filha da lua leu — fevereiro

Os sete maridos de Evelyn Hugo por Taylor Jenkins Reid

É exatamente aquele tipo de livro que os comentários dos leitores são bons e sempre tem alguém recomendando-o, normalmente, tenho receio de livros assim pois, às vezes, me decepciono, o que claramente, não ocorreu com Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, e tenho a absoluta certeza que, foi uma das minhas leituras mais fáceis, cativantes e surpreendente deste ano, e estamos apenas no início dele.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, escrito por Taylor Jenkins Reid, foi publicado pela primeira vez em 2017. Trata-se de um romance, a estrela de Hollywood Evelyn Hugo já aos oitenta anos decide, finalmente, falar sobre sua vida e segredos, encerrando com as especulações que girou em torno de toda a vida dela. 

A história inicia-se com matérias sobre a personagem, que neste livro é uma grande, renomada e marcante atriz. Evelyn Hugo está decidida a falar apenas com a jornalista Monique Grant — em algumas partes o ponto de vista varia, mostrando a jornalista e como a partir do momento que se envolve com a atriz sua vida é afetada —  é interessante observarmos a evolução entre ambas personagens e o individual delas, pois ali mostra uma mulher que sempre teve a visão de suas atitudes distorcida pela sociedade e outra mulher lidando com os problemas pessoais e profissionais da vida contemporânea que vive. Atualmente, sozinha e após sete maridos Evelyn anuncia que terá sua vida publicada em um livro, escrito por Monique, e é exatamente quando tudo torna-se surpreendentemente arrebatador, cada página que eu lia queria saber mais e mais. Evelyn Hugo é marcante por si só, e ver a narrativa da personagem no desenrolar da história era envolvente.

Evelyn Hugo é uma mulher que após muitas dificuldades na vida pessoal e da vivência no mundo artístico aprendeu a lidar com tudo em seu mecanismo de defesa, tornando-se uma pessoa que coloca-se em primeiro lugar e não sente vergonha por conta disso, faz o que é necessário para conseguir o que quer. A personalidade da personagem é o que torna tudo ainda mais fascinante. Evelyn expõe-se detalhadamente, ninguém mais falará por ela, e desde o início deixa claro que não tem a mínima obrigação de fazer sentido para Monique ou qualquer outra pessoa, para jamais colocá-la em um caixa com o motivo de seguir padrões que não é de sua natureza. Evelyn é inspiradora, com toda sua autenticidade, vê-la narrando a amarguras, prazeres e desprazeres, aumenta a vontade do leitor de compreendê-la, torna-se busca pela realidade da personagem e suas razões.

Enquanto Evelyn narra sua história, monique escreve e é uma mistura de visões e nuances conforme o livro se desenrola. A personagem teve sim sete maridos, mas nenhum deles chegou a ser o mais importante. Quando Monique pergunta para Evelyn quem foi o grande amor da vida dela, pensei, o segredo está aí, exatamente, nessa parte não contatada para ninguém; o questionamento que todos fizeram no decorrer da vida da personagem, pois suposições era o que mais cercava quando era relacionada a Evelyn hugo.

Amei cada momento entre Evelyn e um de seus maridos, o seu amigo mais íntimo  confiável, o pai de sua filha e aquele que tanto apoiou ela. Deixou meu coração aquecido ao ver a amizade verdadeira, os dilemas da vida de cada um e a forma que se ajudaram em toda a vida.

São poucas palavras para descrever o amor da vida de Evelyn Hugo, sem entrar a fundo no assunto e falar mais do que deveria, pois quero deixar a experiência única de cada um de vocês, ser apenas sua. Posso dizer apenas sobre a maneira como ela e sua esposa viveram cada momento de suas vidas juntas, o amor, a confiança, o sentimento. Era uma variação de afeição, carinho e nervoso quando se tratava das duas. Duas mulheres que a linha da vida uniu e poder ler sobre o desenvolvimento do relacionamento delas, do crescimento pessoal, sobre escolhas que fizeram e o resultado delas, era magnetizante. Quando tratava-se delas era possível ver que não estavam prontas a ter um comprometimento, pelo menos não na fase inicial, e tive imenso deleite ao ver quão real o amor entre as duas foi, através da leitura, você de fato consegue compreender os personagens e suas variantes, e como precisamos entender a nós mesmos para então entender o próximo.

O que mais me agrada nesse livro é a personagem em si, a personalidade marcante, inspiradora e singular. Evelyn Hugo nos ensina sobre não deixar nossas vozes serem caladas e como somos nós quem deve narrar nossas história, sem se importar com a visão que os outros terão sobre e sim como você quer ser. 

Como a própria Evelyn diz: “Ninguém merece coisa nenhuma. A grande questão é quem tem disposição para ir atrás do que quer (…)”. E é justamente dessa forma que sinto-me após esse livro, a disposição de ir atrás do que almejo e sonho, pois apenas eu tenho a capacidade de fazer isso por mim.

A todos que leram até aqui, digo: leiam Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, busquem por suas vozes serem escutadas e suas histórias serem narradas por ninguém menos do que a si mesmo.

Chronos por Rysa Walker

Chronos: viajantes do tempo, escrito por Rysa Walker, se trata de um universo em que é possível a viagem no tempo, Kate Pierce é uma das poucas que tem a capacidade para tal coisa, o genes de historiadores foi passado entre família, Kate o herdou de sua avó Katherine.

A linha do tempo está completamente bagunçada, sendo alterada gerando consequências, um poder superior tentando controlar tudo e a todos. Kate se encontra no meio de algo que jamais considerou existir além dos livros que lia. Katherine conta para a neta a realidade anônima até então e os segredos que escondeu por segurança. De início a personagem descobre o motivo da atual confusão que lhe cerca e qual é seu papel naquele meio.

Esse mundo relatado no livro é desconhecido não apenas para o leitor e sim para a própria personagem, então de primeiro temos toda uma explicação sobre esse universo, suas leis e regras. Kate deverá voltar no tempo em um período que sequer existia, e antes disso acontecer ela precisa aprender como.

Em teoria, achei interessante a viagem no tempo, os obstáculos e efeitos que é relacionado ao mundo criado pela autora, o que me entristeceu foi o fato da Kate não agregar a história, toda a narração era mais empolgante quando a avó dela estava envolvida, até mesmos os fragmentos que teve dos diários da Katherine era mais relevante e atraente no livro; tornou-se cansativo ter que aturar uma personagem que não se fez notável, até mesmo o triângulo amoroso que surgiu era inútil e não importava, Kate poderia ter sido melhor desenvolvida; a realidade bateu quando percebi que continuaria a narrativa forçada e sem graça dela. 

Confesso que quem fez eu prosseguir a leitura foi a avó da personagem e toda a vida e segredos que tinha, independentemente de qual época, ela era profundamente mais intrigante e significativa para o livro.

Sinceramente, escrever algo relacionado a este livro sem soar negativa se torna difícil pois a minha leitura não foi agradável, o que é decepcionante, era um livro que tive grandes expectativas.

Medo Imortal

Medo Imortal é uma antologia feita pela Darkside dos escritores da literatura brasileira, é composto por membros da Academia Brasileira de Letras (ABL). Logo de início é introduzido o contexto em que esses autores viveram e o momento do mundo literário. A história e conceitos atrelados a fundação da ABL, dando ao leitor o entendimento para seguir a leitura. 

Fazendo uma breve contextualização, a ABL inspirou-se na academia de letras já existente na França, até mesmo em alguns preceitos interligados a eles. Os membros da Academia Brasileira de Letras buscavam pela elevação da literatura brasileira apesar de suas inspirações virem de outros países queriam a literatura daqui sem a influência eurocêntrica presente na época. Infelizmente, as mulheres puderam fazer parte da ABL apenas oitenta anos após fundada, o que claramente, mostra a falha entre pessoas que pregavam a elevação cultural brasileira, mas deixou-se cegar pelo conceitos presentes na academia da europa.

A falha de algo tão simples, a falta de inclusão, abolia a hegemonia masculina quando a Rachel de Queiroz foi eleita como uma dos membros, após 1976, visto que ABL foi criada em 1897. Os Imortais é uma homenagem aos quarentas fundadores da ABL, quarenta e um incluindo uma cadeira, a de Julia Lopes de Almeida, que no período era deixada de lado mas não inexistente na importância da ABL. Neste livro está incluso treze autores relacionados a ABL, constando seus textos, contos de literatura gótica que se fez presente na época.

Por ser um livro repleto de contos importantes e únicos, de características variadas em cada autor colocado, falarei aos poucos dele, concluindo, não será um livro finalizado de uma vez só.

O autor de abertura não poderia ser ninguém menos do que Machado de Assis (1839-1908), o ilustre e respeitável escritor, ele é um dos grandes marcos da literatura brasileira, mesmo após tantos anos sua histórias, sua escrita se mantém em destaque, Machado foi essencial para o mundo literário e continua sendo, a desenvoltura dele como escrito é memorável e podemos aprender, cada vez que se lê algo dele deixa o gostinho de querer mais, pois sua maneira única de escrita foi a frente de seu tempo.

São as seguintes obras incluídas neste livro: A Igreja do Diabo, A Vida Eterna, Um esqueleto, Sem Olhos, A Causa Secreta e Pai Contra Mãe. Estas obras foram publicadas em sua maioria em jornais da época.

Nestas obras Machado criou histórias e personagens complexos e atitudes que muitas vezes podem causar horror ou até mesmo repugnância. Não é simples a maneira que ele desenvolve seus enredos.  

Há uma parte na introdução anterior as histórias dele que questiona o porquê de sermos seduzidos pelos atos monstruosos e continuarmos com a leitura, e é exatamente assim com Machado de Assis, ele tem a eficácia de criar obra desse patamar, de mesmo tendo personagens que nos faz querer entrar nos livros e dizer poucas e boas, jamais cogitamos largar o livro sem saber a finalidade, como se fosse um pecado tal coisa. Machado causa ao leitor a aspiração de saber o que acontecerá na próxima página. Talvez ele tivesse o conhecimento dessa competência, talvez não, mas ele utilizou-a esplendidamente. 

O autor tem sua obscuridade incomparável com a pitada de realidade, soube relatar vidas através de críticas muito bem construídas no humor que dificilmente se encontra em outros autores. Mesmo já tendo lido outros livros dele passei a notar o padrão que se segue na escrita dele, os caminhos que ele segue, deixando sua marca, e é curioso como após leituras de suas obras consigo identificá-lo, nunca fui de reconhecer as características de escritores tão rápido como tem sido com Machado, e isso se faz devido a particularidade dele, e isso é o que torna alguns livros mais especiais para mim do que outros, a individualidade de cada autor com suas obras e maneiras de seguir com a escrita.

São contos cruéis mas podemos perceber traços existentes na sociedade da época e de traços que se assemelham aos dias atuais. É finalizado a introdução de Machado com a seguinte frase, que eu não poderia achar um jeito melhor de referir a ele e as obras que compõem Medo Imortal, segue:

“Trata-se de um dos retratos mais pungentes e dramáticos do tema, que é capaz de evocar o mais puro horror sem a necessidade de apelar ao sobrenatural. Bastou a Machado de Assis apenas falar da realidade.”

A frase é referida a um dos contos presentes, que é sobre a escravidão que nosso país vivenciou e que feriu a tantos de modos que sequer consigo encontrar palavras para comentar, é doloroso mas tão realista que ao ler é necessário um momento para processar tudo.

Machado de Assis soube como deixar seu marco na literatura, e cada vez mais penso que continuaremos a apreciar suas obras e desejo apenas que valorizemos suas criações. 

Voltarei a comentar sobre os demais autores compilados neste livro, esta é uma composição repleta de conhecimento literário e obras que agregam a cada leitura feita, levarei o tempo que precisar e achar necessário para aproveitar devidamente cada uma dessas histórias.

É gratificante poder consumir tais conteúdos. 

A Melodia Feroz por Victoria Schwab

Aqui estou lendo outro livro da Victoria Schwab, não há como negar, realmente encontrei grande deleite em cada universo criado por ela, e o deste mês foi A Melodia Feroz.

A resistência de um lado e a outra em que monstros estão no controle, o maior deles sendo um humano e pai de um dos protagonistas. Kate Harker que sempre teve em mente o pai como modelo, buscando pela aprovação e por ser tão cruel quanto ele. E do outro lado da cidade existe August Flynn filho do líder completamente oposto do pai de Kate. 

Temos uma cidade dividida ao meio, entre norte e sul. A violência neste mundo gera consequências, sendo elas os monstros. Há três tipos de monstros: corsais, malchais e sunais. Pode-se dizer que há quatro tipos, o últimos deles sendo os humanos que em sua maneiras causaram a destruição entre si.

August se vê tendo a missão de ficar de olho em Kate, pois se uma possível guerra entre norte e sul se tornar real, seria útil tê-la de alguma forma. O problema inicial em questão é, August é um sunai, aqueles que através da música a alma de pecadores sugam, e Kate pode não ser uma pecadora mas é uma filha de quem controla os monstros, o confronto entre duas realidades dá aquele friozinho na barriga em cada interação entre os personagens.

A Victoria trouxe neste livro personagens com dilemas que se resumem a enfrentar o monstro que temos dentro de nós ou que nos cercam, e como sempre, a autora soube trabalhar a violência e monstruosidade de um modo belo e arrebatador, seduzindo o leitor na narrativa que ela cria.

Quando o baque da realidade entre os dois personagens acontecem e eles se veem tendo que confiar um no outro, a história se desenrola na aventura e busca por sobrevivência, a amizade e desenvolvimento das personagens, o ponto de vista e criação deles, a maneira que pensam e se sente, não fica cansativo ver o questionamentos que surgem na mente de ambos e a forma que lidam com isso. Causa ao leitor desejo de acompanhar o desenvolvimento deles.

O que conquistou minha atenção foi os monstros criado pela Victoria, os sunais simplesmente me deixaram sem fôlego, foi brilhante e ver a particularidade de cada um fascinou-me. Todo momento que August se alimentava da alma de um pecador (assassinos neste caso), eu não conseguia pensar em nada além daquela cena, ler detalhadamente o ato, um personagem distinto, o desenrolar dele foi satisfatório de presenciar. Ele toca o violino e as almas brilham em confissão de seus pecados, alimentando-o e mesmo que ele tenha aversão a isso faz parte de sua natureza, eu venero a forma que a Victoria cria personagens tão únicos e faz a história girar em torno deles tão naturalmente.

Mesmo sendo o ponto de vista de dois personagens os outros que os cercam agregam tanto para o enredo e proporciona ao leitor o entusiasmo de seguir com a leitura em cada página.

Victoria agradeço por sua habilidade em entregar obras e universos tão extraordinários.

 

Sei que demorei a publicar sobre os lidos de feveiro mas todos temos os nossos altos e baixos, às vezes, nada do que escrevemos parece estar bom mas o importante é não desistir, então venho aqui honrar o comprometimento que fiz comigo e a qualquer um que se disponha a ler o que publico.

Desejo a todos que encontrem algum conforto nos livros!

escrito por: AMANDA MARIA

Autor: coresfilhadalua

escritora. encanto-me pelas palavras e pela magia dentro dos livros.

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