Filha da lua leu — fevereiro

Os sete maridos de Evelyn Hugo por Taylor Jenkins Reid

É exatamente aquele tipo de livro que os comentários dos leitores são bons e sempre tem alguém recomendando-o, normalmente, tenho receio de livros assim pois, às vezes, me decepciono, o que claramente, não ocorreu com Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, e tenho a absoluta certeza que, foi uma das minhas leituras mais fáceis, cativantes e surpreendente deste ano, e estamos apenas no início dele.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, escrito por Taylor Jenkins Reid, foi publicado pela primeira vez em 2017. Trata-se de um romance, a estrela de Hollywood Evelyn Hugo já aos oitenta anos decide, finalmente, falar sobre sua vida e segredos, encerrando com as especulações que girou em torno de toda a vida dela. 

A história inicia-se com matérias sobre a personagem, que neste livro é uma grande, renomada e marcante atriz. Evelyn Hugo está decidida a falar apenas com a jornalista Monique Grant — em algumas partes o ponto de vista varia, mostrando a jornalista e como a partir do momento que se envolve com a atriz sua vida é afetada —  é interessante observarmos a evolução entre ambas personagens e o individual delas, pois ali mostra uma mulher que sempre teve a visão de suas atitudes distorcida pela sociedade e outra mulher lidando com os problemas pessoais e profissionais da vida contemporânea que vive. Atualmente, sozinha e após sete maridos Evelyn anuncia que terá sua vida publicada em um livro, escrito por Monique, e é exatamente quando tudo torna-se surpreendentemente arrebatador, cada página que eu lia queria saber mais e mais. Evelyn Hugo é marcante por si só, e ver a narrativa da personagem no desenrolar da história era envolvente.

Evelyn Hugo é uma mulher que após muitas dificuldades na vida pessoal e da vivência no mundo artístico aprendeu a lidar com tudo em seu mecanismo de defesa, tornando-se uma pessoa que coloca-se em primeiro lugar e não sente vergonha por conta disso, faz o que é necessário para conseguir o que quer. A personalidade da personagem é o que torna tudo ainda mais fascinante. Evelyn expõe-se detalhadamente, ninguém mais falará por ela, e desde o início deixa claro que não tem a mínima obrigação de fazer sentido para Monique ou qualquer outra pessoa, para jamais colocá-la em um caixa com o motivo de seguir padrões que não é de sua natureza. Evelyn é inspiradora, com toda sua autenticidade, vê-la narrando a amarguras, prazeres e desprazeres, aumenta a vontade do leitor de compreendê-la, torna-se busca pela realidade da personagem e suas razões.

Enquanto Evelyn narra sua história, monique escreve e é uma mistura de visões e nuances conforme o livro se desenrola. A personagem teve sim sete maridos, mas nenhum deles chegou a ser o mais importante. Quando Monique pergunta para Evelyn quem foi o grande amor da vida dela, pensei, o segredo está aí, exatamente, nessa parte não contatada para ninguém; o questionamento que todos fizeram no decorrer da vida da personagem, pois suposições era o que mais cercava quando era relacionada a Evelyn hugo.

Amei cada momento entre Evelyn e um de seus maridos, o seu amigo mais íntimo  confiável, o pai de sua filha e aquele que tanto apoiou ela. Deixou meu coração aquecido ao ver a amizade verdadeira, os dilemas da vida de cada um e a forma que se ajudaram em toda a vida.

São poucas palavras para descrever o amor da vida de Evelyn Hugo, sem entrar a fundo no assunto e falar mais do que deveria, pois quero deixar a experiência única de cada um de vocês, ser apenas sua. Posso dizer apenas sobre a maneira como ela e sua esposa viveram cada momento de suas vidas juntas, o amor, a confiança, o sentimento. Era uma variação de afeição, carinho e nervoso quando se tratava das duas. Duas mulheres que a linha da vida uniu e poder ler sobre o desenvolvimento do relacionamento delas, do crescimento pessoal, sobre escolhas que fizeram e o resultado delas, era magnetizante. Quando tratava-se delas era possível ver que não estavam prontas a ter um comprometimento, pelo menos não na fase inicial, e tive imenso deleite ao ver quão real o amor entre as duas foi, através da leitura, você de fato consegue compreender os personagens e suas variantes, e como precisamos entender a nós mesmos para então entender o próximo.

O que mais me agrada nesse livro é a personagem em si, a personalidade marcante, inspiradora e singular. Evelyn Hugo nos ensina sobre não deixar nossas vozes serem caladas e como somos nós quem deve narrar nossas história, sem se importar com a visão que os outros terão sobre e sim como você quer ser. 

Como a própria Evelyn diz: “Ninguém merece coisa nenhuma. A grande questão é quem tem disposição para ir atrás do que quer (…)”. E é justamente dessa forma que sinto-me após esse livro, a disposição de ir atrás do que almejo e sonho, pois apenas eu tenho a capacidade de fazer isso por mim.

A todos que leram até aqui, digo: leiam Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, busquem por suas vozes serem escutadas e suas histórias serem narradas por ninguém menos do que a si mesmo.

Chronos por Rysa Walker

Chronos: viajantes do tempo, escrito por Rysa Walker, se trata de um universo em que é possível a viagem no tempo, Kate Pierce é uma das poucas que tem a capacidade para tal coisa, o genes de historiadores foi passado entre família, Kate o herdou de sua avó Katherine.

A linha do tempo está completamente bagunçada, sendo alterada gerando consequências, um poder superior tentando controlar tudo e a todos. Kate se encontra no meio de algo que jamais considerou existir além dos livros que lia. Katherine conta para a neta a realidade anônima até então e os segredos que escondeu por segurança. De início a personagem descobre o motivo da atual confusão que lhe cerca e qual é seu papel naquele meio.

Esse mundo relatado no livro é desconhecido não apenas para o leitor e sim para a própria personagem, então de primeiro temos toda uma explicação sobre esse universo, suas leis e regras. Kate deverá voltar no tempo em um período que sequer existia, e antes disso acontecer ela precisa aprender como.

Em teoria, achei interessante a viagem no tempo, os obstáculos e efeitos que é relacionado ao mundo criado pela autora, o que me entristeceu foi o fato da Kate não agregar a história, toda a narração era mais empolgante quando a avó dela estava envolvida, até mesmos os fragmentos que teve dos diários da Katherine era mais relevante e atraente no livro; tornou-se cansativo ter que aturar uma personagem que não se fez notável, até mesmo o triângulo amoroso que surgiu era inútil e não importava, Kate poderia ter sido melhor desenvolvida; a realidade bateu quando percebi que continuaria a narrativa forçada e sem graça dela. 

Confesso que quem fez eu prosseguir a leitura foi a avó da personagem e toda a vida e segredos que tinha, independentemente de qual época, ela era profundamente mais intrigante e significativa para o livro.

Sinceramente, escrever algo relacionado a este livro sem soar negativa se torna difícil pois a minha leitura não foi agradável, o que é decepcionante, era um livro que tive grandes expectativas.

Medo Imortal

Medo Imortal é uma antologia feita pela Darkside dos escritores da literatura brasileira, é composto por membros da Academia Brasileira de Letras (ABL). Logo de início é introduzido o contexto em que esses autores viveram e o momento do mundo literário. A história e conceitos atrelados a fundação da ABL, dando ao leitor o entendimento para seguir a leitura. 

Fazendo uma breve contextualização, a ABL inspirou-se na academia de letras já existente na França, até mesmo em alguns preceitos interligados a eles. Os membros da Academia Brasileira de Letras buscavam pela elevação da literatura brasileira apesar de suas inspirações virem de outros países queriam a literatura daqui sem a influência eurocêntrica presente na época. Infelizmente, as mulheres puderam fazer parte da ABL apenas oitenta anos após fundada, o que claramente, mostra a falha entre pessoas que pregavam a elevação cultural brasileira, mas deixou-se cegar pelo conceitos presentes na academia da europa.

A falha de algo tão simples, a falta de inclusão, abolia a hegemonia masculina quando a Rachel de Queiroz foi eleita como uma dos membros, após 1976, visto que ABL foi criada em 1897. Os Imortais é uma homenagem aos quarentas fundadores da ABL, quarenta e um incluindo uma cadeira, a de Julia Lopes de Almeida, que no período era deixada de lado mas não inexistente na importância da ABL. Neste livro está incluso treze autores relacionados a ABL, constando seus textos, contos de literatura gótica que se fez presente na época.

Por ser um livro repleto de contos importantes e únicos, de características variadas em cada autor colocado, falarei aos poucos dele, concluindo, não será um livro finalizado de uma vez só.

O autor de abertura não poderia ser ninguém menos do que Machado de Assis (1839-1908), o ilustre e respeitável escritor, ele é um dos grandes marcos da literatura brasileira, mesmo após tantos anos sua histórias, sua escrita se mantém em destaque, Machado foi essencial para o mundo literário e continua sendo, a desenvoltura dele como escrito é memorável e podemos aprender, cada vez que se lê algo dele deixa o gostinho de querer mais, pois sua maneira única de escrita foi a frente de seu tempo.

São as seguintes obras incluídas neste livro: A Igreja do Diabo, A Vida Eterna, Um esqueleto, Sem Olhos, A Causa Secreta e Pai Contra Mãe. Estas obras foram publicadas em sua maioria em jornais da época.

Nestas obras Machado criou histórias e personagens complexos e atitudes que muitas vezes podem causar horror ou até mesmo repugnância. Não é simples a maneira que ele desenvolve seus enredos.  

Há uma parte na introdução anterior as histórias dele que questiona o porquê de sermos seduzidos pelos atos monstruosos e continuarmos com a leitura, e é exatamente assim com Machado de Assis, ele tem a eficácia de criar obra desse patamar, de mesmo tendo personagens que nos faz querer entrar nos livros e dizer poucas e boas, jamais cogitamos largar o livro sem saber a finalidade, como se fosse um pecado tal coisa. Machado causa ao leitor a aspiração de saber o que acontecerá na próxima página. Talvez ele tivesse o conhecimento dessa competência, talvez não, mas ele utilizou-a esplendidamente. 

O autor tem sua obscuridade incomparável com a pitada de realidade, soube relatar vidas através de críticas muito bem construídas no humor que dificilmente se encontra em outros autores. Mesmo já tendo lido outros livros dele passei a notar o padrão que se segue na escrita dele, os caminhos que ele segue, deixando sua marca, e é curioso como após leituras de suas obras consigo identificá-lo, nunca fui de reconhecer as características de escritores tão rápido como tem sido com Machado, e isso se faz devido a particularidade dele, e isso é o que torna alguns livros mais especiais para mim do que outros, a individualidade de cada autor com suas obras e maneiras de seguir com a escrita.

São contos cruéis mas podemos perceber traços existentes na sociedade da época e de traços que se assemelham aos dias atuais. É finalizado a introdução de Machado com a seguinte frase, que eu não poderia achar um jeito melhor de referir a ele e as obras que compõem Medo Imortal, segue:

“Trata-se de um dos retratos mais pungentes e dramáticos do tema, que é capaz de evocar o mais puro horror sem a necessidade de apelar ao sobrenatural. Bastou a Machado de Assis apenas falar da realidade.”

A frase é referida a um dos contos presentes, que é sobre a escravidão que nosso país vivenciou e que feriu a tantos de modos que sequer consigo encontrar palavras para comentar, é doloroso mas tão realista que ao ler é necessário um momento para processar tudo.

Machado de Assis soube como deixar seu marco na literatura, e cada vez mais penso que continuaremos a apreciar suas obras e desejo apenas que valorizemos suas criações. 

Voltarei a comentar sobre os demais autores compilados neste livro, esta é uma composição repleta de conhecimento literário e obras que agregam a cada leitura feita, levarei o tempo que precisar e achar necessário para aproveitar devidamente cada uma dessas histórias.

É gratificante poder consumir tais conteúdos. 

A Melodia Feroz por Victoria Schwab

Aqui estou lendo outro livro da Victoria Schwab, não há como negar, realmente encontrei grande deleite em cada universo criado por ela, e o deste mês foi A Melodia Feroz.

A resistência de um lado e a outra em que monstros estão no controle, o maior deles sendo um humano e pai de um dos protagonistas. Kate Harker que sempre teve em mente o pai como modelo, buscando pela aprovação e por ser tão cruel quanto ele. E do outro lado da cidade existe August Flynn filho do líder completamente oposto do pai de Kate. 

Temos uma cidade dividida ao meio, entre norte e sul. A violência neste mundo gera consequências, sendo elas os monstros. Há três tipos de monstros: corsais, malchais e sunais. Pode-se dizer que há quatro tipos, o últimos deles sendo os humanos que em sua maneiras causaram a destruição entre si.

August se vê tendo a missão de ficar de olho em Kate, pois se uma possível guerra entre norte e sul se tornar real, seria útil tê-la de alguma forma. O problema inicial em questão é, August é um sunai, aqueles que através da música a alma de pecadores sugam, e Kate pode não ser uma pecadora mas é uma filha de quem controla os monstros, o confronto entre duas realidades dá aquele friozinho na barriga em cada interação entre os personagens.

A Victoria trouxe neste livro personagens com dilemas que se resumem a enfrentar o monstro que temos dentro de nós ou que nos cercam, e como sempre, a autora soube trabalhar a violência e monstruosidade de um modo belo e arrebatador, seduzindo o leitor na narrativa que ela cria.

Quando o baque da realidade entre os dois personagens acontecem e eles se veem tendo que confiar um no outro, a história se desenrola na aventura e busca por sobrevivência, a amizade e desenvolvimento das personagens, o ponto de vista e criação deles, a maneira que pensam e se sente, não fica cansativo ver o questionamentos que surgem na mente de ambos e a forma que lidam com isso. Causa ao leitor desejo de acompanhar o desenvolvimento deles.

O que conquistou minha atenção foi os monstros criado pela Victoria, os sunais simplesmente me deixaram sem fôlego, foi brilhante e ver a particularidade de cada um fascinou-me. Todo momento que August se alimentava da alma de um pecador (assassinos neste caso), eu não conseguia pensar em nada além daquela cena, ler detalhadamente o ato, um personagem distinto, o desenrolar dele foi satisfatório de presenciar. Ele toca o violino e as almas brilham em confissão de seus pecados, alimentando-o e mesmo que ele tenha aversão a isso faz parte de sua natureza, eu venero a forma que a Victoria cria personagens tão únicos e faz a história girar em torno deles tão naturalmente.

Mesmo sendo o ponto de vista de dois personagens os outros que os cercam agregam tanto para o enredo e proporciona ao leitor o entusiasmo de seguir com a leitura em cada página.

Victoria agradeço por sua habilidade em entregar obras e universos tão extraordinários.

 

Sei que demorei a publicar sobre os lidos de feveiro mas todos temos os nossos altos e baixos, às vezes, nada do que escrevemos parece estar bom mas o importante é não desistir, então venho aqui honrar o comprometimento que fiz comigo e a qualquer um que se disponha a ler o que publico.

Desejo a todos que encontrem algum conforto nos livros!

escrito por: AMANDA MARIA

Filha da lua leu — janeiro

Este será um quadro que escreverei sobre livros que li no mês e tudo o que me fizeram sentir e pensar. Espero que seja interessante para vocês contribuindo de certa forma assim como foi para mim. Minhas leituras não se prendem a apenas um gênero literário, então, acredito que possam encontrar inspirações para algum livro que agrade as preferências de vocês.

O vilão por Victoria E. Schwab

A escrita da Victoria E. Schwab é recente para mim mas já tornou-se uma das autoras que mais tenho o prazer de ler e aprender. Ela é inspiradora, a escrita sincera e leve. Tratando de tópicos que atraem o leitor, de uma maneira tão interessante, com personagens bem construídos. Diálogos que estimulam a leitura a ser mais agradável e uma história contínua. cheia de altos e baixos, tramas e traumas, complexidades e questionamentos provocados pela própria autora.

O que é bom ou mau, realmente existe apenas um lado? ou será que todos temos tendência para ambos os lados e vivemos em meio termo, nenhum dos dois, apenas somos e dependendo da circunstância nossas atitudes e escolhas ultrapassam o que é esperado como bom. 

Livro que te faz pensar e duvidar sobre suas atitudes. Um ponto de vista, um propósito, uma vida e suas escolhas com a variação na linha do tempo tornando tudo ainda mais interessante e deixa uma pitada de curiosidade genuína! Quem é o vilão? Não somos todos o vilão da vida de alguém?

Entre as intrigas, destinos e vidas que cruzaram o caminho uma da outra, ao ler conhecemos personagens complexos e suas razões pessoais para cada ato mesmo os mais inconscientes e como pode afetar o outro. O ódio dos personagens entre si, muito bem retratado, e a exploração com outras personagens que agregaram para a história uma característica única e importante. Cada um tem a visão de algo e isso intervém  no comportamento em relação a tal contexto. Retrata tópicos muito bem aprofundados, cenas pesadas que podem deixar o leitor desconfortável por seu detalhamento mas é a verdade nua e crua de pontos em que o ser humano pode atingir. O que o poder de qualquer tipo pode fazer com uma pessoa, como será usado, como se manifesta.

We Are Okay por Nina Lacour

Estamos bem “We are okay” em inglês, foi escrito por Nina Lacour,  publicado em 2017. 

Um livro com poucas páginas mas com tanto a dizer. Com tanto a sentir. Sobre o luto e a maneira pessoal que a personagem lida com isso. Sobre uma personagem que pouco sabia da vida e que tanto já havia perdido. Sobre perdas, sobre solidão, sobre o amor em diferentes formas. E sobre não estar sozinho.

Sobre auto-conhecimento, e como fingimos até não aguentar mais a ficção criada para escapar daquilo que nos fere.

É um lindo livro, a personagem que muitos podem encontrar semelhança e conforto em como encara a vida. É real, sincero, tocante de um jeito único, íntimo. Mostra a jornada de uma adolescente criada pelo avô segredos e coisas não ditas mas sentidas, os mais profundos dos pensamentos. A dor, o amor, e toda a linha cruzada nesse maremoto de surpresas que a vida pode prover.

Não é acredito que seja um romance mas existe um casal com a proporção necessária na história, não ficou forçado e achei formidável o modo que foi escrito fascinante e extraordinário assim como tudo na visão de uma vida imprevisível e cheia de entusiasmo.

É retratado como desabafo do crescimento precoce e doloroso mas verdadeiro.

Pétala por Olívia Pilar

O conto escrito por Olívia Pilar, a autora é brasileira e tem outros contos publicados que recomendo darem a chance de uma leitura. O conto foi publicado em 2018 e tem a versão ebook na amazon.

A história gira em torno de um encontro entre as duas personagens (Bruna e Pétala) que tem tanto a dizer uma a outra, decisões a serem tomadas e o medo do resultado que seus desejos pessoais podem causar ao serem dito. É belo e simples, duas mulheres que não são namoradas mas que também não são apenas amigas. E que querem mais. O pequeno conto mostra as duas tomando um café e relembrando momentos que viveram juntas, um momento importante para as duas e escrito com tanto carinho (pelo menos foi dessa forma que senti). Uma leitura curta mas cheia de carisma.

Just Juliet por Charlotte Reagan

Pelo menos uma vez no mês preciso da minha dose de romance clichê na veia, sou apenas uma leitora que vê um clichê e quer ler, principalmente um romance gay. É a fórmula perfeita, sinceramente.

Foi minha primeira leitura da autora apesar de gostar algumas parte me causou incômodo, busquei por uma representatividade mais ampla e não encontrei, o modo que levou determinadas partes não foi surpreendente e apesar de ter uma escrita agradável tornou-se repetitivo. 

Em Just Juliet, Charlotte Reagan, mostrou realisticamente a vida adolescente. Os personagens secundários e principais têm as próprias história e é bem colocado apesar de pouco adentrar nos temas expostos são interessantes e agregaram entusiasmo a leitura. Pude sentir afeição na relação construída entre eles e por cada particularidade em suas características.

O labirinto do Fauno por Cornelia Funke e Guillermo del Toro

Escrito por Cornelia Funke em uma versão fascinante e memorável do filme de Guillermo del Toro. O livro é ilustrado e repleto de fantasia, o que torna tudo muito prazeroso em cada página lida.

Acredito que essa leitura foi uma surpresa para mim nunca havia lido um livro que veio de um filme apenas o contrário, não tive contato com o filme antes da minha leitura mas ao olhar a capa e ver um pouco sobre o que se tratava já instigou a minha curiosidade, alguns dias depois já me vi comprando-o e nesse mês me aventurei nele.

Uma menina que encontra nos livros o conforto que busca em um mundo em guerra e cheio de dores. Seu pai morre e a sua mãe se vê obrigada a casar em um tempo que sua voz jamais seria escutada e tendo apenas um papel a ser interpretado. Elas se mudam para uma casa na floresta junto com um capitão do exército da Espanha e ali a pequena Ofélia vê sua vida virando de cabeça para baixo. 

A personagem adentra em um mundo mágico e que muito ela encontrou apenas nos livros que carregava a todo lugar. É cativante e ativa a imaginação do leitor. Encantadoramente escrito e tão bem descrito o modo em que o universo mágico e o real aquele preso em guerra, sangue, sombrio se intercalam, a semelhança que fingimos não existir mas que está explícita em cada ato.

A leitura não é leve apesar de parecer apenas a visão de uma criança a fantasia tem o tom obscuro e personagens peculiares de atitudes duvidosas. Apreciei o modo que cada um acredita estar fazendo o certo e como podemos ver isso quando o ponto de vista do personagem é narrado.

Um dos trechos que mais marcou a minha leitura foi bem no começo, por volta da página 20, a seguinte frase: “Ofélia assistiu a tudo isso do banco de trás do carro, desprezando a possibilidade de estender a mão ao Lobo, como a mãe lhe pedira para fazer. Então finalmente saiu do carro para não deixar a mãe sozinha com ele, apertando os livros junto ao peito feito um escudo de papel e palavras.” simplesmente não posso ver a confiança de uma personagem ser depositada em livros e o amor pela leitura ser retratado que fico sentimental, o trecho de fato marcou toda a minha leitura, a maneira que  em toda minha vida encontro o conforto nas palavras e busco por segredos que um livro pode revelar, me leva a ser cativada por trechos como esse.

Six of Crows e Croocked Kingdom por Leigh Bardugo

Duologia escrita por Leigh Bardugo, o primeiro livro foi publicado em 2015 e realizei a leitura apenas agora  como um pouco sempre atrasada  para mim não poderia ter sido uma leitura mais envolvente do que essa. 

Ultimamente, tenho focado na busca por autoras de fantasias que podem me ensinar algo (penso que livros sempre podem agregar conhecimento de certa forma) mas com isso em mente, eu buscava por aprendizado  como uma escritora que tem lutado para criar o seu universo pessoal  e ver outras autoras e suas obras me dá inspiração na escrita e na vida. E a Leigh Bardugo entregou isso lindamente em cada palavra.

Six of Crows se passa em um universo já escrito por Bardugo, que primeiro foi visto na Trilogia Grisha, nunca cheguei a ler os mesmos e fiquei com medo de gerar confusão quando lesse a duologia mas pelo contrário, fluiu tudo muito bem e entendi de maneira precisa, Leigh Bardugo soube bem como fazer isso. 

Logo no início ela introduz o universo Grisha. Essa história gira em torno de seis personagens peculiares que vivem em Ketterdam, capital de Kecth. Ladrão. Sangradora. Espiã. Atirador. Fugitivo. Prisioneiro. Essas são as descrições iniciais sobre os personagens. Kaz. Nina. Inej. Jesper. Wylan. Matthias. Uma palavra que poderia resumir bem mas acaba sequer sendo a superfície desses seis.

Jovens que foram corrompidos por uma sociedade corrupta. Traumatizados pela vida pegaram suas cicatrizes de deram os pontos eles mesmos e cada um, de maneira única, escolheram qual seria a defesa que seria criada e levantada contra todos, pois, deveriam estar preparados para jogar como os outros, saber cada regra e se necessária criar suas próprias e fazer com que os sigam.

Kaz Brekker, o trapaceiro Mãos Sujas e dono do Clube do Corvo, lidera uma das gangues mais conhecidas de Ketterdam e é contratado para realizar um roubo extremamente perigoso que poderia resultar com sua cabeça decapitada ou qualquer outra morte horrível. Ele precisaria de uma equipe em que confiasse e ao nível requerido.

Seis personagens, seis pontos de vistas, seis vidas completamentes farta de segredos e coisas não ditas. Eles não poderiam ser tão diferentes um do outro e terem uma química tão boa como personagens  mas acontece e isso é incrível  e é óbvio que a junção de personalidades tão diversificadas geraria acontecimentos únicos para a história.

O primeiro livro tem uma parte inicial como introdução para esse universo e depois páginas consecutivas da história pessoal de cada um deles sendo reveladas e dando ao leitor em cada palavra a empatia e apego por todos, o que é intrigante, mesmo que algum dos seis fizesse algo horrível ou que causasse algum tipo de repulsa e raiva, você ainda consegue se importar plenamente com eles. Os detalhes de suas vidas antes e como chegaram suas realidades atuais cativa o leitor e gera curiosidade. Neste livro mostra a jornada deles realizando essa aventura repleta de perigo e insegurança mas é mágico ver a mente genial deles trabalhando para a excelência e dinheiro afinal, é o que importa aqui, pelo menos eles acham que seja isso.

Já no segundo livro a autora trouxe o pós roubo e sobre isso não falarei muito pois esse post é Spoiler Free. É esplêndido o quanto Bardugo conseguiu evoluir sua escrita e os personagens, no primeiro já achei tudo na medida certa apesar de querer mais, e em Croocked Kingdom ela faz isso magisticamente. 

A duologia gira em torno dos personagens, tem tudo acontecendo nesse universo mas o que realmente importa são os personagens, e o modo que isso é construído me agradou muito. No segundo livro, Leigh Bardugo conta e revela para os leitores mais dos segredos dessa equipe diversificada. Eu poderia passar horas falando sobre cada um deles e suas características, histórias e escolhas mas esse não será o momento. 

É belo como a autora deu a singularidade de cada um deles a atenção e desenvolvimento devido. Personagens femininas belamente construídas e representadas. Romances realistas e encantadoramente escrito. Cada história, cada palavra, devorei com o maior contentamento. Após finalizar ambos precisei de um momento para me recuperar, chorei como nunca havia chorado por um livro, e lhes digo que, não foi apenas por tristeza e sim por ter sido tão bem escrito que Bardugo deu um fim que eu poderia ter visto realmente acontecendo com cada um deles, algo respeitoso. Acredito que é respeito o que a autora tem por seus personagens perfeitamente inspirador.

Tive o imenso prazer de conhecer a voz  e história de cada um dos seis personagens e espero que vocês também!

 

Dedico esta publicação para Victoria Schwab e Leigh Bardugo, que nos últimos meses me ensinaram e inspiraram de maneiras diferentes. Continuarei na busca por mais conhecimento e livros!

escrito por: AMANDA MARIA 

“Mentirosos” o que você pode saber sobre?

A escritora E. Lockhart, teve seu livro “Mentirosos” publicado em 2014, não é o seu único, a mesma já tem muitas outras obras publicadas, fiz a compra deste livro no ano passado e desde então o mantive em minha estante, tive vontade de lê-lo mas demorei muito para isso, e quando decidi dar-me a oportunidade de iniciar a leitura, sendo este o primeiro livro de Lockhart que passei a ter conhecimento obtive como resultado da minha escolha uma obra que atraiu a minha atenção; com a escrita atraente e cativante da autora me vi envolvida na história e terminei o livro em dois dias, querendo a todo momento saber a continuidade da história, a li rapidamente, devorando cada página com uma vontade pois almejava ser capaz de descobrir o que estava realmente acontecendo com todos aqueles personagens.

O que devo dizer sobre eles? O que você pode saber sobre? O que é necessário saber sobre a história além de que você deve ler para descobrir? Os Mentirosos são personagens encantadores, de personalidades extremamentes marcantes, cheios de vida e prontos para uma aventura. Os Sinclair são uma família padrão e extremamente rica, cheias de segredo, procuram não expor suas fraquezas e dilemas, eles são complexos e quando juntos na ilha da família todo verão, é como se ali fosse apenas o mundo deles e era isso o que importava. Mas vou lhe dizendo, este livro é muito mais do que isso quando se fala desses quatro personagens, Os Mentirosos jamais devem ser deixados apenas nessa categoria, eles são uma variação constante e intensa que te envolve a cada palavra, cada vírgula colocada na história.

Na minha leitura a cada página foi uma descoberta, uma teoria que eu criava ao imaginar qual versão é a verdadeira ou se sequer existe apenas uma versão, e que qualquer uma delas sejam reais. Eu não sabia se deveria confiar ou não na voz da personagem, queria apenas entender o que estava acontecendo e como ela resolveria os obstáculos que apareciam.

Todo verão a família ia para sua ilha particular, por muito tempo foi apenas os primos Cadence, Mirren e Johnny, eles conviviam uns com os outros mas faltava algo, até que Gat começa a ir passar o verão na ilha, ele não é um Sinclair, mas juntos as quatro crianças tornam-se os mentirosos, inseparáveis, é contado a união e como cada um se desenvolveu, com seus diferentes ideais e maneira de observar a vida, o grupo se completava e então era tudo o que importava, que estivessem juntos.

No verão dos quinze anos de Cadence, ela sofre um acidente que resulta em sua perda de memórias e os próximos dois anos ela luta com o impedimento de saber o que realmente se passou, ela volta para a ilha após esses dois anos, querendo então descobrir pelo menos alguma coisa, por si só, pois ninguém queria contar-lhe. Então, a história passa a mostrar o presente na vida da personagem e retornar para momentos vividos pela mesma quando mais nova. Cadence expõe seus pensamentos e como é tudo extremamente desalinhado, pois nem ela sabe o que é verdade, torna a leitura intrigante e te deixa aquela pitada de curiosidade e esperança de saber mais sobre a batalha que ela enfrenta para encontrar-se.

Os Mentirosos? Eles sentem. Eles pensam. Eles vivem. E eles fazem. Sem temer o que os causa medo, eles enfrentam. Sem se calar. Os seus ideais políticos e qual é a vida que querem levar, a escolhas que querem fazer, é totalmente fascinante, a visão de jovens que tudo e nada sabem, o florescer de cada indivíduo, poder ver o encontro dessas personalidades unidas e os diálogos que têm entre si torna a leitura incrível.

Ao finalizar a leitura questionei como eu pude não este lido este livro antes, e ao fechar a última página senti que foi completo, respondeu minhas dúvidas e envolveu-me na trajetória dos personagens. Uma das coisas que achei interessante foi a autora ter montado o mapa da ilha e a árvore da família Sinclair, também a ligação dos contos no meio da história que demonstrava muito com a personagem estava se sentindo ou simbolizando a situação que estava vivendo. É um tipo de livro que palavras não são necessárias para descrevê-lo e que a experiência de cada um deve ser única sem influência dos outros.

“Um dia arriscou ir à biblioteca do palácio e ficou satisfeita a descobrir como os livros podem ser boa companhia.” — Mentirosos, E. Lockhart.

escrito por: AMANDA MARIA

Quem tem medo do feminismo negro? por Djamila Ribeiro

Djamila Ribeiro, é a autora do livro “Quem tem medo do feminismo negro?”, publicado em 2018, pela Companhia de Letras. Esta é uma obra de ensaios autobiográficos, que conta com seus artigos publicados.

Djamila, nasceu em 1980 (Santos), ativista, filósofa e feminista. Ela é mestre em filosofia política e  uma escritora brasileira que esta sociedade contemporânea, em minha opinião, tem a obrigação de conhecer e  ler suas obras. Já trabalhou em áreas diversas, como: secretária e também colunista de alguns jornais, é escritora e coordena a coleção Feminismo Plurais, da editora Pólen. Ela tem dois livros publicados, “O que é lugar de fala” (2017) e “Quem tem medo do feminismo negro” (2018). Suas obras são essenciais e sobre assuntos que precisam ser discutidos. 

O livro é introduzido com a história da infância da autora, contando sua trajetória e autoconhecimento. Na infância foi quando obteve contato com a militância, e isso é retratado no livro, tem como foi o seu crescimento e envolvimento no meio militante e filosófico. Djamila conta como foi ser uma criança negra em uma sociedade racista, como era lidar com as dificuldades no ambiente em que vivia, e também, sobre o crescimento de uma mulher negra e sua autoaceitação, e sua relação com a autoestima. 

É cheio de conhecimento e uma bagagem histórica enorme, é sobre muitos que a sociedade tenta apagar. Nesta obra ela dá a voz para muitos que se viu sendo calados, constantemente, neste país racista, voz estas, que devem ser escutadas. Um livro sobre política, de grande aprendizado para quem o ler, não é uma leitura fácil, não pela sua escrita, que por sinal, é esplêndida e para todos, mas sim, por ser contado histórias que é dolorosas de serem lidas, porém, jamais devem serem esquecidas. É uma leitura compreensível e que deveria ser acessível para todos, pois é uma obra com textos que abrange temas indispensáveis a serem tratados.

Confesso que tive que fazer pausas entre um texto e outro, para refletir sobre o que havia lido; em muitas partes doía a minha alma e dava um nó na garganta, por ser a realidade de muitos, ainda atualmente. Há anos, que pessoas negras tem que aturar esse racismo constante, sendo censuradas e excluídas por uma sociedade hipócrita e eurocêntrica, isso tem que parar. É uma luta, que é enfrentada e caminhada a passos pequenos, mas com a cabeça erguida, a vida de pessoas negras importam, e pessoas brancas tem como obrigação escutá-las e não excluí-las do que é seu por direito, como para todos os seres humanos.

Mulheres filósofas, com obras magníficas e necessárias, são citadas em “Quem tem medo do feminismo negro”, muitos discursos históricos e marcantes, autoras como Simone de Beauvoir e Judith Butler, são uma grande base neste livro. Djamila cita nomes de grandes pensadoras e filósofas, que são autoras de obras que devem serem lidas pelo menos uma vez na vida, para expandir conhecimento enciclopédico, adquirindo um saber sobre assuntos que muitas vezes fechamos os olhos ou que não temos a oportunidade de estudar sobre. 

Tenho comigo, o pensamento de que, muitas vezes não temos força para adentrar em temas que venha a ser complicado e/ou sensível para nós, sei que temos nossas dificuldades e lutas pessoais, que fica até mesmo exaustivo pensar muito sobre um tópico de uma realidade que vai estar, continuamente, acontecendo, independentemente de você prestar atenção ou não, mas isto, não te dá o direito, de fechar os olhos e fingir que não acontece, e não fazer nada sobre, mesmo que seja em pequenas atitudes. Então, por favor, não deixemo-nos que fiquemos em uma bolha de privilégio e não reconhecer que há vozes que precisam ser escutadas, vidas que precisam ser libertas dessa sociedade que as sufocam. Temos que nos sensibilizar e pensar/criar melhorias.

Este livro se tornou muito marcante para mim, e sei que, releituras do mesmo serão feitas. Quando o discurso de Sojourner Truth de 1851 foi citado eu quis fazer com que o mundo a minha volta todo o lesse, acredito muito que, esta é uma obra que precisa, urgentemente, ser lida por todos. Aprendi muito sobre coisas que não sabia e aprofundei o conhecimento em outras que já tinha estudado, terminei a leitura grata por Djamila compartilhar seus textos conosco.

Quando Djamila fala “As autoras e os autores que eu lia haviam me ajudado a recuperar o orgulho das minhas raízes.” — Ler isto aquece meu coração de diferentes maneiras, pois livros e minha relação com eles é o motivo de grande conforto e aprendizado em minha vida, ver a representatividade  que muitos precisam ser retratada, é para mim, uma felicidade enorme, eu como escritora quero poder fazer isso por muitos e por mim, e poder ver outros tendo a sua representatividade em livros, me dá muito orgulho da literatura, e por favor, que muitas vozes possam ser escutadas e representadas!

Finalizo então, com duas frases muito importantes do livro:

“A construção da mulher negra como inerentemente forte era desumana. Somos fortes porque o Estado é omisso, porque precisamos enfrentar uma realidade violenta. Internalizar a guerreira, na verdade, pode ser mais uma forma de morrer. Reconhecer fragilidades, dores e saber pedir ajuda são formas de restituir as humanidades negadas. Nem subalternizada nem guerreira natural: humana.”  Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?

“Pensar novas epistemologias, discutir lugares sociais e romper com uma visão única não é imposição – é busca por coexistência.”  Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?

escrito por: AMANDA MARIA

ECOS, uma história tocante, cheia de música e sentimentos.

A honrada escritora Pam muñoz Ryan, teve seu livro ECOS publicado em 2015, com uma belíssima capa estampando a ilustração feita por Dinara Mirtalipova, que não poderia ter detalhes mais certos do que estes para representar a história desse tocante livro, que te deixa sem palavras em toda a leitura e com seu design explêndido. No Brasil, foi publicado pela editora Darkside.

ECOS, é uma fábula tocante, cheia de música e sentimentos transportados para leitor de maneiras tão únicas. Tudo é descrito pelo olhar de crianças, o que torna tudo ainda mais encantador e genuíno. Tem uma pitada de obscuridade, cada parte tem seu acontecimento histórico do momento, que mesmo sendo tudo muito mágico, podemos ver a realidade ali estampada. Dramas diversos, histórias e experiências vividas por muitos, e claro, o grande amor pela música e vida retratado com seu jeitinho especial. É um livro que te toca em cada detalhe e avanço que a leitura te proporciona.

Era uma vez uma criança que se perde em uma floresta enquanto brincava com seus amigos, acaba que acontece um encontro inusitado, entre Otto e as três irmãs de um reino muito antigo, expulsas por seu pai desde o nascimento e feitas de prisioneiras de uma bruxa. Otto inicia uma aventura ao encontrar-se com as jovens que, para ajudá-lo a encontrar seu caminho de volta para casa, pede em troca sua liberdade, que seria Otto levando-as dentro de uma gaita, com seus espíritos ali vivendo de uma maneira “livre” através da música que muito virá a ser compartilhada.

Anos depois esta mesma gaita é encontrada por Friedrich, na Alemanha, o personagem é uma criança com um amor imenso pela música, que se vê apaixonado pelo som que a tal gaita faz, nesta primeira parte da fábula, conta a história deste menino que vive em um período difícil, sendo controlado por um governo cada vez mais totalitarista e nazista. Conhecemos a história dele, os dramas na família e a dificuldade de viver nesta época. Nos aventuramos em seu amor e não tão possível  futuro com a música em meio os problemas. Em poucas páginas você consegue adquirir um enorme carinho pelo personagem, se aventurando completamente em seu destino, cheio de imprevistos e sonhos que muito pede para se tornarem real.

Na segunda parte, conhecemos Mike e Frankie, são dois irmãos órfãos que, após a morte de sua avó, são enviados para o mesmo orfanato, este sendo escolhido por sua própria avó, por um motivo especial: era o único orfanato para garotos com piano, e como esperado, o amor dessas duas crianças pela música é de um tamanho imenso. Cresceram rodeados por ela, e assim, continuam, mesmo após não terem mais ninguém, além de um ao outro. O amor que eles sentem pela música é encantador mas é ainda maior quando percebemos o carinho presente na relação dos dois, algo puro, que aquece o coração cada vez que avançamos na leitura, que por sinal, é fascinante; nos é contado então, a história de dois irmãos cuidando um do outro enquanto correm o risco de serem separados por conta de uma possível adoção. Segredos e o suspense de o que acontecerá na cena seguinte te deixa querendo saber mais, se importando cada vez mais com estas duas crianças, moldados pela música e o medo de um futuro incerto.

Confesso que vejo-me desolada e com uma dor no coração, querendo ler mais sobre a história de cada parte que era finalizado, a fábula continua e levando muito apenas a imaginação do leitor. A autora escreve seus personagens de uma maneira que faz com que ao ler você sinta um apego muito grande por eles, querendo protegê-los.

Ivy Mariz Lopez, uma criança cheia de vida e sonhos, ela quer tocar sua gaita, fazer sua música e ser reconhecida pelo seu valor. O país está em guerra, Ivy vê seus planos sendo interrompidos por mudanças repentinas, um irmão no exército, os pais agora cuidando de uma fazenda que muito pode ajudá-los a crescer, ela consegue agora ver uma possibilidade de um futuro mais aberto para ela. É retratado, uma luta por seus direitos, a força que a música lhe dá e possíveis sonhos se tornando reais, ela é uma menina encantadora, que muito se importa com sua família, o amor e união tocando-nos inteiramente a cada sequência de palavra.

Ligados pela música, linhas do destino se intercalando e sentimentos compartilhados de uma maneira única e reconfortante. É uma história muito real e ao mesmo tempo cheia de magia, e quando não precisamos de um pouco de magia? Música é sempre necessária, especialmente em momentos tão difíceis, nos dando força, como é mostrado em cada parte e histórias dos personagens.

Quando eu li a frase dita por um dos personagens, me tocou de um jeito tão real, pois é uma das mais puras verdade “Os corações estão feridos. Indivíduos que costumavam ser amigos não são mais. Vizinhos não são vizinhos. Durante uma guerra, as pessoas acham que precisam escolher um lado e jogar culpa no outro. Os corações ficam menores.”, isso me deixou sem palavras, mas a seguir veio o sinal de esperança que sempre precisamos e não podemos abandonar “Os corações são maiores do que pensamos”. E outra coisa também dito por um dos personagens: não importa quantas tristezas haja na vida, há quantidades iguais de “talvez as coisas melhorem em breve”. 

Destinos e caminhos cheios de possibilidades estará nos aguardando para serem experienciados de suas maneiras únicas, assim como a leitura deste maravilhoso livro, que me deixou tocada por magníficas histórias e personagens com suas personalidades encantadoras, é tudo muito envolvente! Aprendi sobre não desistir e acreditarmos no nosso potencial, por mais difícil que seja.

escrito por: AMANDA MARIA

JANE EYRE por Charlotte Brontë

O romance Jane Eyre escrito por Charlotte Brontë publicado em 1847, é uma bela obra da literatura, que se passa na Inglaterra na Era Vitoriana, é um romance em formação, tendo a personagem Jane Eyre como foco, é retratado o seu constante crescimento e desafios em fases diferentes de sua vida, vemos o crescimento e amadurecimento da personagem, em cada página do livro.

Um romance que você se envolve completamente na história da personagem, você se vê cada vez querendo saber mais sobre os dramas e segredos que é mostrado, nos deixando empolgados e curiosos pela revelação seguinte. É misterioso, tem seu senso de humor único, com muitos altos e baixos, emoções sentidas e acontecimentos a todo momento deixando o leitor inspirado a continuar a leitura.

É uma leitura cheia de questões morais e éticas sendo retratadas, não é um romance simples, questões profundas e aprendizados dos mais diferentes e verdadeiros vividos pela personagem é presente na história.

Jane Eyre é uma personagem intensa, real, um crescimento constante de um ser único. Desde criança, como contado na história, ela sempre sozinha, aprendeu a lidar com seus dilemas e emoções muito bem, aprendeu sobre seus pontos fortes e prioridade, lidando com muitas de suas dificuldades; é uma personagem com personalidade notável, ela é forte, competente e livre. Valorizando a própria opinião, seus ideais e a tranquilidade que têm consigo mesma. É de extrema inteligência e beleza simples, a personagem é dedicada a si e ao aprender, Jane sente, sente muito mesmo, mas ela aprende a se controlar, tendo consigo que, ser controlada por alguém jamais será uma opção aceita por ela. Por mais tranquila consigo que ela seja, tem seus muitos lados, como todo ser humano, e isto, é retratado de uma maneira única e tão Jane Eyre possível, a personagem dá a leitura um extremo prazer por cada página e palavras ali escrita.

O crescimento de uma personagem, desde muito nova retratado, que foi abandonada por uma família que não a valorizava, Jane cresce em um colégio/orfanato que tem uma rigidez extrema com as crianças que ali vivem, com isso, a personagem passa a valorizar a si, evoluindo e indo em busca de sustentar a si com seu conhecimento, se torna uma educadora, que após fazer dezoito anos passa a trabalhar em uma mansão que poucos ali viviam. Sabendo como viver por si e aprendendo com a vida, Jane Eyre é uma leitura muito prazerosa e encantadora, com seus mistérios e dilemas, muitas de suas reviravoltas, é um livro extremamente envolvente e carregado por uma personagem notável.

Como a própria Jane diz:

“Eu não sou um pássaro e nenhuma rede me enlaça. Eu sou um ser humano livre com vontade independente”, Charlotte Brontë.

“Mas eu continuava viva, e a vida, com suas necessidade e dores e responsabilidades me chamavam” Charlotte Brontë.

Clássicos da literatura escritos por mulheres têm de fato me conquistado cada vez mais! Espero que você se dê uma chance de ter a experiência de ler Jane Eyre, e caso já tenha lido, quem sabe você se dê a chance de reler? 

escrito por: AMANDA MARIA