filha da lua leu — junho

Oi queridos, como foi a leitura de vocês neste mês? Espero que tenham encontrado algo que aqueça seus corações e façam suas mentes se aventurar no desconhecido!

Conectadas por Clara Alves

Raíssa desde muito pequena era encantada por jogos, assim como seu pai e quando, após muito ter pedido, deixou ela começar a jogar no computador dele, conheceu um mundo novo que a fascinou, mas o universo dos jogos ensinou que como uma menina, ela seria tratada de maneira diferente, machismo e assédio a assombrou logo de início, mas Raíssa não querendo que isso a afetasse e pudesse jogar em paz, criou um perfil no nome de um amigo e foi assim por muito tempo, sua identidade verdadeira não era um problema, a não ser é claro, a partir do momento em que Ayla, outra jogadora e usando seu próprio nome, surgiu na vida dela.

Elas formaram uma amizade, que apesar de ser através da internet cresceu para algo mais profundo. Os sentimentos de Raíssa ficaram confusos, pois ela gostava de garotas, mas não estava pronta para assumir isso para si mesma ou para a família, e sem saber como lidar com o fato de que não usava seu nome e Ayla se apaixonou por ela pensando que fosse outra pessoa, tenta organizar a enrascada em que se meteu sem ferir a si mesma ou a garota que amava.

Um evento relacionado ao jogo que as duas jogam junto foi revelado e apesar dos empecilhos, finalmente, iriam se conhecer, mas qual das identidades de Raíssa seria mostrado a Ayla?

Este é um romance que retrata duas garotas adolescente, verdadeiramente, reais. Inseguras e aprendendo sobre si mesmas e sobre o que pouco sabem. Acompanhamos a jornada delas de autoconhecimento, aceitação e descobertas de formas diferentes de amar. Foi um prazer ler um livro tão atual e o carinho da autora em sua obra, queria poder ter visto mais sobre elas, pois foi lindo ver o crescimento de Raíssa e Ayla, o quanto mudaram e vê-las se desvencilhar aos poucos de seus medos e viver o amor que sentem uma pela outra sendo elas mesmas.

Feminismo é para todos (políticas arrebatadoras) por Bell Hooks

Bell Hooks e suas obras são um grande marco na literatura feminista, sua linguagem tem o poder de alcançar a diferentes povos, e é este um exemplo de livros que devemos consumir, sem palavras que nos deixem ainda mais confusos, mas que esclareça duvidas e nos introduza a temas tão importantes.

O feminismo é para todo mundo é uma excelente obra que a cada capítulo, ainda que pequeno, ascenda aquela fagulha de curiosidade, um despertar para o tema e como podemos agir junto em busca da igualdade e quebra de padrões opressores que tanto queremos. 

Hooks levanta questionamentos e acentua ponto que precisam ser melhorados mesmo dentro do movimento feminista, tais como: se algumas dessas mulheres (no primeiro momento, em sua maioria brancas) alcançarem um cargo mais alto e não ajudar os outros ainda oprimidos; estarão negando um futuro de oportunidades e compartilhamento como sociedade, dessa forma, mulheres que não tiveram o acesso terão a igualdade que buscamos negadas e estariam compactuando com o sistema patriarcal e de nada adiantaria o avanço se a porta batesse na cara dos que seguiam na luta feminista. Nossa existência e gostos pessoais, independente da sexualidade, se não temos os homens como prioridade e seus ideias como o correto somos uma ameaça e é por isso que tentam com tanto afinco criar rumores e menosprezam o movimento, somos uma ameaça ao patriarcado que seguem cegamente.

O movimento feminista é composto por vários recortes, e neste livro, Hooks, toca neles de maneira realista e clara, mesmo que breve e em capítulos curtos, o acordar para essa luta fica aberto e instiga ao leitor a querer saber mais sobre os temas tratados. Quando a autora cita o feminismo global, acho importante ressaltar sua opinião sobre “(…) O objetivo do feminismo global é se estender e alcançar lutas globais para acabar com o sexismo, a exploração sexista e a opressão.” É uma luta para todos. Assim como, ela cita sobre o acesso de conteúdo feminista, precisamos que esse conhecimento alcance a todos, tal conhecimento é o que sustenta o movimento. 

Eduquemos nós mesmos e fornecemos a oportunidade para aqueles que ainda não se integram nos temas, pois como Hooks diz, “feministas são formadas, não nascem feministas.” Todos sofremos de certa forma com o sistema opressão, uns mais do que os outros, mas esta é uma luta para que todos lutemos.

O urso e o rouxinol por Katherine Arden

O urso e o rouxinol se passa na Rússia medieval, em torno da família Petrovna, em especial a Vasilisa Petrovna, que a mãe morreu quando a filha nasceu. Vasya é diferente de seus irmãos, a mãe dela sabe disso e se certifica de que a menina sobreviva, como último pedido ao marido para que seja mantida em segurança.

É repleto de magia, só que de um jeito tão diferente, pois se mistura com realidades históricas, como por exemplo, quando a igreja começou a inserir o cristianismo em culturas que não fazia parte, e como seu apagamento feriu aldeias que entravam e espalharam seus dizeres  de maneira que se viam superiores aqueles com outras religiões, é descrito entre fantasia esse apagamento que ocorreu anos atrás em diversas partes do continente. 

Quando iniciei a leitura não esperava por temas pesados assim serem tratados, mas foi feito incrivelmente. A escrita da autora foi um grande deleite e me encantei por Vasya em cada virar das páginas. 

Vemos a personagem e suas visões diferentes de toda sua aldeia, que conforme o tempo passava desacreditaram de seus mitos e lendas, os deuses e demônios, estes que faziam parte da cultura deles, e assim, a personagem precisa lutar contra  as críticas, que eram pesadíssimas, a desprezavam, mas ela se tornou uma das razões para sobreviverem aos invernos rigorosos que tinha todos os anos.

Vasya é uma pessoa forte, apesar de tudo o que sofre, se manteve gentil com os outros, eu não me conformava, havia momentos que não podia mais suportar e queria protegê-la de todo o horror que a faziam aturar, outras meus olhos revirava e o estômago embrulhava, os altos e baixos, tamanhas as surpresas que a autora proporcionou com essa obra.

Gostaria que tivesse tido um final mais adequado e ao nível que este livro merecia, mas isso não impediu do prazer que tive ao lê-lo e por ser uma trilogia, acredito que será aprofundado nos outros livros. Mal posso esperar para ver a evolução de Vasya, pois a achei magnífica e anseio por mais de suas aventuras, sua opinião e convicções, assim como a magia que vive nela e o desenvolver dos demais personagens, pois acredito que tenha um grande potencial de ser extraordinário.

É necessário termos registrado esse trecho pois é incrível a firmeza que seus pés fincam no chão em direção a sua liberdade e do que acredita.

“— Durante toda a minha vida  — ela disse  —, me mandaram “ir” e “vir”. Me dizem como vou viver e como devo morrer. Tenho que ser a criada de um homem e uma égua para seu prazer, ou tenho que me esconder entre muros e render minha carne para um deus silencioso e frio. Eu entraria nas malhas do próprio inferno, se fosse um caminho da minha própria escolha. Prefiro morrer amanhã na floresta a viver cem anos a vida que me é indicada.”

Circe por Madeline Miller

Neste livro temos a releitura da vida da semi-deusa Circe, passamos ao lado da personagem, desde o início de sua vida imortal e os anos subsequentes. Tenho pouco contato com a literatura grega, minha trajetória é rasa, apesar de gostar muito e posso dizer que foi um prazer acompanhar Circe.

Incompreendida e julgada desde seu nascimento, pelos deuses, ninfas, e os demais desse universo mitológico. Começamos a leitura nos primeiros anos da personagem nos salões de seu pai, Hélio, que tem mais três filhos com sua mãe, a ninfa Perseis, e muitos outros espalhados pelo mundo. Circe sempre agiu de maneira submissa e aguentou calada todo o abuso que sua família jogava em seus ombros, após certo tempo, decide ser ousada e fazer algo por si mesma, ela se apaixona por um humano e com isso se resulta problemas e sua expulsão para uma ilha.

Após Zeus bani-la, é quando o melhor começa acontecer, o que mais me cativou foi Circe tendo seu despertar selvagem, seu lado bruxa que foi ocultado pela negação de seu potencial existente, assim como seus irmãos, ao estar longe dos salões de Hélio, teve o contato com sua magia, no caso dela, foi um pouco mais tarde, mas isso não importava, pois, finalmente, seus olhos se abriram e estava pronta para recebê-la de braços abertos.

“Eu não serei como um pássaro criado em uma gaiola, pensei, entorpecido demais para voar mesmo quando a porta está aberta.” (…) “Entrei naquela floresta e minha vida começou.”

Se tornou a pessoa que queria ser, aprendeu sozinha, ao lado dos animais selvagens e a natureza, suas facetas foram descobertas, pois Circe era mais do que apenas a filha de um deus, ela era uma semi-deusa, ninfa, feiticeira e bruxa. E assim, passamos a conhecer a vida turbulenta, com altos e baixos, às vezes, tediosa e solitária, são tantos os anos colocados neste livro que fica difícil falar sem estragar uma possível leitura de vocês. 

A autora colocou personagens marcantes da mitologia grega, muitos sem importância, e tive um problema com a constância da narrativa, era encantador ler sobre a vida de Circe, mas quando foi optado por tratar de pontos não tão interessantes, como relacionamentos com homens e humanos, era um pouco cansativo. Gostaria, por exemplo, de ter tido a experiência de vê-la ensinando as ninfas que foram viver em sua ilha (uma das muitas punições que os deuses a infernizou no decorrer dos anos exilada), tanto é que fiquei maravilhada e devorava capítulos que o seu lado místico e selvagem era mostrado.

Circe é uma personagem que não cabe nas jaulas que queriam mantê-la, com seus dedos cria feitiços e luta por aquilo que acredita. Foi fascinante ler o desenvolver de alguém complexo como Circe, afinal, personagens que buscam por sua liberdade intelectual e selvagem são meu ponto fraco, lembrei de Jane Eyre, que já publiquei aqui se quiserem dar uma olhada, mulheres que não se deixaram ser mantidas em cativeiro e inspiraram a cada página e me tiraram suspiros.

Alice no país das maravilhas por Lewis Carroll

Acredito que quase todos nós conhecemos a história das aventuras de Alice, em algum momento em nossa infância, mesmo que apenas de outras bocas, ou por filmes e desenhos animados, se originou de livros, e após muito tempo, foi apenas nos meus vinte e um anos de idade que tive o primeiro contato com a obra escrita, não poderia me encantar menos com a imaginação da personagem e para onde elas a levam, é um lembrete da criança que fui e ainda vive em mim, e daquelas que gosto de manter em personagens que crio. 

O livro em si é uma loucura total e adoro isso! Cada coisa sem sentido, mas que ao mesmo tempo, faz todo o sentido, o que é ainda mais confuso. Enigmas coloca entre as palavras e um universo que mostra a cada página o medo de uma menina que está crescendo e não sabe como lidar com isso, o que ficou ainda mais explícito no diálogo que a personagem tem com a lagarta, foi reconfortante viver no mundo de Alice, pois me lembrou a mim mesma; mostro-lhes o diálogo:

“Quem é você?” Perguntou a Lagarta.

Esta não foi uma abertura encorajadora para um conversa. Alice respondeu timidamente:

“Eu… no momento, senhor, eu mal sei… pelo menos sei quem era quando levantei-me hoje de manhã, mas acho que devo ter mudado várias vezes desde então.”

É uma bela forma, pelo menos para mim, como nossa mente lida com as mudanças inesperadas, algumas boas e outras nem tanto, mas que acontecem e cabe a nós mesmos descobrir como seremos.

O que me encanta em Alice é sua imaginação e olhar para a vida, gostaria de encerrar com a frase do primeiro capítulo que poderá representá-la muito bem:

“Alice tinha se acostumado tanto a esperar só coisas esquisitas acontecerem que lhe parecia muito sem graça e maçante que a vida seguisse da maneira habitual.”

Caso tenha chegado até aqui, quero agradecer por tirar um momento para ler minhas palavras, logo estarei de volta.

escrito por: AMANDA MARIA

O mito da beleza por Naomi Wolf

Um clássico sobre feminismo, tive a oportunidade de iniciar a leitura nesse ano, por se tratar de temas com a temática de grande encargo de informação e ter jargões que tornam a leitura mais pesada, levei alguns meses para finalizá-lo. Para mim, por mais demorada que tenha sido, foi completamente válida, assuntos que precisamos falar sobre. Nesta obra, Naomi Wolf retrata a beleza, e o mito criado pela sociedade como forma de controle das diversas mulheres.

De início, temos a visão geral da geração de mulheres que sucederam a ondas de feministas que lutaram por conquistas que o sistema opressor nos negava, Wolf, tinha contato com estudos da área, dessa forma, passou a perceber algo comum que era: após avanços proporcionados pelo feminismo, sempre surgia ideias para oprimir mulheres de alguma maneira, impedindo passos em direção da evolução, amarrando-as em suas regras mais uma vez. 

A política tem como base ideais em que o domínio masculino é supremo, e através dessa supremacia opressora machista, afetam não apenas as mulheres, mas também os homens, é claro que, somos nós, mulheres, as que mais sofrem essa opressão, e a beleza é uma das formas de controles encontrada por esse sistema, que em diferentes culturas, encontraram um jeito de agir.

Naomi Wolf, oferece um relato que expande nossa visão sobre a manipulação da beleza, em tópicos como: trabalho, cultura, religião, sexo, fome (alimentação e distúrbios que resultou entre as mulheres), a violência; detalhando como o sistema usou isso para tentar calar nossas vozes.

Essa manipulação vinha (ela ainda existe) de diversas formas, que sequer parecia estar acontecendo de tão comum e instalada nas mentes de cada um. O envelhecimento era condenado e usado contra as mulheres, marcas vendiam produtos que sequer tinham o efeito prometido, revistas forneciam matérias com ideais irreais e inalcançáveis, afinal, o mito da beleza, cobra das mulheres coisas impossíveis de se alcançar, apesar de saber disso, usufruíram do mito como controle do pensamento das mulheres. Expunham imagens que fizessem as mulheres cobrarem a si mesmas, a se sentirem péssimas em seus próprios corpos, sobre seus gostos e sonhos, além de um jogo psicológico, infiltraram o mito em áreas diversas. 

O capitalismo ganhou à custa do sofrimento feminino, a pornografia que o diga, visto que é uma das falsas imagens criadas como opressão. Falsas promessas, falsos dizeres, colocando expectativas baseadas em uma mentira controladora, cegando as mulheres da misoginia em domínio de toda a sociedade. Na parte referindo-se ao sexo, Naomi Wolf diz “(…) uma cultura misógina conseguiu fazer com que as mulheres odeiem o que os misóginos odeiam”, o que isso quer dizer? Nos manipularam ao ponto de odiarmos a nós mesmas, cada vez mais, e isso deixou uma ferida muito grande, que até nos dias de hoje lidamos com as cicatrizes.

Um dos tópicos discutidos, que acho muito importante ressaltar é sobre como a pornografia não foi feita para as mulheres, segue  outra citação de Wolf, “(…) o corpo do homem não é erotizado para as mulheres. O corpo de outras mulheres não é erotizado para as mulheres. A masturbaçãao feminina não é erotizada para as mulheres. (…) O charme e a atração dos corpos masculinos não são descritos para as meninas por uma voz de mulher; e a atração que sentem por suas amigas não é descrita absolutamente em parte alguma.” Aqui, claramente, vemos como todo esse meio além de violento e opressor, foi usado para nos compararmos e apenas isso, corpos irreais, cobranças jogadas nas mulheres, que iniciaram a busca pela perfeição cobrada por essa sociedade, tal perfeição que não existe, sendo então, uma luta contínua e que não levaria a lugar algum, além de nossos sofrimentos. Como Naomi disse, “isolada do corpo, instada a não vê-lo ou a não senti-lo como humano”. Tudo isso para no final, se questionarmos, nos chamarem de loucas e quererem cessar nossos protestos.

O feminismo é nosso alicerce, e unidas continuaremos a lutar, entendendo cada ponto de vista e vivência, muitos passos foram dados; e mesmo quando o sistema opressor tentar impedir o avanço, não será por muito tempo, afinal, a voz será ouvida, a luta feminista continuará existindo! Estudos sobre o tema é necessário para todos, o acesso a livros feminista é necessário para evoluirmos como sociedade. 

O mito da beleza, apesar de ser excelente em relação aos temas abordados, não é muito acessível, a linguagem e repetição de algumas partes o torna cansativo, mas de qualquer maneira, acredito que seja um livro que devemos ler. É uma leitura didática que abre os olhos sobre coisas que muitas vezes não questionamos, pois sequer percebemos que elas existem, mas estão lá. E sabermos dessas manipulações é importante, pois marcharemos contra elas.

escrito por: AMANDA MARIA

filha da lua leu – maio

Olá, estou de volta! Agora com as minhas leituras do mês de maio, sintam-se a vontade para comentarem, se quiserem.

Um corpo na biblioteca por Agatha Christie

Agatha Christie é reconhecida por seus livros de romance policial, apesar de muito ter escutado sobre a autora e sua escrita, este, foi o primeiro contato que tive com suas obras. Um corpo na biblioteca teve as primeiras publicações na década de 1942.

Nada além do próprio título, um corpo foi encontrado na biblioteca da casa dos Brantry, acordada no meio da noite, a sra. Brantry, recebeu a notícia de um corpo assassinado estar em um dos cômodos de sua casa. A vizinhança faladeira como era, desatou a espalhar boatos do corpo na biblioteca da cada do coronel Brantry, ele que muito se importava com opiniões alheias se refugiou na fazenda distante, já a sra. Brantry tem a ajuda da detetive amadora, Miss Marple, que tem a presença em outras histórias de Agatha Christie, as duas se jogam numa aventura investigativa sobre quem seria o assassino.

Os pontos de vistas de intercalam, entre suspeitos do ato, e detetives das delegacias das cidades próximas, do outro lado temos a perspicaz Miss Marple descobrindo o que outros não enxergavam através de pistas que chamavam sua atenção, ela relacionava a acontecimentos curiosos que presenciava na vila em que morava e obtinha respostas cada vez mais esclarecedoras para o desenrolar da trama. Como mulher, ainda que não detetive profissional, mas que conhecia muito sobre o assunto e desvendava crimes que outros não conseguiam, era pouco valorizada, ou não reconhecida, até mesmo quando comentado sobre a capacidade da mesma, a resposta sobre foi “instinto feminino”, e podemos ver, claramente, a mentalidade da época e o desfavor com o profissionalismo que ela era capaz de exercer.

Cada capítulo passamos a acreditar que um personagem seria o responsável da fatalidade, mas Agatha Christie soube como surpreender ao escrever. Confesso que, em determinada estava segura de minha escolha de suspeita, ao descobrir não poderia estar mais satisfeita, acertei. Apesar disso, continuei devorando cada palavra deste livro, poucas páginas e que me prenderam de tal forma que só queria saber o desfecho.

Agatha Christie, com a absoluta certeza, está incluída nas minhas próximas leituras, e mal posso esperar por isso!

Verity por Colleen Hoover

Colleen Hoover, soube como prender meus olhos nas páginas do livro e não querer desviar por nada, arrancar meu fôlego a cada cena, Verity, me deixou perturbada, mas não me arrependo nenhum pouco. A autora soube trabalhar sua escrita de uma maneira tão sutil, que em cada parágrafo eu aguardava pelo próximo com cautela, assustada, com o que viria a seguir, pois, de fato, era surpreendente. 

Quando decidi ler, eu sabia pouco além das respostas positivas dos leitores, e após finalizá-lo, não poderia concordar mais. Colleen Hoover, trouxe algo inesperado que adorei, mesmo quando surtei a cada capítulo que avançava, o meu coração acelerava, dá para acreditar?

Lowen recebeu a proposta de continuar a escrever a série de livros da famosa Verity, que após um acidente ficou impossibilitada. Por mais relutante que Lowen foi de início, acabou cedendo e se comprometeu a terminá-los, e como consequência a levou ter que vasculhar o escritório de Verity buscando por algo relacionado as obras já publicadas ou possíveis idéias futuras, o que não estava em seus planos era o manuscrito que encontrou, e ainda mais, não parar de lê-lo.

Conforme Lowen passava os dias naquela casa, ela se sentia cada vez mais assombrada pelo fantasma de Verity, uma mulher que estava de cama e nada poderia lhe fazer, mas ao avançar na leitura do manuscrito da autobiografia dela, descobriu uma pessoa com a personalidade completamente oposta a que todos tinham em mente, verdades que causavam arrepio, um misto de compaixão e horror à medida que descobrimos junto com Lowen, uma Verity desconhecida, até mesmo para o seu marido Jeremy, e a personagem se vê dividida sobre o que fazer com o manuscrito.

Uma leitura de tirar o fôlego mesmo relacionado a uma cena e cenário simples, meus olhos eram impossibilitados de desviar, até mesmo quando, sentia o estômago embrulhar e o aperto na garganta por toda a intensidade dos personagens.

Sobre a escrita por Stephen King

Stephen King conhecido mundialmente, por obras marcantes no mundo literário e as aventuras nas telas de cinema. Sua escrita varia entre terror, suspense ficção científica e fantasia, nunca li nenhuma delas, talvez em alguma momento, mas por agora não. O que não invalida o meu interesse sobre seu conhecimento na escrita, tantos anos trabalhando em livros que algo ele deve ter aprendido, certo? Então, peguei Sobre a escrita e me joguei de cabeça nessa leitura, que diferentes outros livros de escrita que havia lido, não tive vontade de largá-lo e nunca mais abrir.

O senso de humor do autor foi o que mais me prendeu, além, é claro, sua narrativa. Stephen, introduz os contatos iniciais que teve com a escrita e histórias de seu passado que o moldou para a pessoa que se tornou hoje, e acredito que, essa parte seja muito importante, pois, são detalhes como esses que nos guiam na vida. Toda a narrativa dele é envolvente, me deixando curiosa, mesmo que em alguns trechos sentia um pouquinho de vergonha alheia, afinal, é cada coisa que ele conta nesse livro, hilário.

A maneira didática que ele aplica os conhecimentos, mesmo aquelas regras chatinhas que reviramos os olhos às vezes, ele não deixou desagradável, e mesmo que muito do que ele disse eu sabia, obtive enorme aprendizado neste livro, e deletei-me na narrativa do autor, o que acendeu uma pequena chama de interesse para dar uma chance as demais obras, o que diz o bastante sobre a sutileza de sua narrativa, que realmente, me agradou.

Mensageira da sorte por Fernanda Nia

O livro de passa em um Rio de Janeiro distópico, as ruas da cidade a qualquer momento poderia surgir uma manifestação que, em questão de segundos tudo se tornaria perigoso, grandes corporações no poder e a voz do povo cada vez mais não sendo escutada.

A personagem, Sam, que havia sofrido uma perda recente aprendia a lidar com seu luto e culpa interna que deixou marcas dolorosos demais mesmo meses depois, dessa forma, ela e a mãe mudaram para uma nova casa, buscando pelo recomeço que precisavam.

Inesperadamente, Sam, se vê no meio de um dos muitos protestos que ocorrem na cidade, traumatizada queria apenas chegar o mais rápido possível em casa, quando derrepente, o universo brinca com ela e manda outra surpresinha para a garota. Sam descobre que há coisas desconhecidas e que pensou apenas existir no mundo fictício. 

Existindo uma organização do próprio universo, que lidava com as sortes da humanidade, criada pela justiça, sorteavam quem teria suas balanças equilibradas após tantos azares na vida, afinal, azar é algo que não conseguimos escapar e uma sorte seria bem-vinda. Pelo destino ou não, Sam, se torna a mensageira da sorte temporária para o DCS, o que surgiu de um acidente trás várias questões e surpresas que a personagem tem que lidar, mensagens precisam serem entregues, será que a Sam conseguirá realizar seu trabalho sem nenhum obstáculo?

Uma das mensagens entregues por Sam causa uma reviravolta na história quando o receptor dela, Leandro, não esquece da presença de Sam após a sorte ter sido entregue. Acompanhamos Sam e Leandro em suas pequenas aventuras e tramas, nesse mundo caótico que é o Brasil distópico, e ouso dizer, não tão distópico assim visando a realidade em que vivemos agora.

A escrita da autora é de fácil acesso, ela consegue passar a emoção de uma maneira tão sutil que sequer percebo, mas em questão de segundos estava roendo minhas unhas com as trapalhadas que Sam tinha que enfrentar. O senso de humor deu aquele gostinho maravilhoso a história, e acompanhar a personagem era encantador, afinal, vemos uma crescente evolução dela, desde como lidava com o luto e a culpa que a corroia, a gente via ela entendendo suas mágoas e remorsos, aprendendo com isso e se tornando a pessoa que queria de fato ser. Querendo poder ajudar, recompensar, encontrou nas mensagens da sorte um propósito.

Os problemas é muito mais embaixo, quando as surpresas do destino bate na porta dela, quando os podres da corrupção é exposto e Sam se vê tendo que fazer escolhas que afetará a todos.

Um teto para dois por Beth O’leary

Um teto para dois é uma comédia romântica contemporânea escrita de maneira leve e sincera, um livro que se lê em poucos dias e ao finalizá-lo dá a sensação de carinho e felicidade sobre as histórias dos personagens e as situações que enfrentaram cada um de um jeito.

Tiffy, uma editora de livros sobre crochê lidando com o término do namoro recente, decide se mudar da casa do ex e dividir um apartamento com alguém, afinal, era só o que ela poderia arcar. Leon, precisando de dinheiro havia colocado o anúncio sobre alugar o apartamento e não apenas isso, teriam que dividir a mesma cama, em horários diferentes, visto que ele trabalha em um casa de repouso no período da noite, dificilmente teriam os caminhos cruzados, como Tiffy se vê sendo muita opção sobre onde morar, ela aceita e em seguida logo se muda, querendo deixar os traumas para trás.

Apesar de início, ambos, acharem a situação estranha, foram se acostumando com a presença um do outro na casa, mesmo que em momentos diferentes, passaram a sentir o conforto no decorrer que os meses se passavam, principalmente, através dos post it que trocavam e se conheciam, pequenos avisos, desabafos e histórias do passado, desenvolveram uma amizade e sintonia que os surpreendia e assustava.

É uma comédia romântica que retrata o amor-próprio, confiança e amizade, sobre a cura de relacionamentos abusivos, escrito com sutileza e cuidado. Tiffy e Leon a cada capítulo iam se desfazendo das amarras que seus medos os mantinham. 

Foi uma leitura tão prazerosa, senti borboletas no estômago e sorri como boba ao me jogar nessas páginas e vivenciar a história desses personagens. Torci por eles e senti orgulho ao acompanhá-los.

Heartstopper: Volume One por Alice Oseman

Heartstopper relata a história em quadrinho de dois meninos, era um amor tão puro e jovem que sentia aconchego ao ler sobre eles, e cada vez ficava melhor, isso sem comentar da arte, uma graça e bem trabalhada, pude ver o empenho de Alice por essa linda obra.

Charlie Spring e Nick Nelson se conhecem apenas através de rumores do colégio, mas em determinado momento se tornam amigos. A companhia um do outro é onde se sentem confortáveis, a amizade cresce e junto dela um sentimento que não sabem como reagir, fiquei encantada ao ler a trajetória deles.

Um estudo em Charlotte Holmes por Brittany Cavallaro

Brittany Cavallaro, criou uma releitura dos ilustres casos de Sherlock Holmes, Um estudo em Charlotte Holmes, é um jovem adulto repleto de suspense e imprevistos. 

James Watson se muda para um colégio contra vontade própria, e acaba tendo o caminho cruzado com Charlotte Holmes, quem ele sonhava em ser amigo e se jogar nas aventuras investigativas, assim como seus antepassados. O que os uniu não foi a amizade imaginária que Watson tinha sobre eles, e sim, um assassinato de um dos alunos, que colocava ambos como culpados de algo que não havia feito, ou pelo menos, era o que alegavam.

Um estudo em Charlotte Holmes, relata o crescimento de uma amizade, a confiança que ambos têm um no outro, aconteceu de maneira rápida quando todos se tornam contra eles e se vêem com incriminações a cada nova pista ou novo assassinato. Eles buscam por provas de quem seria o responsável, pois, os dias da liberdade de Holmes e Watson estava cada vez mais próximo do fim. Se viam envolvidos demais no emaranhado de confusão que os cercavam, além de lidar com isso, tinham que enfrentar as diferentes personalidade e humor nada fácil um do outro.

Reviravoltas e possibilidades que no decorrer da história começamos a supor junto aos personagens e nos aprofundamos naquele mundo como se estivéssemos ao lado deles. Foi uma boa surpresa, e mal posso esperar para ler os próximos livros dessa releitura que deixou um quentinho no meu coração por toda a história de Charlotte Holmes e James Watson.

 

Espero que tenham tido boas leituras em tempos de caos como o que estamos vivendo, lembrem-se de se cuidarem, ok? Logo nos vemos por aqui. Faça aquele chá ou café, abra um livro e se joga nesse universo maravilhoso das palavras!

escrito por: AMANDA MARIA

filha da lua leu – março e abril

O emaranhado de confusão atual que ocorre no mundo fez com que minha mente se afogasse na ansiedade e as palavras me faltavam para descrever o que queria, minhas leituras continuaram, no mundo dos livros eu queria me aventurar, uma forma de escape, como sempre, as palavras me salvaram. 

Apesar de tudo, finalmente, consegui escrever algo.

Vos escrevo então, sobre últimas leituras feita por mim. Futuramente planejo publicar sobre leituras separadas, será esse o motivo de alguns livros já lidos estarem faltando aqui. Vamos lá?

 

Mulheres que correm com os lobos por Clarissa Pinkola Estés

Palavras escapam de minha mente para fazer uma introdução digna a este livro, colocarei então a frase que contém no prefácio, que deixou-me arrepiada logo de início.

“Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas.” Clarissa Pinkola Estés.

A relação que temos com a mulher selvagem engloba as mulheres em tantos aspectos, de diferentes perspectivas, e é tão maravilhoso saber que existem tantas variáveis para a Mulher Selvagem, penso eu.

Suas formas de chegar até nós é ainda mais fantástica, através da arte, de todo o dia de arte, aquela que nos ajuda a respirar em momentos que pensamos não ser mais possível. Ela vem na escrita, vem na pintura, vem na música, vem na dança, vem do nosso movimento, vem do nosso ser, pois somos a Mulher Selvagem. 

A autora diz como a Mulher Selvagem foi silenciada dentro de nós por tanto tempo e que para muitas mulheres continua sendo, o quanto isso deixa-nos presa em uma imensidão de descontentamento e infelicidade, por mais que uma mulher seja reprimida, tenha suas patas amarradas, a Mulher Selvagem ainda está com ela, precisa apenas ser despertada. Seu instinto poderá auxiliar por sua liberdade, independente de qual seja a liberdade que lhe é essencial, e teremos o suporte maior conforme nos ajudamos a dar o próximo passo.

Cada capítulo contém narrativas e analogias feita pela autora de contos antigos, manipulados através do tempo, mas que ali temos a faísca da Mulher Selvagem de alguma maneira, mesmo que escondida. 

Um dos comentários das histórias feito pela autora, é sobre o Barba-azul. O que ou quem seria ele?

Barba-azul seria aquele típico padrão do homem como predador, fazendo das mulheres suas presas e torturadas. História essa que se relaciona a estruturas de relacionamentos abusivos e morte de mulheres que teve contato com esse tipo de predador.

Colocado de maneira interessante, a analogia feita pela autora, de que todos temos predadores e a qualquer momento podemos nos tornar vítimas, e como o nosso instinto avisa a aproximação ao sinistro que seria este homem. Ela diz ser necessário a compreensão em relação ao predador, para então, sabermos como não nos deixarmos vulneráveis a possíveis ataques. Para o predador, é um jogo de controle até o próximo passo ser dado, dando fim a vida ou qualquer que seja o objetivo.

O reconhecimento da zona de perigo se tem devido a qualquer convívio passado com algo parecido, algumas mulheres já são ensinadas desde muito nova a proteger-se de predadores, deixando os instintos e garras, atenta a todo instante, o que vem a ser exaustivo e corriqueiro na vida de uma mulher, independente de qual mulher seja, todas em algum momento enfrentaria seu predador.

A irmã mais nova ignorando os conselhos das mais velhas, e a mãe não impedindo-a, é um triste retrato de situações até mesmo atuais, a mulher se permitindo entrar no relacionamento sufocante e controlador, com esperanças tolas de que amanhã será melhor, ele vai melhorar ou que não é tão ruim quanto parece, no final, nada melhora e de fato, era tão ruim quanto parecia, às vezes, se torna ainda pior.

É um livro de estudos de muitos anos, o conteúdo é denso mas essencial. Temas dos mais profundos aspectos é proposto, sentimentos, vidas, perspectivas da vida da mulher. Clarissa Pinkola Estés, têm como base a psicologia junguiana e apresenta ao leitor uma evolução e transformação na vida de muitas mulheres e manipulações sofridas no decorrer da história da humanidade. Temos contato, então, com a essência da alma feminina e seus instintos. O caminho que seguimos e a vivência da Mulher Selvagem dentro de nós.

 

The Arc of an Scythe — Trilogia por Neal Shusterman

O primeiro livro tem o título traduzido “O ceifador”, teve sua primeira publicação em 2016 e o segundo “A Nuvem”, em 2018, já o terceiro da trilogia ainda não chegou traduzido no Brasil mas já é existente desde 2019  — minha leitura foi  apenas dos dois primeiros livros, para evitarmos spoilers, nos post de hoje, falarei apenas o básico desse curioso universo.

Um mundo distópico, a tecnologia avançou nas mãos da humanidade e agora quem mantém esse universo em ordem é essa tecnologia, chamada Nimbo Cúmulo — ela vê tudo mas não controla cada detalhe apesar de ser uma possibilidade, a Nimbo Cúmulo deixou na mão da humanidade o nascimento e a morte da população, apesar de ter dado a imortalidade a todos. Passado séculos desde a Era da Mortalidade, a população continua a crescer e a maneira encontrada para manter um número que a Terra possa sustentar conforme os Imortais vivem, é a Ceifa.

A Ceifa fica espalhada por cada continente, ela é responsável por coletar a vida dos humanos. Muitos os temem, outros os adoram, outros os ignoram, a Nimbo Cúmulo é capaz de controlar tudo mas ela se abstém quando o assunto é a Ceifa e seus Ceifadores.

Neste livro é repleto de questões filosóficas e éticas, perspectivas e singularidades. Na página 14, uma das personagens principais, Citra, diz “…a esperança diante do medo é a motivação mais forte do mundo…” , conforme avanço na leitura percebo o quão necessário isso se tornou nessa sociedade, chegaram a um ponto de perfeição, de conquistas apenas imagináveis aos antepassados, e após as mesmices em suas vidas, alguns na humanidade perderam o prazer de evoluir, de criar, pois qual seria o próximo passo quando já se alcançou tanto? 

Há diversas facetas nessa humanidade e é curioso a forma como é tratado, quando até mesmo pular de um prédio e morrer, se transforma em divertimento, afinal, o fim de suas vidas é uma porcentagem minúscula em comparação a Imortalidade, ao menos que, um Ceifador te colete. 

Citra Terranova e Rowan tem seus caminhos entrelaçados, quando são oferecidos o cargo de aprendiz de Ceifador. O treinamento se inicia e adentramos nesse universo dos ceifadores. Ideias e estilos de vidas singulares, é interessante conforme avançamos na história e conhecemos esses pontos de vistas.

Uma das características que mais gostei, foi o fato de ter trechos dos diários de ceifadores, assim, conhecemos a mente de cada um, mesmo que apenas um pouco, temos um gostinho de suas convicções e insere questionamentos e explicações relacionado a narrativa do livro, situando o leitor da realidade retratada.

 

Um dueto sombrio por Victoria Schwab

Desde o final de A Melodia Feroz, as personagens seguiram seus destinos, devido às escolhas feitas por eles, as consequências estavam aguardando, não havia mais como fugir. 

No segundo e último livro da duologia, nos aventuramos ao lado de Kate e August, em Um Dueto Sombrio eles têm suas batalhas pessoais a serem enfrentadas. Monstros que os cercam, monstros escondidos dentro de si mesmos. 

August se tornou capitão dos soldados da resistência, parando de resistir daquilo que o assombrou por toda a vida. Se viu aceitando calado, mesmo que doesse, teria de viver sendo o que era, apenas dessa forma, poderia ter alguma esperança. As notas saindo de seu violino, e o ar escapando dos pulmões dos pecadores, assim, August salvava quem podia, aceitando os que fugiam do massacre do outro lado da cidade, se juntando a resistência.

Ao contrário de August, que preferia afastar os maus que ele via em ser um sunai, a monstruosidade que sua natureza remete, afastando a humanidade que tanto sonhava. Temos Kate, caçando monstros desconhecidos em cidades vizinhas, a evolução da personagem e o enfrentamento contra seus monstros pessoais e aos que a cercava era óbvio, e crescente. 

Chega a um ponto da história que não há como negar, a atração que ela sente em relação a própria cidade, e quando o inimigo desconhecido aparece, Kate se vê sem nenhuma opção além de lutar ao lado da população sobrevivente e controlados por monstros de seus passado.

O inimigo desconhecido aqui é invisível e se alimenta de algo que nenhum sobrevivente em Veracidade sabe. Ideias e maneiras de lidar uns com os outros na  guerra precisam ser revistos, uniões precisam ser feitas. Fugir não é uma opção. 

O caminho a frente é sangrento, sombrio, violento e desconhecido. Para Kate e August, não enfrentar os monstros que vivem dentro de si mesmos não é uma alternativa e neste último livro vemos como isso será feito. E que nem tudo é como esperávamos.

 

Todo mundo tem uma primeira vez

União de contos que chegam de surpresa, nos marcando e dando aquela sensação de nostalgia, mesmo não tendo vivido algumas dessas situações, conforme eu lia, esse sentimento não era afastado, apenas uma crescente, tornando a leitura leve e deliciosa numa tarde de domingo.

Ao iniciá-lo esperava por primeiras vezes típicas mas fui surpreendida entre diferentes vivências, sonhos, tristezas e medos. Cada conto feito de carinho e dedicação de autores brasileiros, compartilhando com o leitor suas palavras e histórias, transformando e abrindo a mente do leitor ao mostrar pontos de vistas que há muitos foram negado.

Tenho salvo comigo um trecho lindíssimo introduzido na apresentação do livro, narrando ao leitor o propósito do livro, quero deixar aqui para alimentá-los com essa perspectiva e que deem uma chance a esse compilado de primeiras vezes singulares.

“A literatura é uma herança. Quem escreve hoje, no Brasil, carrega as mãos uma história de muitos autores que vieram antes, mas também dos que não tiveram voz. Carrega também, a responsabilidade de escrever um novo mapa, uma rota, a construção de um farol para quem está vindo passos atrás, tentando aprender sobre a vida.” — Socorro Acioli.

Para mim, uma amante de livro, uma jovem escritora que encontra sua inspiração ao meio das palavras, que busca nelas o apoio e esperança, essa simples frase, me fortificou e causou admiração. Que nossa literatura continue a dar voz e vida aos diferentes leitores.

 

Eu Quero Mais por Tayana Alvez

Elizabeth se muda para São Paulo ao iniciar na universidade que tanto queria. Entre relacionamentos, amizades, questionamentos e crescimentos pessoais; a personagem tenta se acostumar com a nova rotina, ao redor de pessoas desconhecidas. 

Vemos neste livro, o desenvolver da personagem, o autoconhecimento, o progresso mesmo que demorado, sobre aquilo que é necessário na vida dela e aquilo que apenas a tem causado mal. 

A personagem em cada capítulo vai abrindo os olhos para o que a cerca e descobrindo quais as prioridades e o que será preciso para realizar os próprios sonhos e seguir os princípios que carrega consigo.

 

Trilogia Grisha por Leigh Bardugo

O universo Grisha é mais explorado por Leigh Bardugo nessa trilogia, e confesso que, esta é a razão para continuar minha leitura, ao contrário da duologia da autora, que se tornou um dos meus mais queridos livros, esse foi sem graça e pouco cativante, apesar disso, a escrita de Bardugo é leve e carrega a história de maneira que me estimula a continuar.

Ocorreu poucos picos que me arrebatou e tirava-me o fôlego através da leitura, o desenvolvimento de personagens é tedioso, poucos deles foram interessantes, a possibilidade deles serem trabalhados melhor é existente, tanto que, acredito que se a autora se aprofundar nessa trilogia com seu conhecimento atual seria muito superior ao maçante resultado desses livros.

Alina Starkov, uma órfã e com pouco a se importa na vida. Levava a vida monótona no regimento militar do Primeiro Exército, trabalhando como cartógrafa, até que se vê correndo perigo numa das expedições e seu melhor amigo, por quem é apaixonada, se fere e têm, surpreendente, o poder que se escondia nas entranhas dela revelado.

Com o poder revelado, ela é reconhecida como uma dos Grishas e é levada a corte real para receber treinamento como tal, no mundo de guerra e com os Grishas quase extintos é necessário que se mantenham unidos e treinados por seus poderes.

O Segundo Exército, dos Grishas, é liderado pelo Darkling, um poderoso Grisha, histórias sobre ele é sussurradas entre o povo de Ravka, e ali com ele, Alina é introduzida em um mundo que há pessoas que possa se assemelhar e entendê-la. 

Em meio às novas adaptações, a personagem se vê tendo que lidar com a atual vida e o peso de seu poder, o que isso importa e como poderá ajudar seu próprio país. Entre segredos, descobertas e escolhas, Alina Starkov se aventura no mundo das sombras que cai sobre Ravka e busca por desenvolver a conexão com seu poder Grisha.

 

Memórias Póstumas de Brás Cuba por Machado de Assis

Machado de Assis, o tão reconhecido autor e figura de extrema importância para a literatura brasileira. Seus ideais, suas críticas provocativas, suas histórias cativantes e personagens que causam desconforto, que para mim muitas vezes seria difícil de suportar numa leitura, não ocorre quando se trata dos livros do Machado, o autor tem a capacidade de quando inicio um livro seu, o mais insuportável que seja a personagem, quero consumir cada palavra que ele propôs através de sua escrita.

Neste livro, o autor traz ao leitor um defunto como narrador, após sua morte, ele relembra fases da vida que teve, escolhas que fez e memórias que o assombra. Sarcástico, egocêntrico e provocador, atraindo a atenção a leitura aos detalhes de sua própria morte, inicialmente, para então, nos narrar a infância e os anos seguintes.

Brás Cubas, teve amores, amizades, aventuras e mudanças de ideias, muito crítico e reclamão, então, Memórias Póstumas de Brás Cuba nada mais é que, o personagem defunto que escreveu o livro sobre sua vida, ele retrata seu ponto de vista daqueles que traçou algum caminho na sua existência e narra, de maneira interativa, desastrosa e um tanto autocrítica.

 

 

Se você leu até aqui, obrigada, quem sabe podemos conversar mais sobre algum livro? Caso se sinta confortável, comente, ficarei muito feliz de saber o que se passa por aí. Se cuidem!

E não se esqueçam: desejo a todos o conforto e conhecimento dos livros!

 

escrito por: AMANDA MARIA

filha da lua leu — fevereiro

Os sete maridos de Evelyn Hugo por Taylor Jenkins Reid

É exatamente aquele tipo de livro que os comentários dos leitores são bons e sempre tem alguém recomendando-o, normalmente, tenho receio de livros assim pois, às vezes, me decepciono, o que claramente, não ocorreu com Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, e tenho a absoluta certeza que, foi uma das minhas leituras mais fáceis, cativantes e surpreendente deste ano, e estamos apenas no início dele.

Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, escrito por Taylor Jenkins Reid, foi publicado pela primeira vez em 2017. Trata-se de um romance, a estrela de Hollywood Evelyn Hugo já aos oitenta anos decide, finalmente, falar sobre sua vida e segredos, encerrando com as especulações que girou em torno de toda a vida dela. 

A história inicia-se com matérias sobre a personagem, que neste livro é uma grande, renomada e marcante atriz. Evelyn Hugo está decidida a falar apenas com a jornalista Monique Grant — em algumas partes o ponto de vista varia, mostrando a jornalista e como a partir do momento que se envolve com a atriz sua vida é afetada —  é interessante observarmos a evolução entre ambas personagens e o individual delas, pois ali mostra uma mulher que sempre teve a visão de suas atitudes distorcida pela sociedade e outra mulher lidando com os problemas pessoais e profissionais da vida contemporânea que vive. Atualmente, sozinha e após sete maridos Evelyn anuncia que terá sua vida publicada em um livro, escrito por Monique, e é exatamente quando tudo torna-se surpreendentemente arrebatador, cada página que eu lia queria saber mais e mais. Evelyn Hugo é marcante por si só, e ver a narrativa da personagem no desenrolar da história era envolvente.

Evelyn Hugo é uma mulher que após muitas dificuldades na vida pessoal e da vivência no mundo artístico aprendeu a lidar com tudo em seu mecanismo de defesa, tornando-se uma pessoa que coloca-se em primeiro lugar e não sente vergonha por conta disso, faz o que é necessário para conseguir o que quer. A personalidade da personagem é o que torna tudo ainda mais fascinante. Evelyn expõe-se detalhadamente, ninguém mais falará por ela, e desde o início deixa claro que não tem a mínima obrigação de fazer sentido para Monique ou qualquer outra pessoa, para jamais colocá-la em um caixa com o motivo de seguir padrões que não é de sua natureza. Evelyn é inspiradora, com toda sua autenticidade, vê-la narrando a amarguras, prazeres e desprazeres, aumenta a vontade do leitor de compreendê-la, torna-se busca pela realidade da personagem e suas razões.

Enquanto Evelyn narra sua história, monique escreve e é uma mistura de visões e nuances conforme o livro se desenrola. A personagem teve sim sete maridos, mas nenhum deles chegou a ser o mais importante. Quando Monique pergunta para Evelyn quem foi o grande amor da vida dela, pensei, o segredo está aí, exatamente, nessa parte não contatada para ninguém; o questionamento que todos fizeram no decorrer da vida da personagem, pois suposições era o que mais cercava quando era relacionada a Evelyn hugo.

Amei cada momento entre Evelyn e um de seus maridos, o seu amigo mais íntimo  confiável, o pai de sua filha e aquele que tanto apoiou ela. Deixou meu coração aquecido ao ver a amizade verdadeira, os dilemas da vida de cada um e a forma que se ajudaram em toda a vida.

São poucas palavras para descrever o amor da vida de Evelyn Hugo, sem entrar a fundo no assunto e falar mais do que deveria, pois quero deixar a experiência única de cada um de vocês, ser apenas sua. Posso dizer apenas sobre a maneira como ela e sua esposa viveram cada momento de suas vidas juntas, o amor, a confiança, o sentimento. Era uma variação de afeição, carinho e nervoso quando se tratava das duas. Duas mulheres que a linha da vida uniu e poder ler sobre o desenvolvimento do relacionamento delas, do crescimento pessoal, sobre escolhas que fizeram e o resultado delas, era magnetizante. Quando tratava-se delas era possível ver que não estavam prontas a ter um comprometimento, pelo menos não na fase inicial, e tive imenso deleite ao ver quão real o amor entre as duas foi, através da leitura, você de fato consegue compreender os personagens e suas variantes, e como precisamos entender a nós mesmos para então entender o próximo.

O que mais me agrada nesse livro é a personagem em si, a personalidade marcante, inspiradora e singular. Evelyn Hugo nos ensina sobre não deixar nossas vozes serem caladas e como somos nós quem deve narrar nossas história, sem se importar com a visão que os outros terão sobre e sim como você quer ser. 

Como a própria Evelyn diz: “Ninguém merece coisa nenhuma. A grande questão é quem tem disposição para ir atrás do que quer (…)”. E é justamente dessa forma que sinto-me após esse livro, a disposição de ir atrás do que almejo e sonho, pois apenas eu tenho a capacidade de fazer isso por mim.

A todos que leram até aqui, digo: leiam Os Sete Maridos de Evelyn Hugo, busquem por suas vozes serem escutadas e suas histórias serem narradas por ninguém menos do que a si mesmo.

Chronos por Rysa Walker

Chronos: viajantes do tempo, escrito por Rysa Walker, se trata de um universo em que é possível a viagem no tempo, Kate Pierce é uma das poucas que tem a capacidade para tal coisa, o genes de historiadores foi passado entre família, Kate o herdou de sua avó Katherine.

A linha do tempo está completamente bagunçada, sendo alterada gerando consequências, um poder superior tentando controlar tudo e a todos. Kate se encontra no meio de algo que jamais considerou existir além dos livros que lia. Katherine conta para a neta a realidade anônima até então e os segredos que escondeu por segurança. De início a personagem descobre o motivo da atual confusão que lhe cerca e qual é seu papel naquele meio.

Esse mundo relatado no livro é desconhecido não apenas para o leitor e sim para a própria personagem, então de primeiro temos toda uma explicação sobre esse universo, suas leis e regras. Kate deverá voltar no tempo em um período que sequer existia, e antes disso acontecer ela precisa aprender como.

Em teoria, achei interessante a viagem no tempo, os obstáculos e efeitos que é relacionado ao mundo criado pela autora, o que me entristeceu foi o fato da Kate não agregar a história, toda a narração era mais empolgante quando a avó dela estava envolvida, até mesmos os fragmentos que teve dos diários da Katherine era mais relevante e atraente no livro; tornou-se cansativo ter que aturar uma personagem que não se fez notável, até mesmo o triângulo amoroso que surgiu era inútil e não importava, Kate poderia ter sido melhor desenvolvida; a realidade bateu quando percebi que continuaria a narrativa forçada e sem graça dela. 

Confesso que quem fez eu prosseguir a leitura foi a avó da personagem e toda a vida e segredos que tinha, independentemente de qual época, ela era profundamente mais intrigante e significativa para o livro.

Sinceramente, escrever algo relacionado a este livro sem soar negativa se torna difícil pois a minha leitura não foi agradável, o que é decepcionante, era um livro que tive grandes expectativas.

Medo Imortal

Medo Imortal é uma antologia feita pela Darkside dos escritores da literatura brasileira, é composto por membros da Academia Brasileira de Letras (ABL). Logo de início é introduzido o contexto em que esses autores viveram e o momento do mundo literário. A história e conceitos atrelados a fundação da ABL, dando ao leitor o entendimento para seguir a leitura. 

Fazendo uma breve contextualização, a ABL inspirou-se na academia de letras já existente na França, até mesmo em alguns preceitos interligados a eles. Os membros da Academia Brasileira de Letras buscavam pela elevação da literatura brasileira apesar de suas inspirações virem de outros países queriam a literatura daqui sem a influência eurocêntrica presente na época. Infelizmente, as mulheres puderam fazer parte da ABL apenas oitenta anos após fundada, o que claramente, mostra a falha entre pessoas que pregavam a elevação cultural brasileira, mas deixou-se cegar pelo conceitos presentes na academia da europa.

A falha de algo tão simples, a falta de inclusão, abolia a hegemonia masculina quando a Rachel de Queiroz foi eleita como uma dos membros, após 1976, visto que ABL foi criada em 1897. Os Imortais é uma homenagem aos quarentas fundadores da ABL, quarenta e um incluindo uma cadeira, a de Julia Lopes de Almeida, que no período era deixada de lado mas não inexistente na importância da ABL. Neste livro está incluso treze autores relacionados a ABL, constando seus textos, contos de literatura gótica que se fez presente na época.

Por ser um livro repleto de contos importantes e únicos, de características variadas em cada autor colocado, falarei aos poucos dele, concluindo, não será um livro finalizado de uma vez só.

O autor de abertura não poderia ser ninguém menos do que Machado de Assis (1839-1908), o ilustre e respeitável escritor, ele é um dos grandes marcos da literatura brasileira, mesmo após tantos anos sua histórias, sua escrita se mantém em destaque, Machado foi essencial para o mundo literário e continua sendo, a desenvoltura dele como escrito é memorável e podemos aprender, cada vez que se lê algo dele deixa o gostinho de querer mais, pois sua maneira única de escrita foi a frente de seu tempo.

São as seguintes obras incluídas neste livro: A Igreja do Diabo, A Vida Eterna, Um esqueleto, Sem Olhos, A Causa Secreta e Pai Contra Mãe. Estas obras foram publicadas em sua maioria em jornais da época.

Nestas obras Machado criou histórias e personagens complexos e atitudes que muitas vezes podem causar horror ou até mesmo repugnância. Não é simples a maneira que ele desenvolve seus enredos.  

Há uma parte na introdução anterior as histórias dele que questiona o porquê de sermos seduzidos pelos atos monstruosos e continuarmos com a leitura, e é exatamente assim com Machado de Assis, ele tem a eficácia de criar obra desse patamar, de mesmo tendo personagens que nos faz querer entrar nos livros e dizer poucas e boas, jamais cogitamos largar o livro sem saber a finalidade, como se fosse um pecado tal coisa. Machado causa ao leitor a aspiração de saber o que acontecerá na próxima página. Talvez ele tivesse o conhecimento dessa competência, talvez não, mas ele utilizou-a esplendidamente. 

O autor tem sua obscuridade incomparável com a pitada de realidade, soube relatar vidas através de críticas muito bem construídas no humor que dificilmente se encontra em outros autores. Mesmo já tendo lido outros livros dele passei a notar o padrão que se segue na escrita dele, os caminhos que ele segue, deixando sua marca, e é curioso como após leituras de suas obras consigo identificá-lo, nunca fui de reconhecer as características de escritores tão rápido como tem sido com Machado, e isso se faz devido a particularidade dele, e isso é o que torna alguns livros mais especiais para mim do que outros, a individualidade de cada autor com suas obras e maneiras de seguir com a escrita.

São contos cruéis mas podemos perceber traços existentes na sociedade da época e de traços que se assemelham aos dias atuais. É finalizado a introdução de Machado com a seguinte frase, que eu não poderia achar um jeito melhor de referir a ele e as obras que compõem Medo Imortal, segue:

“Trata-se de um dos retratos mais pungentes e dramáticos do tema, que é capaz de evocar o mais puro horror sem a necessidade de apelar ao sobrenatural. Bastou a Machado de Assis apenas falar da realidade.”

A frase é referida a um dos contos presentes, que é sobre a escravidão que nosso país vivenciou e que feriu a tantos de modos que sequer consigo encontrar palavras para comentar, é doloroso mas tão realista que ao ler é necessário um momento para processar tudo.

Machado de Assis soube como deixar seu marco na literatura, e cada vez mais penso que continuaremos a apreciar suas obras e desejo apenas que valorizemos suas criações. 

Voltarei a comentar sobre os demais autores compilados neste livro, esta é uma composição repleta de conhecimento literário e obras que agregam a cada leitura feita, levarei o tempo que precisar e achar necessário para aproveitar devidamente cada uma dessas histórias.

É gratificante poder consumir tais conteúdos. 

A Melodia Feroz por Victoria Schwab

Aqui estou lendo outro livro da Victoria Schwab, não há como negar, realmente encontrei grande deleite em cada universo criado por ela, e o deste mês foi A Melodia Feroz.

A resistência de um lado e a outra em que monstros estão no controle, o maior deles sendo um humano e pai de um dos protagonistas. Kate Harker que sempre teve em mente o pai como modelo, buscando pela aprovação e por ser tão cruel quanto ele. E do outro lado da cidade existe August Flynn filho do líder completamente oposto do pai de Kate. 

Temos uma cidade dividida ao meio, entre norte e sul. A violência neste mundo gera consequências, sendo elas os monstros. Há três tipos de monstros: corsais, malchais e sunais. Pode-se dizer que há quatro tipos, o últimos deles sendo os humanos que em sua maneiras causaram a destruição entre si.

August se vê tendo a missão de ficar de olho em Kate, pois se uma possível guerra entre norte e sul se tornar real, seria útil tê-la de alguma forma. O problema inicial em questão é, August é um sunai, aqueles que através da música a alma de pecadores sugam, e Kate pode não ser uma pecadora mas é uma filha de quem controla os monstros, o confronto entre duas realidades dá aquele friozinho na barriga em cada interação entre os personagens.

A Victoria trouxe neste livro personagens com dilemas que se resumem a enfrentar o monstro que temos dentro de nós ou que nos cercam, e como sempre, a autora soube trabalhar a violência e monstruosidade de um modo belo e arrebatador, seduzindo o leitor na narrativa que ela cria.

Quando o baque da realidade entre os dois personagens acontecem e eles se veem tendo que confiar um no outro, a história se desenrola na aventura e busca por sobrevivência, a amizade e desenvolvimento das personagens, o ponto de vista e criação deles, a maneira que pensam e se sente, não fica cansativo ver o questionamentos que surgem na mente de ambos e a forma que lidam com isso. Causa ao leitor desejo de acompanhar o desenvolvimento deles.

O que conquistou minha atenção foi os monstros criado pela Victoria, os sunais simplesmente me deixaram sem fôlego, foi brilhante e ver a particularidade de cada um fascinou-me. Todo momento que August se alimentava da alma de um pecador (assassinos neste caso), eu não conseguia pensar em nada além daquela cena, ler detalhadamente o ato, um personagem distinto, o desenrolar dele foi satisfatório de presenciar. Ele toca o violino e as almas brilham em confissão de seus pecados, alimentando-o e mesmo que ele tenha aversão a isso faz parte de sua natureza, eu venero a forma que a Victoria cria personagens tão únicos e faz a história girar em torno deles tão naturalmente.

Mesmo sendo o ponto de vista de dois personagens os outros que os cercam agregam tanto para o enredo e proporciona ao leitor o entusiasmo de seguir com a leitura em cada página.

Victoria agradeço por sua habilidade em entregar obras e universos tão extraordinários.

 

Sei que demorei a publicar sobre os lidos de feveiro mas todos temos os nossos altos e baixos, às vezes, nada do que escrevemos parece estar bom mas o importante é não desistir, então venho aqui honrar o comprometimento que fiz comigo e a qualquer um que se disponha a ler o que publico.

Desejo a todos que encontrem algum conforto nos livros!

escrito por: AMANDA MARIA

filha da lua leu — janeiro

Este será um quadro que escreverei sobre livros que li no mês e tudo o que me fizeram sentir e pensar. Espero que seja interessante para vocês contribuindo de certa forma assim como foi para mim. Minhas leituras não se prendem a apenas um gênero literário, então, acredito que possam encontrar inspirações para algum livro que agrade as preferências de vocês.

O vilão por Victoria E. Schwab

A escrita da Victoria E. Schwab é recente para mim mas já tornou-se uma das autoras que mais tenho o prazer de ler e aprender. Ela é inspiradora, a escrita sincera e leve. Tratando de tópicos que atraem o leitor, de uma maneira tão interessante, com personagens bem construídos. Diálogos que estimulam a leitura a ser mais agradável e uma história contínua. cheia de altos e baixos, tramas e traumas, complexidades e questionamentos provocados pela própria autora.

O que é bom ou mau, realmente existe apenas um lado? ou será que todos temos tendência para ambos os lados e vivemos em meio termo, nenhum dos dois, apenas somos e dependendo da circunstância nossas atitudes e escolhas ultrapassam o que é esperado como bom. 

Livro que te faz pensar e duvidar sobre suas atitudes. Um ponto de vista, um propósito, uma vida e suas escolhas com a variação na linha do tempo tornando tudo ainda mais interessante e deixa uma pitada de curiosidade genuína! Quem é o vilão? Não somos todos o vilão da vida de alguém?

Entre as intrigas, destinos e vidas que cruzaram o caminho uma da outra, ao ler conhecemos personagens complexos e suas razões pessoais para cada ato mesmo os mais inconscientes e como pode afetar o outro. O ódio dos personagens entre si, muito bem retratado, e a exploração com outras personagens que agregaram para a história uma característica única e importante. Cada um tem a visão de algo e isso intervém  no comportamento em relação a tal contexto. Retrata tópicos muito bem aprofundados, cenas pesadas que podem deixar o leitor desconfortável por seu detalhamento mas é a verdade nua e crua de pontos em que o ser humano pode atingir. O que o poder de qualquer tipo pode fazer com uma pessoa, como será usado, como se manifesta.

We Are Okay por Nina Lacour

Estamos bem “We are okay” em inglês, foi escrito por Nina Lacour,  publicado em 2017. 

Um livro com poucas páginas mas com tanto a dizer. Com tanto a sentir. Sobre o luto e a maneira pessoal que a personagem lida com isso. Sobre uma personagem que pouco sabia da vida e que tanto já havia perdido. Sobre perdas, sobre solidão, sobre o amor em diferentes formas. E sobre não estar sozinho.

Sobre auto-conhecimento, e como fingimos até não aguentar mais a ficção criada para escapar daquilo que nos fere.

É um lindo livro, a personagem que muitos podem encontrar semelhança e conforto em como encara a vida. É real, sincero, tocante de um jeito único, íntimo. Mostra a jornada de uma adolescente criada pelo avô segredos e coisas não ditas mas sentidas, os mais profundos dos pensamentos. A dor, o amor, e toda a linha cruzada nesse maremoto de surpresas que a vida pode prover.

Não é acredito que seja um romance mas existe um casal com a proporção necessária na história, não ficou forçado e achei formidável o modo que foi escrito fascinante e extraordinário assim como tudo na visão de uma vida imprevisível e cheia de entusiasmo.

É retratado como desabafo do crescimento precoce e doloroso mas verdadeiro.

Pétala por Olívia Pilar

O conto escrito por Olívia Pilar, a autora é brasileira e tem outros contos publicados que recomendo darem a chance de uma leitura. O conto foi publicado em 2018 e tem a versão ebook na amazon.

A história gira em torno de um encontro entre as duas personagens (Bruna e Pétala) que tem tanto a dizer uma a outra, decisões a serem tomadas e o medo do resultado que seus desejos pessoais podem causar ao serem dito. É belo e simples, duas mulheres que não são namoradas mas que também não são apenas amigas. E que querem mais. O pequeno conto mostra as duas tomando um café e relembrando momentos que viveram juntas, um momento importante para as duas e escrito com tanto carinho (pelo menos foi dessa forma que senti). Uma leitura curta mas cheia de carisma.

Just Juliet por Charlotte Reagan

Pelo menos uma vez no mês preciso da minha dose de romance clichê na veia, sou apenas uma leitora que vê um clichê e quer ler, principalmente um romance gay. É a fórmula perfeita, sinceramente.

Foi minha primeira leitura da autora apesar de gostar algumas parte me causou incômodo, busquei por uma representatividade mais ampla e não encontrei, o modo que levou determinadas partes não foi surpreendente e apesar de ter uma escrita agradável tornou-se repetitivo. 

Em Just Juliet, Charlotte Reagan, mostrou realisticamente a vida adolescente. Os personagens secundários e principais têm as próprias história e é bem colocado apesar de pouco adentrar nos temas expostos são interessantes e agregaram entusiasmo a leitura. Pude sentir afeição na relação construída entre eles e por cada particularidade em suas características.

O labirinto do Fauno por Cornelia Funke e Guillermo del Toro

Escrito por Cornelia Funke em uma versão fascinante e memorável do filme de Guillermo del Toro. O livro é ilustrado e repleto de fantasia, o que torna tudo muito prazeroso em cada página lida.

Acredito que essa leitura foi uma surpresa para mim nunca havia lido um livro que veio de um filme apenas o contrário, não tive contato com o filme antes da minha leitura mas ao olhar a capa e ver um pouco sobre o que se tratava já instigou a minha curiosidade, alguns dias depois já me vi comprando-o e nesse mês me aventurei nele.

Uma menina que encontra nos livros o conforto que busca em um mundo em guerra e cheio de dores. Seu pai morre e a sua mãe se vê obrigada a casar em um tempo que sua voz jamais seria escutada e tendo apenas um papel a ser interpretado. Elas se mudam para uma casa na floresta junto com um capitão do exército da Espanha e ali a pequena Ofélia vê sua vida virando de cabeça para baixo. 

A personagem adentra em um mundo mágico e que muito ela encontrou apenas nos livros que carregava a todo lugar. É cativante e ativa a imaginação do leitor. Encantadoramente escrito e tão bem descrito o modo em que o universo mágico e o real aquele preso em guerra, sangue, sombrio se intercalam, a semelhança que fingimos não existir mas que está explícita em cada ato.

A leitura não é leve apesar de parecer apenas a visão de uma criança a fantasia tem o tom obscuro e personagens peculiares de atitudes duvidosas. Apreciei o modo que cada um acredita estar fazendo o certo e como podemos ver isso quando o ponto de vista do personagem é narrado.

Um dos trechos que mais marcou a minha leitura foi bem no começo, por volta da página 20, a seguinte frase: “Ofélia assistiu a tudo isso do banco de trás do carro, desprezando a possibilidade de estender a mão ao Lobo, como a mãe lhe pedira para fazer. Então finalmente saiu do carro para não deixar a mãe sozinha com ele, apertando os livros junto ao peito feito um escudo de papel e palavras.” simplesmente não posso ver a confiança de uma personagem ser depositada em livros e o amor pela leitura ser retratado que fico sentimental, o trecho de fato marcou toda a minha leitura, a maneira que  em toda minha vida encontro o conforto nas palavras e busco por segredos que um livro pode revelar, me leva a ser cativada por trechos como esse.

Six of Crows e Croocked Kingdom por Leigh Bardugo

Duologia escrita por Leigh Bardugo, o primeiro livro foi publicado em 2015 e realizei a leitura apenas agora  como um pouco sempre atrasada  para mim não poderia ter sido uma leitura mais envolvente do que essa. 

Ultimamente, tenho focado na busca por autoras de fantasias que podem me ensinar algo (penso que livros sempre podem agregar conhecimento de certa forma) mas com isso em mente, eu buscava por aprendizado  como uma escritora que tem lutado para criar o seu universo pessoal  e ver outras autoras e suas obras me dá inspiração na escrita e na vida. E a Leigh Bardugo entregou isso lindamente em cada palavra.

Six of Crows se passa em um universo já escrito por Bardugo, que primeiro foi visto na Trilogia Grisha, nunca cheguei a ler os mesmos e fiquei com medo de gerar confusão quando lesse a duologia mas pelo contrário, fluiu tudo muito bem e entendi de maneira precisa, Leigh Bardugo soube bem como fazer isso. 

Logo no início ela introduz o universo Grisha. Essa história gira em torno de seis personagens peculiares que vivem em Ketterdam, capital de Kecth. Ladrão. Sangradora. Espiã. Atirador. Fugitivo. Prisioneiro. Essas são as descrições iniciais sobre os personagens. Kaz. Nina. Inej. Jesper. Wylan. Matthias. Uma palavra que poderia resumir bem mas acaba sequer sendo a superfície desses seis.

Jovens que foram corrompidos por uma sociedade corrupta. Traumatizados pela vida pegaram suas cicatrizes de deram os pontos eles mesmos e cada um, de maneira única, escolheram qual seria a defesa que seria criada e levantada contra todos, pois, deveriam estar preparados para jogar como os outros, saber cada regra e se necessária criar suas próprias e fazer com que os sigam.

Kaz Brekker, o trapaceiro Mãos Sujas e dono do Clube do Corvo, lidera uma das gangues mais conhecidas de Ketterdam e é contratado para realizar um roubo extremamente perigoso que poderia resultar com sua cabeça decapitada ou qualquer outra morte horrível. Ele precisaria de uma equipe em que confiasse e ao nível requerido.

Seis personagens, seis pontos de vistas, seis vidas completamentes farta de segredos e coisas não ditas. Eles não poderiam ser tão diferentes um do outro e terem uma química tão boa como personagens  mas acontece e isso é incrível  e é óbvio que a junção de personalidades tão diversificadas geraria acontecimentos únicos para a história.

O primeiro livro tem uma parte inicial como introdução para esse universo e depois páginas consecutivas da história pessoal de cada um deles sendo reveladas e dando ao leitor em cada palavra a empatia e apego por todos, o que é intrigante, mesmo que algum dos seis fizesse algo horrível ou que causasse algum tipo de repulsa e raiva, você ainda consegue se importar plenamente com eles. Os detalhes de suas vidas antes e como chegaram suas realidades atuais cativa o leitor e gera curiosidade. Neste livro mostra a jornada deles realizando essa aventura repleta de perigo e insegurança mas é mágico ver a mente genial deles trabalhando para a excelência e dinheiro afinal, é o que importa aqui, pelo menos eles acham que seja isso.

Já no segundo livro a autora trouxe o pós roubo e sobre isso não falarei muito pois esse post é Spoiler Free. É esplêndido o quanto Bardugo conseguiu evoluir sua escrita e os personagens, no primeiro já achei tudo na medida certa apesar de querer mais, e em Croocked Kingdom ela faz isso magisticamente. 

A duologia gira em torno dos personagens, tem tudo acontecendo nesse universo mas o que realmente importa são os personagens, e o modo que isso é construído me agradou muito. No segundo livro, Leigh Bardugo conta e revela para os leitores mais dos segredos dessa equipe diversificada. Eu poderia passar horas falando sobre cada um deles e suas características, histórias e escolhas mas esse não será o momento. 

É belo como a autora deu a singularidade de cada um deles a atenção e desenvolvimento devido. Personagens femininas belamente construídas e representadas. Romances realistas e encantadoramente escrito. Cada história, cada palavra, devorei com o maior contentamento. Após finalizar ambos precisei de um momento para me recuperar, chorei como nunca havia chorado por um livro, e lhes digo que, não foi apenas por tristeza e sim por ter sido tão bem escrito que Bardugo deu um fim que eu poderia ter visto realmente acontecendo com cada um deles, algo respeitoso. Acredito que é respeito o que a autora tem por seus personagens perfeitamente inspirador.

Tive o imenso prazer de conhecer a voz  e história de cada um dos seis personagens e espero que vocês também!

 

Dedico esta publicação para Victoria Schwab e Leigh Bardugo, que nos últimos meses me ensinaram e inspiraram de maneiras diferentes. Continuarei na busca por mais conhecimento e livros!

escrito por: AMANDA MARIA 

“Mentirosos” o que você pode saber sobre?

A escritora E. Lockhart, teve seu livro “Mentirosos” publicado em 2014, não é o seu único, a mesma já tem muitas outras obras publicadas, fiz a compra deste livro no ano passado e desde então o mantive em minha estante, tive vontade de lê-lo mas demorei muito para isso, e quando decidi dar-me a oportunidade de iniciar a leitura, sendo este o primeiro livro de Lockhart que passei a ter conhecimento obtive como resultado da minha escolha uma obra que atraiu a minha atenção; com a escrita atraente e cativante da autora me vi envolvida na história e terminei o livro em dois dias, querendo a todo momento saber a continuidade da história, a li rapidamente, devorando cada página com uma vontade pois almejava ser capaz de descobrir o que estava realmente acontecendo com todos aqueles personagens.

O que devo dizer sobre eles? O que você pode saber sobre? O que é necessário saber sobre a história além de que você deve ler para descobrir? Os Mentirosos são personagens encantadores, de personalidades extremamentes marcantes, cheios de vida e prontos para uma aventura. Os Sinclair são uma família padrão e extremamente rica, cheias de segredo, procuram não expor suas fraquezas e dilemas, eles são complexos e quando juntos na ilha da família todo verão, é como se ali fosse apenas o mundo deles e era isso o que importava. Mas vou lhe dizendo, este livro é muito mais do que isso quando se fala desses quatro personagens, Os Mentirosos jamais devem ser deixados apenas nessa categoria, eles são uma variação constante e intensa que te envolve a cada palavra, cada vírgula colocada na história.

Na minha leitura a cada página foi uma descoberta, uma teoria que eu criava ao imaginar qual versão é a verdadeira ou se sequer existe apenas uma versão, e que qualquer uma delas sejam reais. Eu não sabia se deveria confiar ou não na voz da personagem, queria apenas entender o que estava acontecendo e como ela resolveria os obstáculos que apareciam.

Todo verão a família ia para sua ilha particular, por muito tempo foi apenas os primos Cadence, Mirren e Johnny, eles conviviam uns com os outros mas faltava algo, até que Gat começa a ir passar o verão na ilha, ele não é um Sinclair, mas juntos as quatro crianças tornam-se os mentirosos, inseparáveis, é contado a união e como cada um se desenvolveu, com seus diferentes ideais e maneira de observar a vida, o grupo se completava e então era tudo o que importava, que estivessem juntos.

No verão dos quinze anos de Cadence, ela sofre um acidente que resulta em sua perda de memórias e os próximos dois anos ela luta com o impedimento de saber o que realmente se passou, ela volta para a ilha após esses dois anos, querendo então descobrir pelo menos alguma coisa, por si só, pois ninguém queria contar-lhe. Então, a história passa a mostrar o presente na vida da personagem e retornar para momentos vividos pela mesma quando mais nova. Cadence expõe seus pensamentos e como é tudo extremamente desalinhado, pois nem ela sabe o que é verdade, torna a leitura intrigante e te deixa aquela pitada de curiosidade e esperança de saber mais sobre a batalha que ela enfrenta para encontrar-se.

Os Mentirosos? Eles sentem. Eles pensam. Eles vivem. E eles fazem. Sem temer o que os causa medo, eles enfrentam. Sem se calar. Os seus ideais políticos e qual é a vida que querem levar, a escolhas que querem fazer, é totalmente fascinante, a visão de jovens que tudo e nada sabem, o florescer de cada indivíduo, poder ver o encontro dessas personalidades unidas e os diálogos que têm entre si torna a leitura incrível.

Ao finalizar a leitura questionei como eu pude não este lido este livro antes, e ao fechar a última página senti que foi completo, respondeu minhas dúvidas e envolveu-me na trajetória dos personagens. Uma das coisas que achei interessante foi a autora ter montado o mapa da ilha e a árvore da família Sinclair, também a ligação dos contos no meio da história que demonstrava muito com a personagem estava se sentindo ou simbolizando a situação que estava vivendo. É um tipo de livro que palavras não são necessárias para descrevê-lo e que a experiência de cada um deve ser única sem influência dos outros.

“Um dia arriscou ir à biblioteca do palácio e ficou satisfeita a descobrir como os livros podem ser boa companhia.” — Mentirosos, E. Lockhart.

escrito por: AMANDA MARIA

Quem tem medo do feminismo negro? por Djamila Ribeiro

Djamila Ribeiro, é a autora do livro “Quem tem medo do feminismo negro?”, publicado em 2018, pela Companhia de Letras. Esta é uma obra de ensaios autobiográficos, que conta com seus artigos publicados.

Djamila, nasceu em 1980 (Santos), ativista, filósofa e feminista. Ela é mestre em filosofia política e  uma escritora brasileira que esta sociedade contemporânea, em minha opinião, tem a obrigação de conhecer e  ler suas obras. Já trabalhou em áreas diversas, como: secretária e também colunista de alguns jornais, é escritora e coordena a coleção Feminismo Plurais, da editora Pólen. Ela tem dois livros publicados, “O que é lugar de fala” (2017) e “Quem tem medo do feminismo negro” (2018). Suas obras são essenciais e sobre assuntos que precisam ser discutidos. 

O livro é introduzido com a história da infância da autora, contando sua trajetória e autoconhecimento. Na infância foi quando obteve contato com a militância, e isso é retratado no livro, tem como foi o seu crescimento e envolvimento no meio militante e filosófico. Djamila conta como foi ser uma criança negra em uma sociedade racista, como era lidar com as dificuldades no ambiente em que vivia, e também, sobre o crescimento de uma mulher negra e sua autoaceitação, e sua relação com a autoestima. 

É cheio de conhecimento e uma bagagem histórica enorme, é sobre muitos que a sociedade tenta apagar. Nesta obra ela dá a voz para muitos que se viu sendo calados, constantemente, neste país racista, voz estas, que devem ser escutadas. Um livro sobre política, de grande aprendizado para quem o ler, não é uma leitura fácil, não pela sua escrita, que por sinal, é esplêndida e para todos, mas sim, por ser contado histórias que é dolorosas de serem lidas, porém, jamais devem serem esquecidas. É uma leitura compreensível e que deveria ser acessível para todos, pois é uma obra com textos que abrange temas indispensáveis a serem tratados.

Confesso que tive que fazer pausas entre um texto e outro, para refletir sobre o que havia lido; em muitas partes doía a minha alma e dava um nó na garganta, por ser a realidade de muitos, ainda atualmente. Há anos, que pessoas negras tem que aturar esse racismo constante, sendo censuradas e excluídas por uma sociedade hipócrita e eurocêntrica, isso tem que parar. É uma luta, que é enfrentada e caminhada a passos pequenos, mas com a cabeça erguida, a vida de pessoas negras importam, e pessoas brancas tem como obrigação escutá-las e não excluí-las do que é seu por direito, como para todos os seres humanos.

Mulheres filósofas, com obras magníficas e necessárias, são citadas em “Quem tem medo do feminismo negro”, muitos discursos históricos e marcantes, autoras como Simone de Beauvoir e Judith Butler, são uma grande base neste livro. Djamila cita nomes de grandes pensadoras e filósofas, que são autoras de obras que devem serem lidas pelo menos uma vez na vida, para expandir conhecimento enciclopédico, adquirindo um saber sobre assuntos que muitas vezes fechamos os olhos ou que não temos a oportunidade de estudar sobre. 

Tenho comigo, o pensamento de que, muitas vezes não temos força para adentrar em temas que venha a ser complicado e/ou sensível para nós, sei que temos nossas dificuldades e lutas pessoais, que fica até mesmo exaustivo pensar muito sobre um tópico de uma realidade que vai estar, continuamente, acontecendo, independentemente de você prestar atenção ou não, mas isto, não te dá o direito, de fechar os olhos e fingir que não acontece, e não fazer nada sobre, mesmo que seja em pequenas atitudes. Então, por favor, não deixemo-nos que fiquemos em uma bolha de privilégio e não reconhecer que há vozes que precisam ser escutadas, vidas que precisam ser libertas dessa sociedade que as sufocam. Temos que nos sensibilizar e pensar/criar melhorias.

Este livro se tornou muito marcante para mim, e sei que, releituras do mesmo serão feitas. Quando o discurso de Sojourner Truth de 1851 foi citado eu quis fazer com que o mundo a minha volta todo o lesse, acredito muito que, esta é uma obra que precisa, urgentemente, ser lida por todos. Aprendi muito sobre coisas que não sabia e aprofundei o conhecimento em outras que já tinha estudado, terminei a leitura grata por Djamila compartilhar seus textos conosco.

Quando Djamila fala “As autoras e os autores que eu lia haviam me ajudado a recuperar o orgulho das minhas raízes.” — Ler isto aquece meu coração de diferentes maneiras, pois livros e minha relação com eles é o motivo de grande conforto e aprendizado em minha vida, ver a representatividade  que muitos precisam ser retratada, é para mim, uma felicidade enorme, eu como escritora quero poder fazer isso por muitos e por mim, e poder ver outros tendo a sua representatividade em livros, me dá muito orgulho da literatura, e por favor, que muitas vozes possam ser escutadas e representadas!

Finalizo então, com duas frases muito importantes do livro:

“A construção da mulher negra como inerentemente forte era desumana. Somos fortes porque o Estado é omisso, porque precisamos enfrentar uma realidade violenta. Internalizar a guerreira, na verdade, pode ser mais uma forma de morrer. Reconhecer fragilidades, dores e saber pedir ajuda são formas de restituir as humanidades negadas. Nem subalternizada nem guerreira natural: humana.”  Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?

“Pensar novas epistemologias, discutir lugares sociais e romper com uma visão única não é imposição – é busca por coexistência.”  Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro?

escrito por: AMANDA MARIA

ECOS, uma história tocante, cheia de música e sentimentos.

A honrada escritora Pam muñoz Ryan, teve seu livro ECOS publicado em 2015, com uma belíssima capa estampando a ilustração feita por Dinara Mirtalipova, que não poderia ter detalhes mais certos do que estes para representar a história desse tocante livro, que te deixa sem palavras em toda a leitura e com seu design explêndido. No Brasil, foi publicado pela editora Darkside.

ECOS, é uma fábula tocante, cheia de música e sentimentos transportados para leitor de maneiras tão únicas. Tudo é descrito pelo olhar de crianças, o que torna tudo ainda mais encantador e genuíno. Tem uma pitada de obscuridade, cada parte tem seu acontecimento histórico do momento, que mesmo sendo tudo muito mágico, podemos ver a realidade ali estampada. Dramas diversos, histórias e experiências vividas por muitos, e claro, o grande amor pela música e vida retratado com seu jeitinho especial. É um livro que te toca em cada detalhe e avanço que a leitura te proporciona.

Era uma vez uma criança que se perde em uma floresta enquanto brincava com seus amigos, acaba que acontece um encontro inusitado, entre Otto e as três irmãs de um reino muito antigo, expulsas por seu pai desde o nascimento e feitas de prisioneiras de uma bruxa. Otto inicia uma aventura ao encontrar-se com as jovens que, para ajudá-lo a encontrar seu caminho de volta para casa, pede em troca sua liberdade, que seria Otto levando-as dentro de uma gaita, com seus espíritos ali vivendo de uma maneira “livre” através da música que muito virá a ser compartilhada.

Anos depois esta mesma gaita é encontrada por Friedrich, na Alemanha, o personagem é uma criança com um amor imenso pela música, que se vê apaixonado pelo som que a tal gaita faz, nesta primeira parte da fábula, conta a história deste menino que vive em um período difícil, sendo controlado por um governo cada vez mais totalitarista e nazista. Conhecemos a história dele, os dramas na família e a dificuldade de viver nesta época. Nos aventuramos em seu amor e não tão possível  futuro com a música em meio os problemas. Em poucas páginas você consegue adquirir um enorme carinho pelo personagem, se aventurando completamente em seu destino, cheio de imprevistos e sonhos que muito pede para se tornarem real.

Na segunda parte, conhecemos Mike e Frankie, são dois irmãos órfãos que, após a morte de sua avó, são enviados para o mesmo orfanato, este sendo escolhido por sua própria avó, por um motivo especial: era o único orfanato para garotos com piano, e como esperado, o amor dessas duas crianças pela música é de um tamanho imenso. Cresceram rodeados por ela, e assim, continuam, mesmo após não terem mais ninguém, além de um ao outro. O amor que eles sentem pela música é encantador mas é ainda maior quando percebemos o carinho presente na relação dos dois, algo puro, que aquece o coração cada vez que avançamos na leitura, que por sinal, é fascinante; nos é contado então, a história de dois irmãos cuidando um do outro enquanto correm o risco de serem separados por conta de uma possível adoção. Segredos e o suspense de o que acontecerá na cena seguinte te deixa querendo saber mais, se importando cada vez mais com estas duas crianças, moldados pela música e o medo de um futuro incerto.

Confesso que vejo-me desolada e com uma dor no coração, querendo ler mais sobre a história de cada parte que era finalizado, a fábula continua e levando muito apenas a imaginação do leitor. A autora escreve seus personagens de uma maneira que faz com que ao ler você sinta um apego muito grande por eles, querendo protegê-los.

Ivy Mariz Lopez, uma criança cheia de vida e sonhos, ela quer tocar sua gaita, fazer sua música e ser reconhecida pelo seu valor. O país está em guerra, Ivy vê seus planos sendo interrompidos por mudanças repentinas, um irmão no exército, os pais agora cuidando de uma fazenda que muito pode ajudá-los a crescer, ela consegue agora ver uma possibilidade de um futuro mais aberto para ela. É retratado, uma luta por seus direitos, a força que a música lhe dá e possíveis sonhos se tornando reais, ela é uma menina encantadora, que muito se importa com sua família, o amor e união tocando-nos inteiramente a cada sequência de palavra.

Ligados pela música, linhas do destino se intercalando e sentimentos compartilhados de uma maneira única e reconfortante. É uma história muito real e ao mesmo tempo cheia de magia, e quando não precisamos de um pouco de magia? Música é sempre necessária, especialmente em momentos tão difíceis, nos dando força, como é mostrado em cada parte e histórias dos personagens.

Quando eu li a frase dita por um dos personagens, me tocou de um jeito tão real, pois é uma das mais puras verdade “Os corações estão feridos. Indivíduos que costumavam ser amigos não são mais. Vizinhos não são vizinhos. Durante uma guerra, as pessoas acham que precisam escolher um lado e jogar culpa no outro. Os corações ficam menores.”, isso me deixou sem palavras, mas a seguir veio o sinal de esperança que sempre precisamos e não podemos abandonar “Os corações são maiores do que pensamos”. E outra coisa também dito por um dos personagens: não importa quantas tristezas haja na vida, há quantidades iguais de “talvez as coisas melhorem em breve”. 

Destinos e caminhos cheios de possibilidades estará nos aguardando para serem experienciados de suas maneiras únicas, assim como a leitura deste maravilhoso livro, que me deixou tocada por magníficas histórias e personagens com suas personalidades encantadoras, é tudo muito envolvente! Aprendi sobre não desistir e acreditarmos no nosso potencial, por mais difícil que seja.

escrito por: AMANDA MARIA

JANE EYRE por Charlotte Brontë

O romance Jane Eyre escrito por Charlotte Brontë publicado em 1847, é uma bela obra da literatura, que se passa na Inglaterra na Era Vitoriana, é um romance em formação, tendo a personagem Jane Eyre como foco, é retratado o seu constante crescimento e desafios em fases diferentes de sua vida, vemos o crescimento e amadurecimento da personagem, em cada página do livro.

Um romance que você se envolve completamente na história da personagem, você se vê cada vez querendo saber mais sobre os dramas e segredos que é mostrado, nos deixando empolgados e curiosos pela revelação seguinte. É misterioso, tem seu senso de humor único, com muitos altos e baixos, emoções sentidas e acontecimentos a todo momento deixando o leitor inspirado a continuar a leitura.

É uma leitura cheia de questões morais e éticas sendo retratadas, não é um romance simples, questões profundas e aprendizados dos mais diferentes e verdadeiros vividos pela personagem é presente na história.

Jane Eyre é uma personagem intensa, real, um crescimento constante de um ser único. Desde criança, como contado na história, ela sempre sozinha, aprendeu a lidar com seus dilemas e emoções muito bem, aprendeu sobre seus pontos fortes e prioridade, lidando com muitas de suas dificuldades; é uma personagem com personalidade notável, ela é forte, competente e livre. Valorizando a própria opinião, seus ideais e a tranquilidade que têm consigo mesma. É de extrema inteligência e beleza simples, a personagem é dedicada a si e ao aprender, Jane sente, sente muito mesmo, mas ela aprende a se controlar, tendo consigo que, ser controlada por alguém jamais será uma opção aceita por ela. Por mais tranquila consigo que ela seja, tem seus muitos lados, como todo ser humano, e isto, é retratado de uma maneira única e tão Jane Eyre possível, a personagem dá a leitura um extremo prazer por cada página e palavras ali escrita.

O crescimento de uma personagem, desde muito nova retratado, que foi abandonada por uma família que não a valorizava, Jane cresce em um colégio/orfanato que tem uma rigidez extrema com as crianças que ali vivem, com isso, a personagem passa a valorizar a si, evoluindo e indo em busca de sustentar a si com seu conhecimento, se torna uma educadora, que após fazer dezoito anos passa a trabalhar em uma mansão que poucos ali viviam. Sabendo como viver por si e aprendendo com a vida, Jane Eyre é uma leitura muito prazerosa e encantadora, com seus mistérios e dilemas, muitas de suas reviravoltas, é um livro extremamente envolvente e carregado por uma personagem notável.

Como a própria Jane diz:

“Eu não sou um pássaro e nenhuma rede me enlaça. Eu sou um ser humano livre com vontade independente”, Charlotte Brontë.

“Mas eu continuava viva, e a vida, com suas necessidade e dores e responsabilidades me chamavam” Charlotte Brontë.

Clássicos da literatura escritos por mulheres têm de fato me conquistado cada vez mais! Espero que você se dê uma chance de ter a experiência de ler Jane Eyre, e caso já tenha lido, quem sabe você se dê a chance de reler? 

escrito por: AMANDA MARIA