontecer ela precisa aprender como.

Em teoria, achei interessante a viagem no tempo, os obst√°culos e efeitos que √© relacionado ao mundo criado pela autora, o que me entristeceu foi o fato da Kate n√£o agregar a hist√≥ria, toda a narra√ß√£o era mais empolgante quando a av√≥ dela estava envolvida, at√© mesmos os fragmentos que teve dos di√°rios da Katherine era mais relevante e atraente no livro; tornou-se cansativo ter que aturar uma personagem que n√£o se fez not√°vel, at√© mesmo o tri√Ęngulo amoroso que surgiu era in√ļtil e n√£o importava, Kate poderia ter sido melhor desenvolvida; a realidade bateu quando percebi que continuaria a narrativa for√ßada e sem gra√ßa dela.¬†

Confesso que quem fez eu prosseguir a leitura foi a avó da personagem e toda a vida e segredos que tinha, independentemente de qual época, ela era profundamente mais intrigante e significativa para o livro.

Sinceramente, escrever algo relacionado a este livro sem soar negativa se torna difícil pois a minha leitura não foi agradável, o que é decepcionante, era um livro que tive grandes expectativas.

Medo Imortal

Medo Imortal é uma antologia feita pela Darkside dos escritores da literatura brasileira, é composto por membros da Academia Brasileira de Letras (ABL). Logo de início é introduzido o contexto em que esses autores viveram e o momento do mundo literário. A história e conceitos atrelados a fundação da ABL, dando ao leitor o entendimento para seguir a leitura. 

Fazendo uma breve contextualiza√ß√£o, a ABL inspirou-se na academia de letras j√° existente na Fran√ßa, at√© mesmo em alguns preceitos interligados a eles. Os membros da Academia Brasileira de Letras buscavam pela eleva√ß√£o da literatura brasileira apesar de suas inspira√ß√Ķes virem de outros pa√≠ses queriam a literatura daqui sem a influ√™ncia euroc√™ntrica presente na √©poca. Infelizmente, as mulheres puderam fazer parte da ABL apenas oitenta anos ap√≥s fundada, o que claramente, mostra a falha entre pessoas que pregavam a eleva√ß√£o cultural brasileira, mas deixou-se cegar pelo conceitos presentes na academia da europa.

A falha de algo t√£o simples, a falta de inclus√£o, abolia a hegemonia masculina quando a Rachel de Queiroz foi eleita como uma dos membros, ap√≥s 1976, visto que ABL foi criada em 1897. Os Imortais √© uma homenagem aos quarentas fundadores da ABL, quarenta e um incluindo uma cadeira, a de Julia Lopes de Almeida, que no per√≠odo era deixada de lado mas n√£o inexistente na import√Ęncia da ABL. Neste livro est√° incluso treze autores relacionados a ABL, constando seus textos, contos de literatura g√≥tica que se fez presente na √©poca.

Por ser um livro repleto de contos importantes e √ļnicos, de caracter√≠sticas variadas em cada autor colocado, falarei aos poucos dele, concluindo, n√£o ser√° um livro finalizado de uma vez s√≥.

O autor de abertura n√£o poderia ser ningu√©m menos do que Machado de Assis (1839-1908), o ilustre e respeit√°vel escritor, ele √© um dos grandes marcos da literatura brasileira, mesmo ap√≥s tantos anos sua hist√≥rias, sua escrita se mant√©m em destaque, Machado foi essencial para o mundo liter√°rio e continua sendo, a desenvoltura dele como escrito √© memor√°vel e podemos aprender, cada vez que se l√™ algo dele deixa o gostinho de querer mais, pois sua maneira √ļnica de escrita foi a frente de seu tempo.

São as seguintes obras incluídas neste livro: A Igreja do Diabo, A Vida Eterna, Um esqueleto, Sem Olhos, A Causa Secreta e Pai Contra Mãe. Estas obras foram publicadas em sua maioria em jornais da época.

Nestas obras Machado criou hist√≥rias e personagens complexos e atitudes que muitas vezes podem causar horror ou at√© mesmo repugn√Ęncia. N√£o √© simples a maneira que ele desenvolve seus enredos.¬†¬†

Há uma parte na introdução anterior as histórias dele que questiona o porquê de sermos seduzidos pelos atos monstruosos e continuarmos com a leitura, e é exatamente assim com Machado de Assis, ele tem a eficácia de criar obra desse patamar, de mesmo tendo personagens que nos faz querer entrar nos livros e dizer poucas e boas, jamais cogitamos largar o livro sem saber a finalidade, como se fosse um pecado tal coisa. Machado causa ao leitor a aspiração de saber o que acontecerá na próxima página. Talvez ele tivesse o conhecimento dessa competência, talvez não, mas ele utilizou-a esplendidamente. 

O autor tem sua obscuridade incomparável com a pitada de realidade, soube relatar vidas através de críticas muito bem construídas no humor que dificilmente se encontra em outros autores. Mesmo já tendo lido outros livros dele passei a notar o padrão que se segue na escrita dele, os caminhos que ele segue, deixando sua marca, e é curioso como após leituras de suas obras consigo identificá-lo, nunca fui de reconhecer as características de escritores tão rápido como tem sido com Machado, e isso se faz devido a particularidade dele, e isso é o que torna alguns livros mais especiais para mim do que outros, a individualidade de cada autor com suas obras e maneiras de seguir com a escrita.

S√£o contos cru√©is mas podemos perceber tra√ßos existentes na sociedade da √©poca e de tra√ßos que se assemelham aos dias atuais. √Č finalizado a introdu√ß√£o de Machado com a seguinte frase, que eu n√£o poderia achar um jeito melhor de referir a ele e as obras que comp√Ķem Medo Imortal, segue:

‚ÄúTrata-se de um dos retratos mais pungentes e dram√°ticos do tema, que √© capaz de evocar o mais puro horror sem a necessidade de apelar ao sobrenatural. Bastou a Machado de Assis apenas falar da realidade.‚ÄĚ

A frase é referida a um dos contos presentes, que é sobre a escravidão que nosso país vivenciou e que feriu a tantos de modos que sequer consigo encontrar palavras para comentar, é doloroso mas tão realista que ao ler é necessário um momento para processar tudo.

Machado de Assis soube como deixar seu marco na literatura, e cada vez mais penso que continuaremos a apreciar suas obras e desejo apenas que valorizemos suas cria√ß√Ķes.¬†

Voltarei a comentar sobre os demais autores compilados neste livro, esta é uma composição repleta de conhecimento literário e obras que agregam a cada leitura feita, levarei o tempo que precisar e achar necessário para aproveitar devidamente cada uma dessas histórias.

√Č gratificante poder consumir tais conte√ļdos.¬†

A Melodia Feroz por Victoria Schwab

Aqui estou lendo outro livro da Victoria Schwab, não há como negar, realmente encontrei grande deleite em cada universo criado por ela, e o deste mês foi A Melodia Feroz.

A resistência de um lado e a outra em que monstros estão no controle, o maior deles sendo um humano e pai de um dos protagonistas. Kate Harker que sempre teve em mente o pai como modelo, buscando pela aprovação e por ser tão cruel quanto ele. E do outro lado da cidade existe August Flynn filho do líder completamente oposto do pai de Kate. 

Temos uma cidade dividida ao meio, entre norte e sul. A viol√™ncia neste mundo gera consequ√™ncias, sendo elas os monstros. H√° tr√™s tipos de monstros: corsais, malchais e sunais. Pode-se dizer que h√° quatro tipos, o √ļltimos deles sendo os humanos que em sua maneiras causaram a destrui√ß√£o entre si.

August se v√™ tendo a miss√£o de ficar de olho em Kate, pois se uma poss√≠vel guerra entre norte e sul se tornar real, seria √ļtil t√™-la de alguma forma. O problema inicial em quest√£o √©, August √© um sunai, aqueles que atrav√©s da m√ļsica a alma de pecadores sugam, e Kate pode n√£o ser uma pecadora mas √© uma filha de quem controla os monstros, o confronto entre duas realidades d√° aquele friozinho na barriga em cada intera√ß√£o entre os personagens.

A Victoria trouxe neste livro personagens com dilemas que se resumem a enfrentar o monstro que temos dentro de nós ou que nos cercam, e como sempre, a autora soube trabalhar a violência e monstruosidade de um modo belo e arrebatador, seduzindo o leitor na narrativa que ela cria.

Quando o baque da realidade entre os dois personagens acontecem e eles se veem tendo que confiar um no outro, a história se desenrola na aventura e busca por sobrevivência, a amizade e desenvolvimento das personagens, o ponto de vista e criação deles, a maneira que pensam e se sente, não fica cansativo ver o questionamentos que surgem na mente de ambos e a forma que lidam com isso. Causa ao leitor desejo de acompanhar o desenvolvimento deles.

O que conquistou minha aten√ß√£o foi os monstros criado pela Victoria, os sunais simplesmente me deixaram sem f√īlego, foi brilhante e ver a particularidade de cada um fascinou-me. Todo momento que August se alimentava da alma de um pecador (assassinos neste caso), eu n√£o conseguia pensar em nada al√©m daquela cena, ler detalhadamente o ato, um personagem distinto, o desenrolar dele foi satisfat√≥rio de presenciar. Ele toca o violino e as almas brilham em confiss√£o de seus pecados, alimentando-o e mesmo que ele tenha avers√£o a isso faz parte de sua natureza, eu venero a forma que a Victoria cria personagens t√£o √ļnicos e faz a hist√≥ria girar em torno deles t√£o naturalmente.

Mesmo sendo o ponto de vista de dois personagens os outros que os cercam agregam tanto para o enredo e proporciona ao leitor o entusiasmo de seguir com a leitura em cada p√°gina.

Victoria agradeço por sua habilidade em entregar obras e universos tão extraordinários.

 

Sei que demorei a publicar sobre os lidos de feveiro mas todos temos os nossos altos e baixos, às vezes, nada do que escrevemos parece estar bom mas o importante é não desistir, então venho aqui honrar o comprometimento que fiz comigo e a qualquer um que se disponha a ler o que publico.

Desejo a todos que encontrem algum conforto nos livros!

escrito por: AMANDA MARIA

filha da lua leu ‚ÄĒ janeiro

Este ser√° um quadro que escreverei sobre livros que li no m√™s e tudo o que me fizeram sentir e pensar. Espero que seja interessante para voc√™s contribuindo de certa forma assim como foi para mim. Minhas leituras n√£o se prendem a apenas um g√™nero liter√°rio, ent√£o, acredito que possam encontrar inspira√ß√Ķes para algum livro que agrade as prefer√™ncias de voc√™s.

O vil√£o por Victoria E. Schwab

A escrita da Victoria E. Schwab é recente para mim mas já tornou-se uma das autoras que mais tenho o prazer de ler e aprender. Ela é inspiradora, a escrita sincera e leve. Tratando de tópicos que atraem o leitor, de uma maneira tão interessante, com personagens bem construídos. Diálogos que estimulam a leitura a ser mais agradável e uma história contínua. cheia de altos e baixos, tramas e traumas, complexidades e questionamentos provocados pela própria autora.

O que √© bom ou mau, realmente existe apenas um lado? ou ser√° que todos temos tend√™ncia para ambos os lados e vivemos em meio termo, nenhum dos dois, apenas somos e dependendo da circunst√Ęncia nossas atitudes e escolhas ultrapassam o que √© esperado como bom.¬†

Livro que te faz pensar e duvidar sobre suas atitudes. Um ponto de vista, um prop√≥sito, uma vida e suas escolhas com a varia√ß√£o na linha do tempo tornando tudo ainda mais interessante e deixa uma pitada de curiosidade genu√≠na! ‚ÄĒ Quem √© o vil√£o? N√£o somos todos o vil√£o da vida de algu√©m?

Entre as intrigas, destinos e vidas que cruzaram o caminho uma da outra, ao ler conhecemos personagens complexos e suas raz√Ķes pessoais para cada ato mesmo os mais inconscientes e como pode afetar o outro. O √≥dio dos personagens entre si, muito bem retratado, e a explora√ß√£o com outras personagens que agregaram para a hist√≥ria uma caracter√≠stica √ļnica e importante. Cada um tem a vis√£o de algo e isso interv√©m¬† no comportamento em rela√ß√£o a tal contexto. Retrata t√≥picos muito bem aprofundados, cenas pesadas que podem deixar o leitor desconfort√°vel por seu detalhamento mas √© a verdade nua e crua de pontos em que o ser humano pode atingir. O que o poder ‚ÄĒ de qualquer tipo ‚ÄĒ pode fazer com uma pessoa, como ser√° usado, como se manifesta.

We Are Okay por Nina Lacour

Estamos bem ‚ÄúWe are okay‚ÄĚ em ingl√™s, foi escrito por Nina Lacour,¬† publicado em 2017.¬†

Um livro com poucas p√°ginas mas com tanto a dizer. Com tanto a sentir. Sobre o luto e a maneira pessoal que a personagem lida com isso. Sobre uma personagem que pouco sabia da vida e que tanto j√° havia perdido. Sobre perdas, sobre solid√£o, sobre o amor em diferentes formas. E sobre n√£o estar sozinho.

Sobre auto-conhecimento, e como fingimos até não aguentar mais a ficção criada para escapar daquilo que nos fere.

√Č um lindo livro, a personagem que muitos podem encontrar semelhan√ßa e conforto em como encara a vida. √Č real, sincero, tocante de um jeito √ļnico, √≠ntimo. Mostra a jornada de uma adolescente criada pelo av√ī ‚ÄĒ segredos e coisas n√£o ditas mas sentidas, os mais profundos dos pensamentos. A dor, o amor, e toda a linha cruzada nesse maremoto de surpresas que a vida pode prover.

N√£o √© acredito que seja um romance mas existe um casal com a propor√ß√£o necess√°ria na hist√≥ria, n√£o ficou for√ßado e achei formid√°vel o modo que foi escrito ‚ÄĒ fascinante e extraordin√°rio assim como tudo na vis√£o de uma vida imprevis√≠vel e cheia de entusiasmo.

√Č retratado como desabafo do crescimento precoce e doloroso mas verdadeiro.

Pétala por Olívia Pilar

O conto escrito por Olívia Pilar, a autora é brasileira e tem outros contos publicados que recomendo darem a chance de uma leitura. O conto foi publicado em 2018 e tem a versão ebook na amazon.

A hist√≥ria gira em torno de um encontro entre as duas personagens (Bruna e P√©tala) que tem tanto a dizer uma a outra, decis√Ķes a serem tomadas e o medo do resultado que seus desejos pessoais podem causar ao serem dito. √Č belo e simples, duas mulheres que n√£o s√£o namoradas mas que tamb√©m n√£o s√£o apenas amigas. E que querem mais. O pequeno conto mostra as duas tomando um caf√© e relembrando momentos que viveram juntas, um momento importante para as duas e escrito com tanto carinho (pelo menos foi dessa forma que senti). Uma leitura curta mas cheia de carisma.

Just Juliet por Charlotte Reagan

Pelo menos uma vez no m√™s preciso da minha dose de romance clich√™ na veia, sou apenas uma leitora que v√™ um clich√™ e quer ler, principalmente um romance gay. √Č a f√≥rmula perfeita, sinceramente.

Foi minha primeira leitura da autora apesar de gostar algumas parte me causou inc√īmodo, busquei por uma representatividade mais ampla e n√£o encontrei, o modo que levou determinadas partes n√£o foi surpreendente e apesar de ter uma escrita agrad√°vel tornou-se repetitivo.¬†

Em Just Juliet, Charlotte Reagan, mostrou realisticamente a vida adolescente. Os personagens secund√°rios e principais t√™m as pr√≥prias hist√≥ria e √© bem colocado ‚ÄĒ apesar de pouco adentrar nos temas expostos ‚ÄĒ s√£o interessantes e agregaram entusiasmo a leitura. Pude sentir afei√ß√£o na rela√ß√£o constru√≠da entre eles e por cada particularidade em suas caracter√≠sticas.

O labirinto do Fauno por Cornelia Funke e Guillermo del Toro

Escrito por Cornelia Funke em uma versão fascinante e memorável do filme de Guillermo del Toro. O livro é ilustrado e repleto de fantasia, o que torna tudo muito prazeroso em cada página lida.

Acredito que essa leitura foi uma surpresa para mim nunca havia lido um livro que veio de um filme apenas o contrário, não tive contato com o filme antes da minha leitura mas ao olhar a capa e ver um pouco sobre o que se tratava já instigou a minha curiosidade, alguns dias depois já me vi comprando-o e nesse mês me aventurei nele.

Uma menina que encontra nos livros o conforto que busca em um mundo em guerra e cheio de dores. Seu pai morre e a sua mãe se vê obrigada a casar em um tempo que sua voz jamais seria escutada e tendo apenas um papel a ser interpretado. Elas se mudam para uma casa na floresta junto com um capitão do exército da Espanha e ali a pequena Ofélia vê sua vida virando de cabeça para baixo. 

A personagem adentra em um mundo m√°gico e que muito ela encontrou apenas nos livros que carregava a todo lugar. √Č cativante e ativa a imagina√ß√£o do leitor. Encantadoramente escrito e t√£o bem descrito o modo em que o universo m√°gico e o real ‚ÄĒ aquele preso em guerra, sangue, sombrio ‚ÄĒ se intercalam, a semelhan√ßa que fingimos n√£o existir mas que est√° expl√≠cita em cada ato.

A leitura não é leve apesar de parecer apenas a visão de uma criança a fantasia tem o tom obscuro e personagens peculiares de atitudes duvidosas. Apreciei o modo que cada um acredita estar fazendo o certo e como podemos ver isso quando o ponto de vista do personagem é narrado.

Um dos trechos que mais marcou a minha leitura foi bem no come√ßo, por volta da p√°gina 20, a seguinte frase: ‚ÄúOf√©lia assistiu a tudo isso do banco de tr√°s do carro, desprezando a possibilidade de estender a m√£o ao Lobo, como a m√£e lhe pedira para fazer. Ent√£o finalmente saiu do carro para n√£o deixar a m√£e sozinha com ele, apertando os livros junto ao peito feito um escudo de papel e palavras.‚ÄĚ ‚ÄĒ simplesmente n√£o posso ver a confian√ßa de uma personagem ser depositada em livros e o amor pela leitura ser retratado que fico sentimental, o trecho de fato marcou toda a minha leitura, a maneira que¬† em toda minha vida encontro o conforto nas palavras e busco por segredos que um livro pode revelar, me leva a ser cativada por trechos como esse.

Six of Crows e Croocked Kingdom por Leigh Bardugo

Duologia escrita por Leigh Bardugo, o primeiro livro foi publicado em 2015 e realizei a leitura apenas agora¬† ‚ÄĒ como um pouco sempre atrasada¬† ‚ÄĒ para mim n√£o poderia ter sido uma leitura mais envolvente do que essa.¬†

Ultimamente, tenho focado na busca por autoras de fantasias que podem me ensinar algo (penso que livros sempre podem agregar conhecimento de certa forma) mas com isso em mente, eu buscava por aprendizado¬† ‚ÄĒ como uma escritora que tem lutado para criar o seu universo pessoal¬† ‚ÄĒ e ver outras autoras e suas obras me d√° inspira√ß√£o na escrita e na vida. E a Leigh Bardugo entregou isso lindamente em cada palavra.

Six of Crows se passa em um universo já escrito por Bardugo, que primeiro foi visto na Trilogia Grisha, nunca cheguei a ler os mesmos e fiquei com medo de gerar confusão quando lesse a duologia mas pelo contrário, fluiu tudo muito bem e entendi de maneira precisa, Leigh Bardugo soube bem como fazer isso. 

Logo no in√≠cio ela introduz o universo Grisha. Essa hist√≥ria gira em torno de seis personagens peculiares que vivem em Ketterdam, capital de Kecth. Ladr√£o. Sangradora. Espi√£. Atirador. Fugitivo. Prisioneiro. Essas s√£o as descri√ß√Ķes iniciais sobre os personagens. Kaz. Nina. Inej. Jesper. Wylan. Matthias. Uma palavra que poderia resumir bem mas acaba sequer sendo a superf√≠cie desses seis.

Jovens que foram corrompidos por uma sociedade corrupta. Traumatizados pela vida pegaram suas cicatrizes de deram os pontos eles mesmos e cada um, de maneira √ļnica, escolheram qual seria a defesa que seria criada e levantada contra todos, pois, deveriam estar preparados para jogar como os outros, saber cada regra e se necess√°ria criar suas pr√≥prias e fazer com que os sigam.

Kaz Brekker, o trapaceiro Mãos Sujas e dono do Clube do Corvo, lidera uma das gangues mais conhecidas de Ketterdam e é contratado para realizar um roubo extremamente perigoso que poderia resultar com sua cabeça decapitada ou qualquer outra morte horrível. Ele precisaria de uma equipe em que confiasse e ao nível requerido.

Seis personagens, seis pontos de vistas, seis vidas completamentes farta de segredos e coisas n√£o ditas. Eles n√£o poderiam ser t√£o diferentes um do outro e terem uma qu√≠mica t√£o boa como personagens¬† ‚ÄĒ mas acontece e isso √© incr√≠vel¬† ‚ÄĒ e √© √≥bvio que a jun√ß√£o de personalidades t√£o diversificadas geraria acontecimentos √ļnicos para a hist√≥ria.

O primeiro livro tem uma parte inicial como introdu√ß√£o para esse universo e depois p√°ginas consecutivas da hist√≥ria pessoal de cada um deles sendo reveladas e dando ao leitor em cada palavra a empatia e apego por todos, o que √© intrigante, mesmo que algum dos seis fizesse algo horr√≠vel ou que causasse algum tipo de repulsa e raiva, voc√™ ainda consegue se importar plenamente com eles. Os detalhes de suas vidas antes e como chegaram suas realidades atuais cativa o leitor e gera curiosidade. Neste livro mostra a jornada deles realizando essa aventura repleta de perigo e inseguran√ßa mas √© m√°gico ver a mente genial deles trabalhando para a excel√™ncia e dinheiro ‚ÄĒ afinal, √© o que importa aqui, pelo menos eles acham que seja isso.

J√° no segundo livro a autora trouxe o p√≥s roubo e sobre isso n√£o falarei muito pois esse post √© Spoiler Free. √Č espl√™ndido o quanto Bardugo conseguiu evoluir sua escrita e os personagens, no primeiro j√° achei tudo na medida certa apesar de querer mais, e em Croocked Kingdom ela faz isso magisticamente.¬†

A duologia gira em torno dos personagens, tem tudo acontecendo nesse universo mas o que realmente importa são os personagens, e o modo que isso é construído me agradou muito. No segundo livro, Leigh Bardugo conta e revela para os leitores mais dos segredos dessa equipe diversificada. Eu poderia passar horas falando sobre cada um deles e suas características, histórias e escolhas mas esse não será o momento. 

√Č belo como a autora deu a singularidade de cada um deles a aten√ß√£o e desenvolvimento devido. Personagens femininas belamente constru√≠das e representadas. Romances realistas e encantadoramente escrito. Cada hist√≥ria, cada palavra, devorei com o maior contentamento. Ap√≥s finalizar ambos precisei de um momento para me recuperar, chorei como nunca havia chorado por um livro, e lhes digo que, n√£o foi apenas por tristeza e sim por ter sido t√£o bem escrito que Bardugo deu um fim que eu poderia ter visto realmente acontecendo com cada um deles, algo respeitoso. Acredito que √© respeito o que a autora tem por seus personagens ‚ÄĒ perfeitamente inspirador.

Tive o imenso prazer de conhecer a voz  e história de cada um dos seis personagens e espero que vocês também!

 

Dedico esta publica√ß√£o para Victoria Schwab e Leigh Bardugo, que nos √ļltimos meses me ensinaram e inspiraram de maneiras diferentes. Continuarei na busca por mais conhecimento e livros!

escrito por: AMANDA MARIA 

‚ÄúMentirosos‚ÄĚ o que voc√™ pode saber sobre?

A escritora E. Lockhart, teve seu livro ‚ÄúMentirosos‚ÄĚ publicado em 2014, n√£o √© o seu √ļnico, a mesma j√° tem muitas outras obras publicadas, fiz a compra deste livro no ano passado e desde ent√£o o mantive em minha estante, tive vontade de l√™-lo mas demorei muito para isso, e quando decidi dar-me a oportunidade de iniciar a leitura, sendo este o primeiro livro de Lockhart que passei a ter conhecimento obtive como resultado da minha escolha uma obra que atraiu a minha aten√ß√£o; com a escrita atraente e cativante da autora me vi envolvida na hist√≥ria e terminei o livro em dois dias, querendo a todo momento saber a continuidade da hist√≥ria, a li rapidamente, devorando cada p√°gina com uma vontade pois almejava ser capaz de descobrir o que estava realmente acontecendo com todos aqueles personagens.

O que devo dizer sobre eles? O que você pode saber sobre? O que é necessário saber sobre a história além de que você deve ler para descobrir? Os Mentirosos são personagens encantadores, de personalidades extremamentes marcantes, cheios de vida e prontos para uma aventura. Os Sinclair são uma família padrão e extremamente rica, cheias de segredo, procuram não expor suas fraquezas e dilemas, eles são complexos e quando juntos na ilha da família todo verão, é como se ali fosse apenas o mundo deles e era isso o que importava. Mas vou lhe dizendo, este livro é muito mais do que isso quando se fala desses quatro personagens, Os Mentirosos jamais devem ser deixados apenas nessa categoria, eles são uma variação constante e intensa que te envolve a cada palavra, cada vírgula colocada na história.

Na minha leitura a cada página foi uma descoberta, uma teoria que eu criava ao imaginar qual versão é a verdadeira ou se sequer existe apenas uma versão, e que qualquer uma delas sejam reais. Eu não sabia se deveria confiar ou não na voz da personagem, queria apenas entender o que estava acontecendo e como ela resolveria os obstáculos que apareciam.

Todo verão a família ia para sua ilha particular, por muito tempo foi apenas os primos Cadence, Mirren e Johnny, eles conviviam uns com os outros mas faltava algo, até que Gat começa a ir passar o verão na ilha, ele não é um Sinclair, mas juntos as quatro crianças tornam-se os mentirosos, inseparáveis, é contado a união e como cada um se desenvolveu, com seus diferentes ideais e maneira de observar a vida, o grupo se completava e então era tudo o que importava, que estivessem juntos.

No ver√£o dos quinze anos de Cadence, ela sofre um acidente que resulta em sua perda de mem√≥rias e os pr√≥ximos dois anos ela luta com o impedimento de saber o que realmente se passou, ela volta para a ilha ap√≥s esses dois anos, querendo ent√£o descobrir pelo menos alguma coisa, por si s√≥, pois ningu√©m queria contar-lhe. Ent√£o, a hist√≥ria passa a mostrar o presente na vida da personagem e retornar para momentos vividos pela mesma quando mais nova. Cadence exp√Ķe seus pensamentos e como √© tudo extremamente desalinhado, pois nem ela sabe o que √© verdade, torna a leitura intrigante e te deixa aquela pitada de curiosidade e esperan√ßa de saber mais sobre a batalha que ela enfrenta para encontrar-se.

Os Mentirosos? Eles sentem. Eles pensam. Eles vivem. E eles fazem. Sem temer o que os causa medo, eles enfrentam. Sem se calar. Os seus ideais políticos e qual é a vida que querem levar, a escolhas que querem fazer, é totalmente fascinante, a visão de jovens que tudo e nada sabem, o florescer de cada indivíduo, poder ver o encontro dessas personalidades unidas e os diálogos que têm entre si torna a leitura incrível.

Ao finalizar a leitura questionei como eu pude n√£o este lido este livro antes, e ao fechar a √ļltima p√°gina senti que foi completo, respondeu minhas d√ļvidas e envolveu-me na trajet√≥ria dos personagens. Uma das coisas que achei interessante foi a autora ter montado o mapa da ilha e a √°rvore da fam√≠lia Sinclair, tamb√©m a liga√ß√£o dos contos no meio da hist√≥ria que demonstrava muito com a personagem estava se sentindo ou simbolizando a situa√ß√£o que estava vivendo. √Č um tipo de livro que palavras n√£o s√£o necess√°rias para descrev√™-lo e que a experi√™ncia de cada um deve ser √ļnica sem influ√™ncia dos outros.

‚ÄúUm dia arriscou ir √† biblioteca do pal√°cio e ficou satisfeita a descobrir como os livros podem ser boa companhia.‚ÄĚ ‚ÄĒ Mentirosos, E. Lockhart.

escrito por: AMANDA MARIA

Quem tem medo do feminismo negro? por Djamila Ribeiro

Djamila Ribeiro, √© a autora do livro ‚ÄúQuem tem medo do feminismo negro?‚ÄĚ, publicado em 2018, pela Companhia de Letras. Esta √© uma obra de ensaios autobiogr√°ficos, que conta com seus artigos publicados.

Djamila, nasceu em 1980 (Santos), ativista, fil√≥sofa e feminista. Ela √© mestre em filosofia pol√≠tica e¬† uma escritora brasileira que esta sociedade contempor√Ęnea, em minha opini√£o, tem a obriga√ß√£o de conhecer e¬† ler suas obras. J√° trabalhou em √°reas diversas, como: secret√°ria e tamb√©m colunista de alguns jornais, √© escritora e coordena a cole√ß√£o Feminismo Plurais, da editora P√≥len. Ela tem dois livros publicados, ‚ÄúO que √© lugar de fala‚ÄĚ (2017) e ‚ÄúQuem tem medo do feminismo negro‚ÄĚ (2018). Suas obras s√£o essenciais e sobre assuntos que precisam ser discutidos.¬†

O livro √© introduzido com a hist√≥ria da inf√Ęncia da autora, contando sua trajet√≥ria e autoconhecimento. Na inf√Ęncia foi quando obteve contato com a milit√Ęncia, e isso √© retratado no livro, tem como foi o seu crescimento e envolvimento no meio militante e filos√≥fico. Djamila conta como foi ser uma crian√ßa negra em uma sociedade racista, como era lidar com as dificuldades no ambiente em que vivia, e tamb√©m, sobre o crescimento de uma mulher negra e sua autoaceita√ß√£o, e sua rela√ß√£o com a autoestima.¬†

√Č cheio de conhecimento e uma bagagem hist√≥rica enorme, √© sobre muitos que a sociedade tenta apagar. Nesta obra ela d√° a voz para muitos que se viu sendo calados, constantemente, neste pa√≠s racista, voz estas, que devem ser escutadas. Um livro sobre pol√≠tica, de grande aprendizado para quem o ler, n√£o √© uma leitura f√°cil, n√£o pela sua escrita, que por sinal, √© espl√™ndida e para todos, mas sim, por ser contado hist√≥rias que √© dolorosas de serem lidas, por√©m, jamais devem serem esquecidas. √Č uma leitura compreens√≠vel e que deveria ser acess√≠vel para todos, pois √© uma obra com textos que abrange temas indispens√°veis a serem tratados.

Confesso que tive que fazer pausas entre um texto e outro, para refletir sobre o que havia lido; em muitas partes do√≠a a minha alma e dava um n√≥ na garganta, por ser a realidade de muitos, ainda atualmente. H√° anos, que pessoas negras tem que aturar esse racismo constante, sendo censuradas e exclu√≠das por uma sociedade hip√≥crita e euroc√™ntrica, isso tem que parar. √Č uma luta, que √© enfrentada e caminhada a passos pequenos, mas com a cabe√ßa erguida, a vida de pessoas negras importam, e pessoas brancas tem como obriga√ß√£o escut√°-las e n√£o exclu√≠-las do que √© seu por direito, como para todos os seres humanos.

Mulheres fil√≥sofas, com obras magn√≠ficas e necess√°rias, s√£o citadas em ‚ÄúQuem tem medo do feminismo negro‚ÄĚ, muitos discursos hist√≥ricos e marcantes, autoras como Simone de Beauvoir e Judith Butler, s√£o uma grande base neste livro. Djamila cita nomes de grandes pensadoras e fil√≥sofas, que s√£o autoras de obras que devem serem lidas pelo menos uma vez na vida, para expandir conhecimento enciclop√©dico, adquirindo um saber sobre assuntos que muitas vezes fechamos os olhos ou que n√£o temos a oportunidade de estudar sobre.¬†

Tenho comigo, o pensamento de que, muitas vezes não temos força para adentrar em temas que venha a ser complicado e/ou sensível para nós, sei que temos nossas dificuldades e lutas pessoais, que fica até mesmo exaustivo pensar muito sobre um tópico de uma realidade que vai estar, continuamente, acontecendo, independentemente de você prestar atenção ou não, mas isto, não te dá o direito, de fechar os olhos e fingir que não acontece, e não fazer nada sobre, mesmo que seja em pequenas atitudes. Então, por favor, não deixemo-nos que fiquemos em uma bolha de privilégio e não reconhecer que há vozes que precisam ser escutadas, vidas que precisam ser libertas dessa sociedade que as sufocam. Temos que nos sensibilizar e pensar/criar melhorias.

Este livro se tornou muito marcante para mim, e sei que, releituras do mesmo serão feitas. Quando o discurso de Sojourner Truth de 1851 foi citado eu quis fazer com que o mundo a minha volta todo o lesse, acredito muito que, esta é uma obra que precisa, urgentemente, ser lida por todos. Aprendi muito sobre coisas que não sabia e aprofundei o conhecimento em outras que já tinha estudado, terminei a leitura grata por Djamila compartilhar seus textos conosco.

Quando Djamila fala ‚ÄúAs autoras e os autores que eu lia haviam me ajudado a recuperar o orgulho das minhas ra√≠zes.‚ÄĚ ‚ÄĒ Ler isto aquece meu cora√ß√£o de diferentes maneiras, pois livros e minha rela√ß√£o com eles √© o motivo de grande conforto e aprendizado em minha vida, ver a representatividade¬† que muitos precisam ser retratada, √© para mim, uma felicidade enorme, eu como escritora quero poder fazer isso por muitos e por mim, e poder ver outros tendo a sua representatividade em livros, me d√° muito orgulho da literatura, e por favor, que muitas vozes possam ser escutadas e representadas!

Finalizo ent√£o, com duas frases muito importantes do livro:

‚ÄúA constru√ß√£o da mulher negra como inerentemente forte era desumana. Somos fortes porque o Estado √© omisso, porque precisamos enfrentar uma realidade violenta. Internalizar a guerreira, na verdade, pode ser mais uma forma de morrer. Reconhecer fragilidades, dores e saber pedir ajuda s√£o formas de restituir as humanidades negadas. Nem subalternizada nem guerreira natural: humana.‚ÄĚ ‚ÄĒ ¬†Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?

‚ÄúPensar novas epistemologias, discutir lugares sociais e romper com uma vis√£o √ļnica n√£o √© imposi√ß√£o – √© busca por coexist√™ncia.‚ÄĚ ‚ÄĒ ¬†Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?

escrito por: AMANDA MARIA

ECOS, uma hist√≥ria tocante, cheia de m√ļsica e sentimentos.

A honrada escritora Pam mu√Īoz Ryan, teve seu livro ECOS publicado em 2015, com uma bel√≠ssima capa estampando a ilustra√ß√£o feita por Dinara Mirtalipova, que n√£o poderia ter detalhes mais certos do que estes para representar a hist√≥ria desse tocante livro, que te deixa sem palavras em toda a leitura e com seu design expl√™ndido. No Brasil, foi publicado pela editora Darkside.

ECOS, √© uma f√°bula tocante, cheia de m√ļsica e sentimentos transportados para leitor de maneiras t√£o √ļnicas. Tudo √© descrito pelo olhar de crian√ßas, o que torna tudo ainda mais encantador e genu√≠no. Tem uma pitada de obscuridade, cada parte tem seu acontecimento hist√≥rico do momento, que mesmo sendo tudo muito m√°gico, podemos ver a realidade ali estampada. Dramas diversos, hist√≥rias e experi√™ncias vividas por muitos, e claro, o grande amor pela m√ļsica e vida retratado com seu jeitinho especial. √Č um livro que te toca em cada detalhe e avan√ßo que a leitura te proporciona.

Era uma vez uma crian√ßa que se perde em uma floresta enquanto brincava com seus amigos, acaba que acontece um encontro inusitado, entre Otto e as tr√™s irm√£s de um reino muito antigo, expulsas por seu pai desde o nascimento e feitas de prisioneiras de uma bruxa. Otto inicia uma aventura ao encontrar-se com as jovens que, para ajud√°-lo a encontrar seu caminho de volta para casa, pede em troca sua liberdade, que seria Otto levando-as dentro de uma gaita, com seus esp√≠ritos ali vivendo de uma maneira “livre” atrav√©s da m√ļsica que muito vir√° a ser compartilhada.

Anos depois esta mesma gaita √© encontrada por Friedrich, na Alemanha, o personagem √© uma crian√ßa com um amor imenso pela m√ļsica, que se v√™ apaixonado pelo som que a tal gaita faz, nesta primeira parte da f√°bula, conta a hist√≥ria deste menino que vive em um per√≠odo dif√≠cil, sendo controlado por um governo cada vez mais totalitarista e nazista. Conhecemos a hist√≥ria dele, os dramas na fam√≠lia e a dificuldade de viver nesta √©poca. Nos aventuramos em seu amor e n√£o t√£o poss√≠vel¬† futuro com a m√ļsica em meio os problemas. Em poucas p√°ginas voc√™ consegue adquirir um enorme carinho pelo personagem, se aventurando completamente em seu destino, cheio de imprevistos e sonhos que muito pede para se tornarem real.

Na segunda parte, conhecemos Mike e Frankie, s√£o dois irm√£os √≥rf√£os que, ap√≥s a morte de sua av√≥, s√£o enviados para o mesmo orfanato, este sendo escolhido por sua pr√≥pria av√≥, por um motivo especial: era o √ļnico orfanato para garotos com piano, e como esperado, o amor dessas duas crian√ßas pela m√ļsica √© de um tamanho imenso. Cresceram rodeados por ela, e assim, continuam, mesmo ap√≥s n√£o terem mais ningu√©m, al√©m de um ao outro. O amor que eles sentem pela m√ļsica √© encantador mas √© ainda maior quando percebemos o carinho presente na rela√ß√£o dos dois, algo puro, que aquece o cora√ß√£o cada vez que avan√ßamos na leitura, que por sinal, √© fascinante; nos √© contado ent√£o, a hist√≥ria de dois irm√£os cuidando um do outro enquanto correm o risco de serem separados por conta de uma poss√≠vel ado√ß√£o. Segredos e o suspense de o que acontecer√° na cena seguinte te deixa querendo saber mais, se importando cada vez mais com estas duas crian√ßas, moldados pela m√ļsica e o medo de um futuro incerto.

Confesso que vejo-me desolada e com uma dor no coração, querendo ler mais sobre a história de cada parte que era finalizado, a fábula continua e levando muito apenas a imaginação do leitor. A autora escreve seus personagens de uma maneira que faz com que ao ler você sinta um apego muito grande por eles, querendo protegê-los.

Ivy Mariz Lopez, uma crian√ßa cheia de vida e sonhos, ela quer tocar sua gaita, fazer sua m√ļsica e ser reconhecida pelo seu valor. O pa√≠s est√° em guerra, Ivy v√™ seus planos sendo interrompidos por mudan√ßas repentinas, um irm√£o no ex√©rcito, os pais agora cuidando de uma fazenda que muito pode ajud√°-los a crescer, ela consegue agora ver uma possibilidade de um futuro mais aberto para ela. √Č retratado, uma luta por seus direitos, a for√ßa que a m√ļsica lhe d√° e poss√≠veis sonhos se tornando reais, ela √© uma menina encantadora, que muito se importa com sua fam√≠lia, o amor e uni√£o tocando-nos inteiramente a cada sequ√™ncia de palavra.

Ligados pela m√ļsica, linhas do destino se intercalando e sentimentos compartilhados de uma maneira √ļnica e reconfortante. √Č uma hist√≥ria muito real e ao mesmo tempo cheia de magia, e quando n√£o precisamos de um pouco de magia? M√ļsica √© sempre necess√°ria, especialmente em momentos t√£o dif√≠ceis, nos dando for√ßa, como √© mostrado em cada parte e hist√≥rias dos personagens.

Quando eu li a frase dita por um dos personagens, me tocou de um jeito t√£o real, pois √© uma das mais puras verdade ‚ÄúOs cora√ß√Ķes est√£o feridos. Indiv√≠duos que costumavam ser amigos n√£o s√£o mais. Vizinhos n√£o s√£o vizinhos. Durante uma guerra, as pessoas acham que precisam escolher um lado e jogar culpa no outro. Os cora√ß√Ķes ficam menores.‚ÄĚ, isso me deixou sem palavras, mas a seguir veio o sinal de esperan√ßa que sempre precisamos e n√£o podemos abandonar ‚ÄúOs cora√ß√Ķes s√£o maiores do que pensamos‚ÄĚ. E outra coisa tamb√©m dito por um dos personagens: n√£o importa quantas tristezas haja na vida, h√° quantidades iguais de ‚Äútalvez as coisas melhorem em breve‚ÄĚ.¬†

Destinos e caminhos cheios de possibilidades estar√° nos aguardando para serem experienciados de suas maneiras √ļnicas, assim como a leitura deste maravilhoso livro, que me deixou tocada por magn√≠ficas hist√≥rias e personagens com suas personalidades encantadoras, √© tudo muito envolvente! Aprendi sobre n√£o desistir e acreditarmos no nosso potencial, por mais dif√≠cil que seja.

escrito por: AMANDA MARIA

JANE EYRE por Charlotte Bront√ę

O romance Jane Eyre escrito por Charlotte Bront√ę publicado em 1847, √© uma bela obra da literatura, que se passa na Inglaterra na Era Vitoriana, √© um romance em forma√ß√£o, tendo a personagem Jane Eyre como foco, √© retratado o seu constante crescimento e desafios em fases diferentes de sua vida, vemos o crescimento e amadurecimento da personagem, em cada p√°gina do livro.

Um romance que voc√™ se envolve completamente na hist√≥ria da personagem, voc√™ se v√™ cada vez querendo saber mais sobre os dramas e segredos que √© mostrado, nos deixando empolgados e curiosos pela revela√ß√£o seguinte. √Č misterioso, tem seu senso de humor √ļnico, com muitos altos e baixos, emo√ß√Ķes sentidas e acontecimentos a todo momento deixando o leitor inspirado a continuar a leitura.

√Č uma leitura cheia de quest√Ķes morais e √©ticas sendo retratadas, n√£o √© um romance simples, quest√Ķes profundas e aprendizados dos mais diferentes e verdadeiros vividos pela personagem √© presente na hist√≥ria.

Jane Eyre √© uma personagem intensa, real, um crescimento constante de um ser √ļnico. Desde crian√ßa, como contado na hist√≥ria, ela sempre sozinha, aprendeu a lidar com seus dilemas e emo√ß√Ķes muito bem, aprendeu sobre seus pontos fortes e prioridade, lidando com muitas de suas dificuldades; √© uma personagem com personalidade not√°vel, ela √© forte, competente e livre. Valorizando a pr√≥pria opini√£o, seus ideais e a tranquilidade que t√™m consigo mesma. √Č de extrema intelig√™ncia e beleza simples, a personagem √© dedicada a si e ao aprender, Jane sente, sente muito mesmo, mas ela aprende a se controlar, tendo consigo que, ser controlada por algu√©m jamais ser√° uma op√ß√£o aceita por ela. Por mais tranquila consigo que ela seja, tem seus muitos lados, como todo ser humano, e isto, √© retratado de uma maneira √ļnica e t√£o Jane Eyre poss√≠vel, a personagem d√° a leitura um extremo prazer por cada p√°gina e palavras ali escrita.

O crescimento de uma personagem, desde muito nova retratado, que foi abandonada por uma família que não a valorizava, Jane cresce em um colégio/orfanato que tem uma rigidez extrema com as crianças que ali vivem, com isso, a personagem passa a valorizar a si, evoluindo e indo em busca de sustentar a si com seu conhecimento, se torna uma educadora, que após fazer dezoito anos passa a trabalhar em uma mansão que poucos ali viviam. Sabendo como viver por si e aprendendo com a vida, Jane Eyre é uma leitura muito prazerosa e encantadora, com seus mistérios e dilemas, muitas de suas reviravoltas, é um livro extremamente envolvente e carregado por uma personagem notável.

Como a própria Jane diz:

‚ÄúEu n√£o sou um p√°ssaro e nenhuma rede me enla√ßa. Eu sou um ser humano livre com vontade independente‚ÄĚ, Charlotte Bront√ę.

‚ÄúMas eu continuava viva, e a vida, com suas necessidade e dores e responsabilidades me chamavam‚ÄĚ Charlotte Bront√ę.

Clássicos da literatura escritos por mulheres têm de fato me conquistado cada vez mais! Espero que você se dê uma chance de ter a experiência de ler Jane Eyre, e caso já tenha lido, quem sabe você se dê a chance de reler? 

escrito por: AMANDA MARIA