filha da lua leu — janeiro

Este será um quadro que escreverei sobre livros que li no mês e tudo o que me fizeram sentir e pensar. Espero que seja interessante para vocês contribuindo de certa forma assim como foi para mim. Minhas leituras não se prendem a apenas um gênero literário, então, acredito que possam encontrar inspirações para algum livro que agrade as preferências de vocês.

O vilão por Victoria E. Schwab

A escrita da Victoria E. Schwab é recente para mim mas já tornou-se uma das autoras que mais tenho o prazer de ler e aprender. Ela é inspiradora, a escrita sincera e leve. Tratando de tópicos que atraem o leitor, de uma maneira tão interessante, com personagens bem construídos. Diálogos que estimulam a leitura a ser mais agradável e uma história contínua. cheia de altos e baixos, tramas e traumas, complexidades e questionamentos provocados pela própria autora.

O que é bom ou mau, realmente existe apenas um lado? ou será que todos temos tendência para ambos os lados e vivemos em meio termo, nenhum dos dois, apenas somos e dependendo da circunstância nossas atitudes e escolhas ultrapassam o que é esperado como bom. 

Livro que te faz pensar e duvidar sobre suas atitudes. Um ponto de vista, um propósito, uma vida e suas escolhas com a variação na linha do tempo tornando tudo ainda mais interessante e deixa uma pitada de curiosidade genuína! Quem é o vilão? Não somos todos o vilão da vida de alguém?

Entre as intrigas, destinos e vidas que cruzaram o caminho uma da outra, ao ler conhecemos personagens complexos e suas razões pessoais para cada ato mesmo os mais inconscientes e como pode afetar o outro. O ódio dos personagens entre si, muito bem retratado, e a exploração com outras personagens que agregaram para a história uma característica única e importante. Cada um tem a visão de algo e isso intervém  no comportamento em relação a tal contexto. Retrata tópicos muito bem aprofundados, cenas pesadas que podem deixar o leitor desconfortável por seu detalhamento mas é a verdade nua e crua de pontos em que o ser humano pode atingir. O que o poder de qualquer tipo pode fazer com uma pessoa, como será usado, como se manifesta.

We Are Okay por Nina Lacour

Estamos bem “We are okay” em inglês, foi escrito por Nina Lacour,  publicado em 2017. 

Um livro com poucas páginas mas com tanto a dizer. Com tanto a sentir. Sobre o luto e a maneira pessoal que a personagem lida com isso. Sobre uma personagem que pouco sabia da vida e que tanto já havia perdido. Sobre perdas, sobre solidão, sobre o amor em diferentes formas. E sobre não estar sozinho.

Sobre auto-conhecimento, e como fingimos até não aguentar mais a ficção criada para escapar daquilo que nos fere.

É um lindo livro, a personagem que muitos podem encontrar semelhança e conforto em como encara a vida. É real, sincero, tocante de um jeito único, íntimo. Mostra a jornada de uma adolescente criada pelo avô segredos e coisas não ditas mas sentidas, os mais profundos dos pensamentos. A dor, o amor, e toda a linha cruzada nesse maremoto de surpresas que a vida pode prover.

Não é acredito que seja um romance mas existe um casal com a proporção necessária na história, não ficou forçado e achei formidável o modo que foi escrito fascinante e extraordinário assim como tudo na visão de uma vida imprevisível e cheia de entusiasmo.

É retratado como desabafo do crescimento precoce e doloroso mas verdadeiro.

Pétala por Olívia Pilar

O conto escrito por Olívia Pilar, a autora é brasileira e tem outros contos publicados que recomendo darem a chance de uma leitura. O conto foi publicado em 2018 e tem a versão ebook na amazon.

A história gira em torno de um encontro entre as duas personagens (Bruna e Pétala) que tem tanto a dizer uma a outra, decisões a serem tomadas e o medo do resultado que seus desejos pessoais podem causar ao serem dito. É belo e simples, duas mulheres que não são namoradas mas que também não são apenas amigas. E que querem mais. O pequeno conto mostra as duas tomando um café e relembrando momentos que viveram juntas, um momento importante para as duas e escrito com tanto carinho (pelo menos foi dessa forma que senti). Uma leitura curta mas cheia de carisma.

Just Juliet por Charlotte Reagan

Pelo menos uma vez no mês preciso da minha dose de romance clichê na veia, sou apenas uma leitora que vê um clichê e quer ler, principalmente um romance gay. É a fórmula perfeita, sinceramente.

Foi minha primeira leitura da autora apesar de gostar algumas parte me causou incômodo, busquei por uma representatividade mais ampla e não encontrei, o modo que levou determinadas partes não foi surpreendente e apesar de ter uma escrita agradável tornou-se repetitivo. 

Em Just Juliet, Charlotte Reagan, mostrou realisticamente a vida adolescente. Os personagens secundários e principais têm as próprias história e é bem colocado apesar de pouco adentrar nos temas expostos são interessantes e agregaram entusiasmo a leitura. Pude sentir afeição na relação construída entre eles e por cada particularidade em suas características.

O labirinto do Fauno por Cornelia Funke e Guillermo del Toro

Escrito por Cornelia Funke em uma versão fascinante e memorável do filme de Guillermo del Toro. O livro é ilustrado e repleto de fantasia, o que torna tudo muito prazeroso em cada página lida.

Acredito que essa leitura foi uma surpresa para mim nunca havia lido um livro que veio de um filme apenas o contrário, não tive contato com o filme antes da minha leitura mas ao olhar a capa e ver um pouco sobre o que se tratava já instigou a minha curiosidade, alguns dias depois já me vi comprando-o e nesse mês me aventurei nele.

Uma menina que encontra nos livros o conforto que busca em um mundo em guerra e cheio de dores. Seu pai morre e a sua mãe se vê obrigada a casar em um tempo que sua voz jamais seria escutada e tendo apenas um papel a ser interpretado. Elas se mudam para uma casa na floresta junto com um capitão do exército da Espanha e ali a pequena Ofélia vê sua vida virando de cabeça para baixo. 

A personagem adentra em um mundo mágico e que muito ela encontrou apenas nos livros que carregava a todo lugar. É cativante e ativa a imaginação do leitor. Encantadoramente escrito e tão bem descrito o modo em que o universo mágico e o real aquele preso em guerra, sangue, sombrio se intercalam, a semelhança que fingimos não existir mas que está explícita em cada ato.

A leitura não é leve apesar de parecer apenas a visão de uma criança a fantasia tem o tom obscuro e personagens peculiares de atitudes duvidosas. Apreciei o modo que cada um acredita estar fazendo o certo e como podemos ver isso quando o ponto de vista do personagem é narrado.

Um dos trechos que mais marcou a minha leitura foi bem no começo, por volta da página 20, a seguinte frase: “Ofélia assistiu a tudo isso do banco de trás do carro, desprezando a possibilidade de estender a mão ao Lobo, como a mãe lhe pedira para fazer. Então finalmente saiu do carro para não deixar a mãe sozinha com ele, apertando os livros junto ao peito feito um escudo de papel e palavras.” simplesmente não posso ver a confiança de uma personagem ser depositada em livros e o amor pela leitura ser retratado que fico sentimental, o trecho de fato marcou toda a minha leitura, a maneira que  em toda minha vida encontro o conforto nas palavras e busco por segredos que um livro pode revelar, me leva a ser cativada por trechos como esse.

Six of Crows e Croocked Kingdom por Leigh Bardugo

Duologia escrita por Leigh Bardugo, o primeiro livro foi publicado em 2015 e realizei a leitura apenas agora  como um pouco sempre atrasada  para mim não poderia ter sido uma leitura mais envolvente do que essa. 

Ultimamente, tenho focado na busca por autoras de fantasias que podem me ensinar algo (penso que livros sempre podem agregar conhecimento de certa forma) mas com isso em mente, eu buscava por aprendizado  como uma escritora que tem lutado para criar o seu universo pessoal  e ver outras autoras e suas obras me dá inspiração na escrita e na vida. E a Leigh Bardugo entregou isso lindamente em cada palavra.

Six of Crows se passa em um universo já escrito por Bardugo, que primeiro foi visto na Trilogia Grisha, nunca cheguei a ler os mesmos e fiquei com medo de gerar confusão quando lesse a duologia mas pelo contrário, fluiu tudo muito bem e entendi de maneira precisa, Leigh Bardugo soube bem como fazer isso. 

Logo no início ela introduz o universo Grisha. Essa história gira em torno de seis personagens peculiares que vivem em Ketterdam, capital de Kecth. Ladrão. Sangradora. Espiã. Atirador. Fugitivo. Prisioneiro. Essas são as descrições iniciais sobre os personagens. Kaz. Nina. Inej. Jesper. Wylan. Matthias. Uma palavra que poderia resumir bem mas acaba sequer sendo a superfície desses seis.

Jovens que foram corrompidos por uma sociedade corrupta. Traumatizados pela vida pegaram suas cicatrizes de deram os pontos eles mesmos e cada um, de maneira única, escolheram qual seria a defesa que seria criada e levantada contra todos, pois, deveriam estar preparados para jogar como os outros, saber cada regra e se necessária criar suas próprias e fazer com que os sigam.

Kaz Brekker, o trapaceiro Mãos Sujas e dono do Clube do Corvo, lidera uma das gangues mais conhecidas de Ketterdam e é contratado para realizar um roubo extremamente perigoso que poderia resultar com sua cabeça decapitada ou qualquer outra morte horrível. Ele precisaria de uma equipe em que confiasse e ao nível requerido.

Seis personagens, seis pontos de vistas, seis vidas completamentes farta de segredos e coisas não ditas. Eles não poderiam ser tão diferentes um do outro e terem uma química tão boa como personagens  mas acontece e isso é incrível  e é óbvio que a junção de personalidades tão diversificadas geraria acontecimentos únicos para a história.

O primeiro livro tem uma parte inicial como introdução para esse universo e depois páginas consecutivas da história pessoal de cada um deles sendo reveladas e dando ao leitor em cada palavra a empatia e apego por todos, o que é intrigante, mesmo que algum dos seis fizesse algo horrível ou que causasse algum tipo de repulsa e raiva, você ainda consegue se importar plenamente com eles. Os detalhes de suas vidas antes e como chegaram suas realidades atuais cativa o leitor e gera curiosidade. Neste livro mostra a jornada deles realizando essa aventura repleta de perigo e insegurança mas é mágico ver a mente genial deles trabalhando para a excelência e dinheiro afinal, é o que importa aqui, pelo menos eles acham que seja isso.

Já no segundo livro a autora trouxe o pós roubo e sobre isso não falarei muito pois esse post é Spoiler Free. É esplêndido o quanto Bardugo conseguiu evoluir sua escrita e os personagens, no primeiro já achei tudo na medida certa apesar de querer mais, e em Croocked Kingdom ela faz isso magisticamente. 

A duologia gira em torno dos personagens, tem tudo acontecendo nesse universo mas o que realmente importa são os personagens, e o modo que isso é construído me agradou muito. No segundo livro, Leigh Bardugo conta e revela para os leitores mais dos segredos dessa equipe diversificada. Eu poderia passar horas falando sobre cada um deles e suas características, histórias e escolhas mas esse não será o momento. 

É belo como a autora deu a singularidade de cada um deles a atenção e desenvolvimento devido. Personagens femininas belamente construídas e representadas. Romances realistas e encantadoramente escrito. Cada história, cada palavra, devorei com o maior contentamento. Após finalizar ambos precisei de um momento para me recuperar, chorei como nunca havia chorado por um livro, e lhes digo que, não foi apenas por tristeza e sim por ter sido tão bem escrito que Bardugo deu um fim que eu poderia ter visto realmente acontecendo com cada um deles, algo respeitoso. Acredito que é respeito o que a autora tem por seus personagens perfeitamente inspirador.

Tive o imenso prazer de conhecer a voz  e história de cada um dos seis personagens e espero que vocês também!

 

Dedico esta publicação para Victoria Schwab e Leigh Bardugo, que nos últimos meses me ensinaram e inspiraram de maneiras diferentes. Continuarei na busca por mais conhecimento e livros!

escrito por: AMANDA MARIA 

Autor: coresfilhadalua

escritora. encanto-me pelas palavras e pela magia dentro dos livros.

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